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Além da lei, empresas inclusivas para PcD são boas para todos

A rotatividade dos colaboradores é um dos principais desafios para as empresas. Um levantamento da ASID Brasil – Ação Social Para Igualdade das Diferenças, com algumas organizações, mostrou que a área de recursos humanos, muitas vezes, tem como meta contratar 40 pessoas com deficiência (PcD) em um mês para cumprir a lei, mas nesse período, 60 PcD são desligados, fazendo as recrutadoras ficarem em um ciclo eterno. Neste caso, o exemplo é de uma empresa, mas nos mostra como os ambientes corporativos estão lidando com o turnover dos colaboradores com ou até mesmo sem deficiência.

Conversando com uma técnica de RH, chegamos à conclusão sobre a rotatividade dos funcionários PcD: perguntamos como era com os colaboradores sem deficiência, e a resposta foi que era igual, ou até mesmo pior. A separação na hora de contratar funcionários com deficiência ocorre pela obrigação da Lei de Cotas, que impele organizações a terem uma porcentagem mínima de colaboradores com deficiência. Muitas delas, a fim de não pagarem multas, acabam colocando esforços para apenas cumprirem a lei.

A conta é simples, se na pós contratação uma empresa não oferecer boas condições de trabalho, as PcD vão eventualmente sair, assim como qualquer outra pessoa. Uma pesquisa da I.Social mostra que os principais motivos delas desistirem do trabalho é a falta de perspectiva de carreira (58%) e de se sentirem apenas como um funcionário de cota (52%). Ou seja, colaboradores PcD não possuem maior rotatividade ou precisam de mais assistência necessariamente, isso depende muito mais da cultura organizacional.

Aquelas que viraram a chave e passaram a investir em uma gestão de pessoas que compreende um olhar mais empático e atento ao funcionário, possuem um quadro de colaboradores mais engajado, incluindo pessoas com deficiência que terão suas demandas mais específicas atendidas por uma gestão humanizada e consciente. Estar aberto a liderar pessoas com características diversas, incluindo PcD, desenvolve a empatia de todos os colaboradores, melhorando na resolução de conflitos e um bom índice de retenção de talentos.

Quando a organização é inclusiva as barreiras habituais desaparecem e a deficiência fica menos em evidência, dando espaço a um indivíduo em plena funcionalidade e vontade de contribuir. E as empresas que têm essa prática são, geralmente, as ranqueadas no Great Place to Work e as que oferecem melhores benefícios para seus colaboradores, melhores condições de desenvolvimento e crescimento na carreira.

*Alexandre Schmidt de Amorim é formado em Administração de Empresas pela UFPR e cursos em Harvard e Stanford. Também é cofundador e diretor-executivo da ASID Brasil, além de ter sido selecionado como Under 30 da revista Forbes e ter palestrado no TEDx.

Gabriela Kuhnen Inácio é formada em Psicologia pela UFPR. É analista da Projetos da ASID Brasil, com foco em programas de diversidade e inclusão de pessoas com deficiência.

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