Data centers podem consumir 4 vezes mais eletricidade até 2035 impulsionados pela expansão da IA, aponta relatório

Relatório da BloombergNEF aponta que data centers poderão responder por cerca de 20% do consumo de eletricidade dos Estados Unidos em 2035

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Complexo de data center voltado para armazenamento de dados, computação em nuvem e inteligência artificial, equipado com sistemas avançados de resfriamento e geração de energia solar para operações de alta performance.
Imagem: Shutterstock

A rápida expansão da inteligência artificial (IA) deve provocar uma mudança significativa no consumo de energia dos Estados Unidos na próxima década. Segundo um relatório da BloombergNEF (BNEF), divulgado e repercutido pelo TechCrunch, os data centers poderão consumir cerca de 20% de toda a eletricidade do país até 2035, aproximadamente quatro vezes a participação atual.

A projeção representa uma revisão expressiva das estimativas feitas pela consultoria no fim de 2025. O novo estudo prevê que a capacidade energética destinada aos data centers alcance 194 gigawatts em 2035, alta de 83% em relação à previsão anterior. O aumento reflete o crescimento acelerado da fila de projetos voltados à infraestrutura necessária para suportar aplicações de inteligência artificial.

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De acordo com a BloombergNEF, a expansão será impulsionada principalmente pelos investimentos em grandes instalações para treinamento e inferência de modelos de IA. Aproximadamente metade da capacidade elétrica prevista para os próximos anos deverá atender exclusivamente essas cargas computacionais, que exigem consumo muito superior ao dos data centers tradicionais.

Os Estados Unidos devem permanecer como principal polo global dessa infraestrutura. A consultoria estima que, até 2033, o país concentrará cerca de 64% da demanda mundial por chips dedicados à inteligência artificial, medida em capacidade energética instalada.

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Infraestrutura elétrica passa a ser desafio

O crescimento da demanda por energia ocorre em um momento em que operadores do sistema elétrico enfrentam dificuldades para ampliar a capacidade das redes na mesma velocidade dos investimentos em IA.

Segundo a BloombergNEF, mais de 100 gigawatts em novos projetos de data centers entraram na fila de desenvolvimento apenas neste ano. Embora o volume demonstre o forte apetite do mercado, a consultoria ressalta que parte desses empreendimentos poderá enfrentar atrasos devido à disponibilidade limitada de energia, dificuldades para conexão às redes de transmissão, processos de licenciamento e resistência de comunidades locais.

Esse cenário já vem influenciando políticas públicas e decisões regulatórias. Nos Estados Unidos, autoridades federais passaram a acelerar processos para conectar grandes consumidores de energia, como data centers, à rede elétrica. Ao mesmo tempo, estados começam a discutir limites para novos empreendimentos diante das preocupações com capacidade energética, uso de água e impactos ambientais.

O crescimento da infraestrutura também pressiona empresas do setor elétrico a ampliar investimentos em geração, transmissão e distribuição de energia. Em regiões que concentram grandes clusters de data centers, como Virgínia e Texas, a participação dessas instalações no consumo elétrico deverá superar significativamente a média nacional, segundo a BloombergNEF.

Além da disponibilidade de energia, cresce a discussão sobre quais fontes abastecerão essa nova demanda. Empresas de tecnologia têm buscado contratos de longo prazo para aquisição de energia renovável, enquanto parte dos novos projetos considera soluções como geração própria e expansão da capacidade nuclear ou a gás natural para garantir fornecimento contínuo.

Para a BloombergNEF, o ritmo de construção dos data centers dependerá não apenas da demanda por inteligência artificial, mas também da capacidade do setor elétrico de acompanhar essa expansão. Embora o pipeline de projetos continue crescendo, fatores como infraestrutura disponível, custos e aprovações regulatórias deverão definir quantos desses empreendimentos efetivamente entrarão em operação ao longo da próxima década.

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A redação contempla textos de caráter informativo produzidos pela equipe de jornalistas do IT Forum.

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