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A importância da capacidade de se readequar, mesmo que na marra

Claro que a pandemia causada pela COVID-19 virou o mercado e nossos hábitos de cabeça para baixo. E mais uma vez a famosa frase “Sabíamos que o mundo não seria o mesmo. Algumas pessoas riram, algumas pessoas choraram, a maioria das pessoas ficou em silêncio”, dita pelo físico americano Robert Oppenheimer (o pai da bomba atômica), teve sentido.

Porém, desta vez, não ficamos em silêncio – ao contrário! Não canso de ver nas mídias sociais pessoas postando fotos de conferências e reuniões virtuais. Até encontros de líderes políticos, como o realizada pelo G20, se deu a distância.

Neste momento várias empresas se esforçam para redirecionar tarefas dentro da companhia para superar as dificuldades que surgiram nas últimas semanas. Quer seja treinar os colaboradores dos supermercados em novos procedimentos de atendimento, higiene e limpeza, quer seja em bares e restaurantes que direcionaram todas as vendas para plataformas online. Isso sem esquecer da cadeia logística desde o recebimento do pedido até a entrega na casa do cliente.

Estamos falando de novos tempos onde a readequação de papéis tem acontecido, literalmente, na marra. É a transformação digital inserida sem anestesia, simplesmente em prol da sobrevivência da empresa. A ordem do dia é correr contra o tempo para manter empregos e o faturamento.

E com a consciência do isolamento social tomando corpo, cresce também o consumo via delivery. Apenas o aplicativo Rappi registrou no mês de março um aumento de 30% no número de pedidos principalmente em restaurantes, supermercados e farmácias.

O home office tornou-se comum. E quem não tem um espaço reservado para esse fim faz o máximo para transformar salas, quartos, sacadas, varandas gourmet e até áreas de serviço em um ambiente apto para desempenhar as mais diversas atividades.

Com as escolas fechadas crianças e adolescentes já se acostumaram a ter aulas on-line por plataformas como Google Hangouts e Zoom, com avaliações realizadas via Google Forms. A medida foi seguida também por instituições de prestígio como a Fundação Getúlio Vargas.

Trabalhar, fazer reuniões e estudar frente à tela de um computador ou smartphone não é mais visto com estranheza ou novidade, agora é status quo a ser mantido.

Claro que todos pensam na primeira coisa que farão quando a vida voltar ao normal. Mas será necessário tudo voltar ao mesmo estado de antes do surto de Coronavírus em uma cidade da China se transformar em uma pandemia mundial?

Gostaria de propor algumas reflexões valiosas:

Será mesmo que tenho que me deslocar tanto, atravessar metade da cidade e voltar tarde para casa só para me graduar ou me atualizar?

Vale a pena que empresas mandem equipes inteiras para uma sessão presencial, sendo que é possível realizar online na própria empresa mesmo, com menor custo de deslocamento, aluguel de salas e coffee-breaks?

Com o dólar alto será mesmo necessário fazer tantas viagens internacionais para reuniões que poderiam ser a distância?

Uma organização realmente precisa de um escritório tão grande?

Estar com a família é importante. Por que então não passar mais tempo com ela alguns dias por semana ao invés passar horas indo e voltando do trabalho?

Vejo que estas serão algumas das questões que a crise do Coronavírus vai ‘plantar’ nas cabeças tanto de colaboradores como de gestores de empresas de todos os tamanhos. São posicionamentos capazes de revolucionar as relações de trabalho e também de estudo.

De fato, o mundo não vai ser o mesmo quando o assunto é a necessidade de ter a presença física, seja para trabalhar ou se capacitar.

Você está preparado para os próximos tempos?

*Luiz Alexandre Castanha é especialista em Gestão de Conhecimento e Tecnologias Educacionais

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