O aspecto da Lua
Mas a definição do aspecto atual da crosta dos dois corpos celestes não foi uma coisa assim tão simples. Ações externas também afetaram esta evolução.
Uma evolução que teve início em tempos catastróficos: mais ou menos no meio do primeiro bilhão de anos de existência da Terra, ainda na era da formação planetária, tanto ela quanto a Lua sofreram um violento bombardeio de corpos celestes atraídos pela gravidade de ambas (um fenômeno que os astrônomos denominam “the late planetary bombardment” e durou cerca de cem milhões de anos).
As marcas de tantos impactos ainda permanecem sobre a superfície da Lua ? juntamente com as de quase todos os que ocorreram daí em diante. A razão é simples: com sua massa menor, a Lua continha menos energia térmica que a Terra. Energia que foi mais rapidamente dissipada por irradiação, o que fez com que ela se solidificasse mais depressa. A escassa atividade tectônica que houve por lá durou relativamente pouco e cessou há cerca de dois e meio bilhões de anos.
Mas não passou em branco. Foi ela a responsável pela formação dos “mares” da Lua. São as grandes manchas coloridas que aparecem na Figura 2.
Neste ponto cabe um parênteses, pois a foto, magnífica, merece um comentário. Ela foi obtida no interessante blog 100nexos de Kentaro Mori, mas pode ser observada em todo seu esplendor no sítio do autor, “Russel Croman Astrophotography“, mais particularmente aqui. Porém, juntamente com ela há, no mesmo sítio, centenas de outras igualmente soberbas, portanto não se cinja à observação apenas dela. Se você está lendo estas mal traçadas com algum prazer é porque possivelmente aprecia o assunto. Neste caso, sugiro enfaticamente uma visita ao sítio de Croman. Depois de se deliciar com algumas fotos, clique no atalho “Slide Show”, aumente o som e prepare-se para alguns minutos de enlevo absoluto. Você precisará de uma conexão de alta taxa (que os que preferem termos mal traduzidos ao pé da letra do inglês chamam de “banda larga”), de alguma paciência e de instalar um programa auxiliar (que os mesmos do outro parênteses chamam de “plug-in“), o Photodex Presenter, que, presumo, é seguro: o excelente ESET não detectou nenhuma ameaça e eu o instalei em minha máquina de trabalho. Mas valerá a pena, garanto. Até a música, “Deep Spaces”, de Mark Mercury, foi composta especialmente para servir de fundo a apresentações deste tipo e combina maravilhosamente com as imagens. É puro deslumbramento. Eu recomendo.
Mas voltemos à Lua e a seus mares.
Aquilo que até hoje chamamos de “mares” da Lua são, na verdade, derrames de magma que se espalharam por vastas superfícies e se solidificaram formando imensas planícies. Ganharam o nome de “mares” porque os primeiros astrônomos, ao vislumbrarem, com seus telescópios toscos para os padrões atuais, superfícies planas de tamanha extensão, imaginaram que se tratava de oceanos. Mas não passam de vestígios de atividade tectônica ocorrida há mais de dois bilhões de anos.
Hoje não há mais vulcões na Lua. E o aspecto de sua superfície passou a ser moldado principalmente pelo impacto de corpos celestes que vêm com ela se chocando durante os últimos três bilhões de anos e cujos efeitos (as crateras lunares) permanecem imutáveis ? exceto pela eventual ocorrência de outro impacto nas proximidades ? devido à inexistência tanto de atividade tectônica quando de erosão (não há água ou vento para provoca-la).
Mas, atenção: me refiro ao aspecto de toda a crosta lunar, não apenas ao da face que a Lua nos mostra. Porque há um lado (ou hemisfério) que ela nos oculta.
É que, além de orbitar a Terra, a Lua também gira em torno de seu eixo. Já girou mais depressa quando era mais próxima da Terra e tinha alguma atividade vulcânica. Mas desacelerou. Hoje, executa um giro completo em torno de si mesma exatamente no mesmo período em que completa uma órbita em torno da terra. O resultado destas rotações síncronas é um fenômeno interessante: daqui da Terra vemos sempre o mesmo hemisfério da Lua. Que, como certas mulheres (e homens também, vá lá, para não me acusarem de machismo), tem uma face oculta.
Note que isto não significa que o lado que não vemos seja sempre escuro. Por mais que se queira, o “The dark side of the moon” não existe ? exceto, naturalmente, pelo disco de mesmo nome de Pink Floyd, na minha opinião um dos dois únicos discos de roquenrrou que, não sendo dos Beatles, podem ser classificados como “música” e por isso fizeram jus a figurar em minha discoteca (antes que me perguntem: o outro é “A night at the opera” do Queen; e o assunto não está aberto a discussões no FPCs).
Nós não o vemos não porque seja escuro, mas meramente por uma questão de perspectiva, já que fica sempre “atrás” da Lua mesmo quando o Sol o ilumina. Um astronauta, por exemplo, vendo a Lua de outra perspectiva, poderia ver o outro lado iluminado quando ele estivesse de frente para o Sol.
A evolução da inteligência artificial nos serviços financeiros ainda esbarra em desafios relacionados à experiência…
A Motorola Solutions anunciou a assinatura de um acordo definitivo para adquirir a D-Fend Solutions,…
Nesta terça-feira (2), a Meta anunciou a expansão global de configurações de conteúdo para contas…
por Bruno Paiuca Dentro da jornada de digitalização dos ecossistemas de segurança, a validação e…
A Alphabet, controladora do Google, planeja levantar US$ 80 bilhões por meio da venda de…
O Sberbank, maior banco da Rússia, está oferecendo modelos de inteligência artificial (IA) a países…