Inúmeros painéis eletrônicos espalhados por todos lados do centro negociações do prédio localizado na Rua XV de Novembro, no centro da capital paulista, trazem números que extrapolam o campo de visão e variam em tempo real entre oscilações de taxas de câmbio, ações, títulos e rendas. Em 2012, foram negociados um total de R$ 1,7 bilhão na BM&FBovespa, a principal bolsa de valores do Brasil e uma das maiores do mundo. Apenas nos seis primeiros meses deste ano, esse volume alcançou quase R$ 950 milhões.
Operar em uma rede de baixa latência capaz de processar ordens de compra e venda em frações de segundos é o que garante a negociação em média de R$ 8 milhões diários em sua plataforma. Todas as atividades da instituição são operadas em ambiente eletrônico e por isso a mínima falha na infraestrutura de TI pode significar milhões de reais perdidos.
Frente à expansão da economia brasileira e ao aumento dos volumes financeiros negociados, a BM&FBovespa precisava atender às demandas do mercado de negociação eletrônica e garantir a entrega de informações cruciais para a tomada de decisões. Com a fusão entre a Bolsa de Valores de São Paulo e da Bolsa de Mercadorias e Futuros em 2008, que originou a BM&FBovespa, o departamento de TI ficou responsável por gerenciar seis ferramentas de monitoração distintas, oriundas de quatro fabricantes, o que gerava altos custos operacionais e contratuais sem oferecer visão completa e integrada do ambiente de TI.
Após analisar outras soluções do mercado, em 2009 a Bovespa decidiu centralizar o gerenciamento dos componentes de TI com soluções de monitoramento de infraestrutura e aplicações da CA Technologies.
?Antes, se tivéssemos algum tipo de problema com aplicações ou infraestrutura, íamos para o mercado com esse problema sem saber onde ele estava instalado?, conta Elie Bautzer, diretor de TI da BM&FBovespa. A solução foi montada com o CA NSM, utilizado para monitorar 2.000 servidores e 600 equipamentos de rede da BM&FBovespa; CA Health, que acumula informações para a gestão da capacidade; e CA Spectrum, interligado a outras duas soluções para oferecer visibilidade sobre a infraestrutura física da plataforma eletrônica.
Métricas e confiança O primeiro passo tomado dentro da instituição foi a criação de um projeto de monitoramento para definir métricas que ajudariam onde a TI deveria concentrar esforços, primeiro benefício da solução. ?Não adianta comprar a ferramenta e instalar o agente sem saber o que e como monitorar?, explica Bautzer. Após investimentos na atualização da infraestrutura e nos sistemas de negociação, a Bolsa trabalha hoje com 30% da sua capacidade em uso e 70% da sua capacidade devido à suscetibilidade do volume de mercado. ?Se o mercado está de bom humor, o volume de mensagens e de financeiro pode ser de três a cinco vezes maior. Precisamos estar preparados.? Também foi incluído um processo de checagem de toda a plataforma de negociação, composta por 550 servidores, por meio de instrumentos de testes. Esse procedimento passou a ser realizado em conjunto com os times de TI e negócios, todos os dias, às 4 horas da manhã. Além disso, às 7 horas da manhã, é feito um call matinal no qual equipes de negócios, TI e infraestrutura fazem um check list pra verificar se a plataforma está funcionando.
Após todas essas iniciativas, a Bolsa passou a contaminar o mercado positivamente: corretoras passaram a adotar esse processo de checagem de sistemas e conectividades.
Para oferecer ainda mais confiabilidade e segurança às operações e uma visão integrada da plataforma de negócios, em 2011 foram implantados os dashboards interligados ao Spectrum, que mostram como está a disponibilidade das aplicações. Sem esses painéis, a conferência de informações era realizada manualmente pela área de operações de TI.
Pós-negociação e gestão da exPeriência Da mesma maneira que o Spectrum monitora os componentes sistêmicos do ambiente de negociação, a ferramenta faz o monitoramento básico da infraestrutura dos servidores que hospedam os 400 sistemas de pós-negociação da Bovespa, área responsável por liquidar e controlar os riscos de mercado, gerenciar as garantias e depositar os bens que são negociados dentro do mercado.
Como as aplicações são hospedadas na web, a TI precisava ter uma visão da experiência de acesso tanto de seus usuários internos como corretoras e bancos. ?Antes, recebíamos uma média de mil chamados por mês de corretoras?, relata Bautzer, problema esse eliminado com a solução contratada.
Para monitorar a experiência do usuário, aplicações e transações de negócio, a bolsa adotou ainda a CA Application Performance Management.
Sua função é executar operações e oferecer em tempo real informações em um painel sobre eventuais erros, possibilitando identificar quem é o usuário que impactado na ponta e a execução de ações preventivas.
?Hoje nós evitamos esses mil chamados e o mercado acaba nem sentindo algum problema em 90% dos casos. As ferramentas da CA não são baratas, mas achamos que outras soluções do mercado ainda não oferecem uma visão tão integrada. Todos esses componentes permitem um gerenciamento de disponibilidade, capacidade e performance que nós não tínhamos até 2009, de modo que trabalhamos hoje com 99,9% de disponibilidade nos servidores. A TI sente que tem a infraestrutura nas mãos e que o usuário está sendo atendido, pois podemos tomar ações preventivas tanto no que diz respeito à disponibilidade quanto à capacidade das aplicações, aumentando a produtividade do mercado e dos usuários internos e externos de negócios.? De acordo com o diretor de TI, a parte mais custosa da implantação consiste na distribuição de agentes, uma vez que alguns servidores ficaram indisponíveis durante a instalação. Já em relação à implantação do Spectrum, ele afirma que a fase mais trabalhosa foi a de distribuição de métricas definidas entre grupos de servidores, pois se houver grupos de servidores similares, é necessário redefini-las.
A matéria foi originalmente publicada na edição 247 da InformationWeek Brasil
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