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Agências de espionagem dos EUA e Reino Unido coletam dados do Angry Birds

Agências de espionagem nos Estados Unidos e Reino Unido têm desenvolvido maneiras de coletar dados a partir de aplicativos de smartphones e fazem uso rotineiro dessas técnicas, mas estão lutando para dar algum sentido a esse grande emaranhado de dados.
De acordo com um relatório publicado conjuntamente na segunda-feira (28) pelos jornais The Guardian, The New York Times e ProPublica, com base em documentos previamente secretos divulgados pelo ex-analista externo da NSA Edward Snowden, a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês) e a Sede de Comunicação do Governo da Grã-Bretanha trabalham juntas para acessar dados de aplicativos móveis pelo menos desde 2007.
“Desde então, as agências trocaram receitas para coletar localização e planejamento de dados quando um alvo usa o Google Maps, e para vasculhar listas de endereços, listas de amigos, registros de telefone e dados geográficos incorporados em fotos quando alguém envia uma mensagem para as versões móveis do Facebook , Flickr , LinkedIn, Twitter e outros serviços ” , diz o relatório.
O relatório também descreve os documentos secretos da inteligência britânica a partir de 2012 que detalham o código computacional necessário para coletar perfis de jogadores do Angry Birds e de publicidades a partir de dispositivos Android. Esses perfis de publicidade podem conter dados sobre a localização dos usuários, estado civil, orientação sexual, afiliação política ou outros dados demográficos relevantes para anunciantes. Sem contar todas as outras informações pessoais disponíveis em um smartphone.
O material amplia as revelações que vieram à tona no final do ano passado, que sugerem que a NSA se baseia em dados de rastreamento de anúncios comerciais, como cookies do Google, para identificar alvos a serem hackeados pelo governo e para conseguir dados de vigilância mais amplos.
Procurado, o Google não se pronunciou oficialmente a respeito do assunto.
O relatório deverá colocar ainda mais pressão sobre os desenvolvedores de aplicativos para minimizar a coleta de dados em suas plataformas móveis, como Apple, Google e Microsoft, a fim de que eles restrinjam as regras de privacidade.
No entanto, se o controle de publicidade tornou-se indistinguível do rastreamento inteligente, os provedores de publicidade online podem enxergar como retrocesso a adoção acelerada de tecnologias de bloqueio de anúncios e bloqueio de cookies.
Há alguns dias, o presidente Obama anunciou diversas mudanças sobre a forma como os EUA lidam com a coleta de informações. As reformas, em grande parte, estão aquém do que os defensores da privacidade esperam e não abordam a coleta de dados de smartphones e aplicativos móveis.
Em declaração sobre seu programa de coleta inteligente em smartphones incluído no relatório, a NSA insistiu que não acessa o perfil de americanos comuns em sua missão de inteligência estrangeira e que as proteções de privacidade para residentes dos Estados Unidos e “pessoas estrangeiras inocentes” estão presentes em todo o processo. A verificação independente de tais afirmações é praticamente impossível, uma vez que os programas em questão são classificados e não estão sujeitos à supervisão pública.
As agências de espionagem afirmam que a inteligência de tráfego de smartphones contribuiu para a prevenção de um plano de atentado pela Al Qaeda na Alemanha em 2007 e a prisão de membros pertencentes a um cartel de drogas que havia matado um empregado do consulado dos EUA no México, em 2010.
No entanto, esse grande acervo de informações de smartphone também representa um desafio de armazenamento e análise. De acordo com o relatório, o processamento de apenas um mês de dados de smartphone recolhidos pela NSA exigiu 120 computadores e levou até 8.615.650 “atores”, um termo que significa presumivelmente pessoas de interesse em potencial. O processamento de três meses de dados britânicos apontou para 24.760.289 “atores”. Embora esses “atores” não estejam todos no Reino Unido, eles representam um número muito grande em termos de serem úteis do ponto de vista investigativo, considerando que a população total do Reino Unido é de cerca de 63 milhões.

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