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A linguagem universal do desenvolvimento de softwares

Ser desenvolvedor de softwares no Brasil não é diferente do que em qualquer outro lugar do mundo. Essa deve ser uma das poucas profissões – se não a única – em que a atividade é executada da mesma forma e requer os mesmos conhecimentos independentemente do lugar do mundo.

As grandes vantagens da área são, sem dúvida, as cargas horárias flexíveis, possibilidade de trabalhar em casa, e também, de ter o seu próprio negócio nas horas vagas.

No Brasil há um déficit muito grande de profissionais, em especial nas cidades grandes. Para competir por funcionários, as empresas oferecem salários e benefícios cada vez maiores, o que quase sempre gera uma melhora do ambiente de trabalho para os profissionais da área. Com relação à educação, nunca foi tão barato aprender a programar – com um computador simples e acesso ao Youtube é possível (e fácil) aprender a profissão em poucas semanas sem precisar sair de casa, uma realidade bem diferente da época em que eu comecei. Também é fácil encontrar cursos superiores na área, mesmo em cidades pequenas.

Nos EUA e na Europa, a escassez de profissionais é ainda maior. Acredito que as empresas desses países busquem desenvolvedores latinos pela pouca diferença de fuso horário e pela maior compatibilidade cultural.

Eu programo há 16 anos e, desde então, a maior mudança que vejo é por parte de empresas de médio e grande porte. Esses negócios costumavam adquirir softwares de terceiros, mas, agora, preferem ter o seu próprio programador e fazer o desenvolvimento in-house. Também há uma maior valorização do conhecimento formal, o que faz com que as certificações sejam mais importantes, algo que não ocorria até um passado recente. Hoje também é mais fácil conseguir uma colocação em uma empresa estrangeira ou, até mesmo, mudar para outro país com emprego já garantido.

Nos últimos anos tenho acompanhado um fenômeno de “romantização” da profissão. Nos filmes e novelas, o programador prodígio acessa um sistema de alta segurança do governo em poucos segundos; videogames passam a impressão errônea de que o programador que atua nesse campo trabalha o dia todo se divertindo. Por isso, é importante que o aspirante a programador tenha um contato prévio com o dia-a-dia da profissão, a fim de evitar decepções. É essencial também, aprender a falar inglês. O idioma é indispensável para se obter sucesso na área.

Acredito que os setores de finanças e inteligência artificial terão um grande crescimento nos próximos anos, além, é claro, o de e-commerce e marketplaces. Nas pequenas e médias empresas, cada vez mais teremos programadores trabalhando de forma remota. As faculdades não estão conseguindo suprir a demanda crescente do setor por novos profissionais, então uma coisa é certa: o déficit vai continuar, e quem conseguir tirar proveito disso, vai lucrar muito nos próximos anos.

*Por Andresa Martins, desenvolvedora brasileira da BairesDev, empresa argentina com atuação em toda a América Latina

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