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Ainda há espaço para profissionais de Agilidade no mercado?

Objetivamente: Sim, há uma imensa procura por profissionais especialistas em metodologias ágeis. Entretanto, com demandas cada vez mais formalizadas e pasteurizadas sobre o papel, torna-se ainda mais importante entender para onde está seguindo a atuação e o direcionamento desse mercado, evitando riscos futuros.

Nos dias atuais, cada empresa formaliza a posição com um nome diferente, não existindo um consenso sobre qual a atuação real destes profissionais: muitos se tornam coordenadores de projeto modernos, ou ainda facilitadores de cerimônias. Eu acredito que é o momento de ressignificar sua atuação, e posicionar o mercado para um futuro diferente.

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Fomos inundados no mercado de tecnologia com termos, processos, práticas e metodologias ágeis, com a promessa de que bastaria seguir os guias e fórmulas mágicas que qualquer empresa poderia atuar de forma ágil alcançando ganhos de performance, eficiência de projetos e resultados superiores de negócio. Profissionais especialistas e certificados se tornaram o foco de grandes empresas que entravam em processos de transformação – aprender a usar os métodos, treinar times, escalar o uso.

De certa forma, a essência de uma atuação de melhoria contínua, adaptabilidade e maestria foram substituídas por grandes frameworks prescritivos e metodologias reproduzíveis, simplificando a entrada de novos profissionais, ao mesmo tempo em que respondem à crescente demanda de vagas, num processo natural em nosso mercado.

Quando olhamos para o que lideranças mundiais em Agilidade estão produzindo, vemos um posicionamento comum: a retomada da discussão sobre princípios e valores, o foco no contexto de atuação acima de fórmulas prontas, experimentação e adaptabilidade no centro da organização, o caminho da maestria através do aprendizado constante e o forte respeito às pessoas.

Heart of Agile, Modern Agile, DaD, Agile Fluency e Bossa Nova são algumas das abordagens que tem se distanciado do mais tradicional de agilidade – executar cerimônias com os times, padronizar atuações em escala, garantir a atuação dos especialistas em métodos acima dos especialistas em negócio.

Já vemos indícios de novos mecanismos de trabalho surgindo, e questionando inclusive a premissa de que para ser ágil, um time precisa ter um profissional especialista em agilidade.

A velocidade com que novas abordagens de negócio e gestão surgem, cria grandes desafios para estes profissionais: não é mais possível desassociar Processo e Negócio dentro de um time, e Agilidade nos times não significa agilidade no negócio. A otimização de processos dos times de entrega – independentemente do tamanho da organização – nunca será suficiente para transformar uma empresa para uma nova realidade.

Alinhamento das múltiplas realidades dentro da organização (Estratégia, Governança, Execução) é o único caminho. Não é possível alcançar os patamares de crescimento atuais sem que toda a organização mude para uma nova realidade. Profissionais de agilidade precisam, sendo assim, estar mais próximos das discussões que atualmente trazem o maior diferencial para as organizações: como alinhar todo o trabalho à expectativa do negócio. Sem conhecer processos de experimentação, priorização e estratégia, este profissional não consegue vencer a barreira da Governança organizacional, ou ainda propor mudanças fundamentais para eficácia das organizações.

No princípio, nossa discussão sobre agilidade é sobre viabilizar times auto gerenciáveis, e a posição dos agilistas (ou coaches, scrum masters, etc) seria temporária, uma vez que os próprios times aprenderiam a executar todas as práticas. O papel sempre foi sobre trazer o alinhamento e facilitar os times para que eles atuassem sozinhos. Precisamos retomar esse modelo.

Muitas organizações e equipes ainda precisam do trabalho destes profissionais, e acredito que tão cedo não veremos a demanda diminuir. Visão, alinhamento e facilitação continuam sendo skills importantíssimas para o perfil de especialista em agilidade. Mas acredito que está na hora de focarmos ainda mais em viabilizar que organizações aprendam e evoluam em seus contextos através da experimentação e melhoria contínua, cada vez mais importantes no nosso contexto atual.

Victor Hugo Germano é CEO da Lambda3

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