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A placa de seu “Home Theater” e os jogos nacionais

A coluna de hoje é dedicada à análise de uma placa-mãe bastante peculiar, a HDC-I da ECS. Peculiar porque ela já é fornecida com um microprocessador Fusion (ou seja, já vem tanto com processador quanto com controladora gráfica de alto desempenho), som de altíssima qualidade, suporte à conexão sem fio padrão WiFi e recebe até 8 GB de memória primária DDR3 1066/800. E tudo isto em um fator de forma miniITX, ou seja, em uma plaquinha de 17 cm x17cm que cabe em um gabinete miniatura com fonte pequena, já que o consumo de energia é baixíssimo (apenas 18 w). Quer dizer: vem praticamente pronta para quem deseja montar um sistema de entretenimento doméstico tipo “home theater”.

Antes, porém, queria pedir licença a vocês, leitores, principalmente os que vivem no Rio de Janeiro ou proximidades, para chamar sua atenção para um assunto que reputo da maior importância: os desenvolvedores de jogos brasileiros.

Vocês sabiam que há, no Brasil, uma indústria de desenvolvimento de jogos? Que existe um grupo de denodados programadores lutando contra todo tipo de dificuldades, que incluem impostos escorchantes, pirataria, total desconhecimento por parte do que poderia ser seu mercado e que, apesar disto, com empenho, competência, e, sobretudo, imensa criatividade e dedicação, estabeleceram suas empresas – Denisoft, Riachuelo Games, Donsoft, Vaca Vitória, Unidev e Aiyra são exemplos, algumas já com quase dez anos de luta ? desenvolveram e lançaram seus jogos e agora batalham para divulga-los enquanto a maioria de nós simplesmente ou desconhece sua existência ou trata este segmento da indústria como algo “menor” e não merecedor de nossa atenção? Sabia que a qualidade e o preço dos produtos que eles lançam no mercado são bastante razoáveis? Mais ainda: sabia que boa parte delas sobrevive da exportação de seus jogos porque no Brasil criou-se o (mau) hábito de utilizar apenas jogos desenvolvidos no exterior porque formou-se o conceito equivocado que, nesta área, o produto nacional é de baixa qualidade? E, finalmente, sabia que no Brasil há um mercado estimado de 35 milhões de jogadores ativos que, em 2011, investiram dois bilhões de reais principalmente no mercado internacional de jogos porque praticamente ignoram a existência do nacional?

Pois há. E, na tentativa de chamar a atenção do público ? ou seja, de vocês, leitores que dedicam pelo menos uma parte de seu tempo a jogos de computador ? vão realizar um evento no último final de semana deste janeiro (dias 28 e 29/01/2012) para divulgar suas atividades.

O evento, cuja participação é gratuita e que está sendo coordenado pelo José Lúcio Gama, o “Slotman”, será o “Joga Brasil”, realizado nas instalações da Faculdade CCAA no Riachuelo, Av. Marechal Rondon 1460. Nele, além de conhecer os jogos desenvolvidos no Brasil, você poderá assistir palestras e mesas redondas e, caso atue no mercado de jogos ou revenda de software, terá a oportunidade de se reunir diretamente com representantes das empresas.

Você encontrará mais informações no sítio do evento, em www.jogabrasil.com.br/ e a lista de palestras aqui (confira também as mesas redondas). Com um destaque especial (pelo menos no que me diz respeito) para a palestra do Renato Degiovani às 16hs do sábado, 28/01. Renato é uma figura notável. Foi por um bom tempo o responsável pela (tanto quanto eu saiba) primeira revista técnica de informática do Brasil, a MicroSistemas, e desenvolveu o primeiro jogo nacional ? o histórico “Amazônia” ? ainda nos anos oitenta. É um pioneiro, um lutador, um divulgador incansável da criação de “Adventures” (criou uma ferramenta para isto, o Zeus). Mas, acima de tudo isto, Renato é uma figura humana extraordinária. Além do que, embora eu seja mais velho, dedico-lhe todo o respeito: afinal, o cara foi meu professor de Assembly. Sua palestra é imperdível.

Reserve seu último final de semana de janeiro para comparecer ao “Joga Brasil” e dar uma força aos briosos desenvolvedores de jogos nacionais. Eles merecem. E você também: garanto que irá se divertir e, sobretudo, descobrir um mundo que você mal sabia que existe.

Agora vamos à HDC-I

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