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A Lua está no céu. E daí?

A superfície da Terra

Já a formação da superfície da Terra foi diferente. Ela se agita até hoje em virtude da ocorrência de terremotos, vulcanismo e outros tantos eventos de natureza tectônica. Além de estar sujeita a constante ação erosiva.

A imensa massa do planeta preservou até hoje o calor em seu interior, que ainda é constituído de magma fundido circundando um núcleo de ferro também derretido (responsável pela formação do campo magnético do planeta, assunto que, sozinho, renderia outra série de colunas como esta), tudo isto cercado por uma espessa camada viscosa denominada manto que por sua vez é revestido por uma fina camada sólida denominada litosfera, recoberta pela crosta terrestre.

E quando digo que a camada efetivamente sólida que recobre a Terra é fina, não estou exagerando. É fina mesmo. E não é por outra razão que recebeu o nome de “crosta”.

Veja lá: como sabemos, o diâmetro da Terra é de quase treze mil quilômetros. Portanto, seu raio é pouco maior que seis mil e quinhentos quilômetros. Quase a distância em linha reta entre São Paulo e Miami, EUA. Pois bem: a espessura da crosta não passa de cinco a dez quilômetros sob os oceanos e de trinta a cinquenta quilômetros abaixo dos continentes.

Digamos que a espessura média seja 25 km, uma distância que cabe com sobras no perímetro urbano da própria São Paulo. Compare as duas distâncias e verá que a espessura da crosta é pouco menor que quatro milésimos (repetindo, para que não se pense que foi cometido algum erro de digitação: quatro milésimos) do raio terrestre. Da primeira vez que tomei conhecimento desta proporção, passei uns tempos pisando mansinho para não romper um treco tão fino.

Mas, felizmente, não é apenas a crosta que é sólida. Imediatamente abaixo dela há a litosfera, constituída principalmente de rochas, também sólida. E que, ufa!, tem cerca de duzentos quilômetros de espessura média. Que, somados aos 25 de espessura da crosta, faz com que, em média, a espessura total do revestimento sólido da esfera na qual vivemos perfaça cerca de três e meio porcento de seu diâmetro. E olhe lá.

Limitando a litosfera e separando-a do manto há a chamada “descontinuidade de Moho”, descoberta em 1909 e que ganhou este nome em homenagem ao cientista croata seu descobridor. Que não se chamava Moho, mas Mohorovi?i?, nome considerado complicado demais para batizar qualquer coisa que não o próprio Andrija ? este era seu primeiro nome ? e que por isso foi simplificado para apenas “Moho” (eu sei que parece brincadeira, mas é sério).

Abaixo da descontinuidade de Moho nada é sólido: o manto é de consistência plástica e, mais abaixo, o núcleo externo de magma e o interno, de ferro, são líquido em virtude das elevadas temperaturas.

Quer dizer: a Terra é mais ou menos como uma bola de material líquido ou plástico viscoso revestida por uma camada sólida cuja espessura é de cerca de 3,5% do diâmetro da bola. Veja a espessura relativa das camadas na Figura 3. Moho não é uma camada, é apenas uma descontinuidade que separa a litosfera e o manto, por isso nada se vê ali. Mas a crosta é, de fato, uma camada. Repare em sua espessura (garanto que há, acima da litosfera, uma linha negra de espessura proporcional à da crosta; fui eu quem a desenhou e se porventura você não a vê é porque a resolução de seu monitor não permite) e compare-a com a das demais camadas. Some-a com a espessura da camada amarela, a litosfera, e veja como é fina a capa sólida que envolve nosso planeta. O equilíbrio das forças cósmicas tem que ser mesmo muito delicado para que esta coisa não se esborrache no espaço…

É claro que também a Terra sofreu impactos de corpos celestes. E, sendo tanto seu diâmetro quanto sua atração gravitacional maiores que os da Lua, o número e violência dos impactos que sofreu há de ter sido muito maior. Só não guardou suas marcas sob a forma de crateras, com a Lua, porque elas foram esmaecidas ou desapareceram em virtude de quase quatro bilhões de anos de movimentos tectônicos e erosão. Até o gigantesco impacto que causou a extinção dos grandes sauros e quase acabou com a vida das demais espécies, ocorrido há 65 milhões de anos, quase não deixou marcas e sabemos apenas que ocorreu na região do Golfo do México.

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