Os lares-cabanas na Quinta Onda

A grande convergência tecnológica que estamos vivendo (que ainda apelidamos de IA) vai mudar as nossas casas

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Imagem: Unsplash
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A “Cabana Eletrônica” (electronic cottage) foi descrita por Alvin Tofler no seu best-seller A Terceira Onda (1980).

Para quem não lembra, a lógica dele era:

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  • Havíamos vivido a Primeira Onda: Sociedade Agrícola, onde trabalho e vida doméstica era integrada.
  • Vivíamos a Segunda Onda: Industrialização, onde as fábricas e os escritórios separam o trabalho da vida doméstica.
  • Viveríamos a Terceira Onda: Tecnologia da Informação; esta separação anterior começaria a desaparecer.

Segundo ele o trabalho, produção intelectual, consumo e vida familiar voltariam a se concentrar dentro das casas (as cabanas), mas todas integradas por tecnologia.

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Se você teve a chance de viver em 1980, deve concordar que foi ousado ele pensar no que ele pensou. Ao final, muitas coisas que ele imaginou acabaram acontecendo:

  • trabalho remoto (apesar dos traumas recentes)
  • creators economy
  • cursos online
  • streaming diversos
  • telemedicina
  • smartphones
  • 3D printing
  • assistentes inteligentes
  • agentes autônomos
  • . . .

Depois do livro, muitos outros autores, acabaram se arriscando falar sobre uma possível Quarta Onda. Eu, inspirado em vários, e vivendo este turbilhão de IA, fiquei pensando então o que poderá ter na “cabana” da Quinta Onda: as casas da era da IA.

Certamente eu não sei como será. Mas, pensando alto, vou arriscar que as casas poderão ter:

  1. Um micro Data Center: acho que já estamos vendo um pouco disto nas últimas semanas; em várias casas por aí já é possível ver torres de Apple Minis rodando modelos e setups para hosting de Claude Cowork, OpenClaw, e PaperClip.
  2. Uma mega fonte própria de Geração de Energia: acho que a geração terá que ir muito além de painéis solares; além da demanda conhecida de energia para sobrevivência básica da família, a demanda por poder computacional para “tokenizar” a vida será imensa, e não a toa já vemos muitas startups na área de small/micro reatores nucleares (Radiant, Deep Fission, Oklo e NANO/Kronos).
  3. Uma Sala Segura: No estilo de uma sala cofre, além proteger contra radiação; nesta não existirão sensores, emissores agentes eletrônicos e será utilizado pela família para assuntos privados, para manter a sua real privacidade.

Esta última me ocorreu esta semana. Eu estive recentemente na China onde comprei o meu Loona (pet-robô). Ele é muito divertido e está integrado ao ChatGPT. Você pode jogar a bolinha e ele vai buscar, e vi ele de frente para o espelho rosnando com a sua própria imagem (imaginem a cena).

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(Imagem: O Loona da Família Kruel)

Foi então que eu me dei conta que o Loona estava batendo fotos e filmando várias coisas aqui em casa. Então eu pensei, precisamos agora de uma sala privativa, sem o Loona, a Alexa, o Wifi… :)

Estas observações inocentes são na verdade evidências do que descobrimos na StartSe: IA ninguém aprende, apenas nos mantemos aprendendo. Em um cenário de transformação constante, o diferencial está na capacidade de continuar experimentando, se adaptando e ampliando repertórios ao longo da jornada. IA é para polímatas, pessoas com competências diversas (e não só “farinha do mesmo saco”), e muito protagonistas e curiosas, aquelas que fazem acontecer.

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Sobre o Autor

Chief Innovation Officer da StartSe e autor do livro Organizações Infinitas, Cristiano Kruel é um ativo pesquisador e um inquieto curioso na identificação e decodificação de sinais e tendências relacionadas a novas tecnologias, transições e transformações de mercados e novas práticas de gestão e governança. Possui larga experiência na modelagem de startups de alto impacto e de programas e projetos de tecnologia e inovação para corporações estabelecidas.

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