Abençoado acesso sem fio

Verdade seja dita, os divulgadores de aparelhos de comunicação sem fio ainda lutam com seus discursos de vendas. Um comercial de TV mostra um alto executivo dando uma palestra enquanto sua assistente, provavelmente falando do escritório, dita a palestra, em tempo real, e a transmite para ele em seu PDA. Se você colocar nesses dois personagens uma roupa do filme Guerra nas Estrelas, essa situação terá alguma credibilidade.
Apesar da euforia a esse respeito, os aplicativos para comunicações móveis vão emergir nos próximos anos conforme a qualidade dos dispositivos sem fio aumentar e as instalações de 3G (sistema móvel de terceira geração) fornecerem a infra-estrutura necessária. Enquanto isso, você não encontrará muita ação nessa área, mas em sistemas sem fio de acesso fixo.
Honestamente, não acredito que eu conseguiria voltar a utilizar discagem para acesso à Internet em minha casa (meus filhos simplesmente iriam morar com um dos vizinhos equipados com banda larga). É claro, os serviços de dados por cabo e DSL têm seus problemas, mas eles proporcionam uma experiência interativa de vários megabits, que o acesso discado simplesmente não pode oferecer. Infelizmente, para muitos trabalhadores remotos em potencial, o serviço de modem a cabo ou DSL simplesmente não está disponível onde eles vivem. Esses são os clientes que provedores como Sprint e WorldCom estão visando com seus novos serviços de acesso sem fio com base em MMDS (Microwave Multi-point Distribution System ou sistema de distribuição de micro-ondas para vários pontos).
A Sprint está instalando mais de mil sistemas de banda larga direta por mês. O sistema de primeira geração, da Sprint, tem como base uma arquitetura supercelular de torre única, que utiliza modems da Hybrid Networks. Eu fiz uma pesquisa, por meio de grupos de notícias, para verificar a reação de alguns usuários, e com exceção de alguns “gamers” reclamando sobre latência, a maioria estava satisfeita.
Uma vez que a transmissão com largura de banda compartilhada é similar àquela utilizada nos sistemas com base em cabos, a arquitetura supercelular trás consigo questões de ajuste de escala, algumas das quais podem ser superadas por meio de um processo conhecido como setorização, que focaliza os sinais de rádio para uma área limitada. Sem dúvida, o maior obstáculo é quanto à exigência da linha de visão. A necessidade de visada limita os tipos de áreas metropolitanas nas quais o sistema pode ser implementado de forma lucrativa. Pior ainda, as exigências quanto à linha de visão dão maiores dores de cabeça para os provedores de serviço que não conseguem absolutamente determinar se um sistema pode ser instalado em um local específico antes de fazer um estudo sobre o lugar.
Os sistemas de segunda geração, incluindo aqueles que estão sendo desenvolvidos pela Cisco Systems e Vyyo, deverão superar as exigências quanto à linha de visão ao utilizarem um projeto celular que, inerentemente, tenha maior capacidade de expansão. Qual é o truque? Primeiramente, os novos sistemas são complexos e não têm um registro de controle comprovado. Em segundo lugar, existem debates sobre padrões, com uma significativa controvérsia entre os que estão a favor de aperfeiçoamentos pragmáticos e os que preferem designs elegantes. Finalmente, há o custo associado à implementação de várias células e os gastos com encaminhamento da transmissão (back-haul), necessários para conectá-los ao ponto de presença de Internet referente ao provedor de serviço.
Não estou defendendo a substituição de seu serviço por cabo ou DSL com a transmissão por largura de banda sem fio, mas para aqueles que não têm essas opções, a capacidade dessa alternativa é uma dádiva.
