Executivos deixam para trás dúvidas sobre o potencial da inteligência artificial, mas enfrentam desafios em infraestrutura, dados e segurança para esc
A inteligência artificial deixou de ser vista apenas como uma aposta tecnológica e passou a ocupar posição estratégica nas decisões corporativas. É o que revela uma nova pesquisa da Cisco, segundo a qual 65% dos CEOs no mundo afirmam estar preocupados com a possibilidade de suas empresas estarem investindo menos do que deveriam em IA. Na América do Sul, incluindo o Brasil, o índice é de 63%. Os percentuais representam um crescimento de 53% e 52%, respectivamente, em comparação com o ano anterior.
O levantamento mostra que a discussão entre líderes empresariais evoluiu rapidamente. Se antes a principal dúvida era se a inteligência artificial seria capaz de gerar resultados concretos, agora a preocupação está relacionada à velocidade de adoção e ao risco de perder competitividade diante de concorrentes que avançam mais rapidamente.
De acordo com o estudo, 91% dos CEOs globalmente e 93% na América do Sul afirmam estar mais otimistas em relação ao potencial da IA do que estavam há um ano. Além disso, 69% dos executivos no mundo consideram a adoção da tecnologia indispensável para os negócios modernos, percentual que sobe para 73% entre os líderes sul-americanos.
Apesar do avanço acelerado da tecnologia, os CEOs não acreditam em um cenário de substituição completa das pessoas. A implementação de agentes de IA está entre as três principais prioridades para 2026, mas a expectativa predominante é de colaboração entre humanos e sistemas inteligentes.
Segundo o estudo, 72% dos líderes no mundo e 71% na América do Sul acreditam que, até 2030, a IA atuará sob supervisão humana, apoiando decisões e executando tarefas, mas sem autonomia total.
Entre os fatores que justificam essa visão estão a necessidade de garantir a segurança dos sistemas, preservar a produtividade das equipes híbridas e lidar com questões éticas associadas ao uso da inteligência artificial em processos de tomada de decisão.
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O estudo também aponta uma evolução significativa no entendimento da tecnologia por parte da alta liderança. O percentual de CEOs que afirmavam ter dificuldades para compreender a IA caiu de 74% para 53% globalmente em apenas um ano. Na América do Sul, a redução foi de 78% para 56%.
Da mesma forma, o número de executivos que consideravam a falta de conhecimento sobre IA um obstáculo para tomar decisões informadas recuou de 74% para 49% no mundo e de 76% para 46% na América do Sul. Os resultados indicam que a familiaridade com a tecnologia aumentou, embora também tenha crescido a percepção sobre a complexidade envolvida em sua implementação.
Apesar do entusiasmo crescente, a pesquisa mostra que a escalabilidade da inteligência artificial continua limitada por desafios estruturais.
A principal preocupação dos CEOs para 2026 é a modernização da infraestrutura tecnológica. Metade dos executivos sul-americanos e 53% dos líderes globais acreditam que limitações nesse campo podem comprometer a capacidade de crescimento de suas organizações. A preparação da infraestrutura para suportar cargas de trabalho de IA aparece como a principal prioridade dos CEOs para o próximo ano.
A segurança também ganhou relevância à medida que agentes de IA começam a ser incorporados às operações corporativas. Segundo o estudo, a proteção e o controle desses sistemas autônomos estão entre as maiores preocupações dos líderes empresariais.
Outro obstáculo está relacionado à qualidade dos dados. Problemas de acessibilidade, centralização e consistência das informações foram apontados por 34% dos CEOs globais como a principal barreira para o avanço da IA. Na América do Sul, esse índice chega a 25%.
As preocupações dos executivos encontram respaldo em outro levantamento da companhia. Segundo o Índice de Prontidão para IA 2026 da Cisco, apenas 22% das organizações consideram possuir infraestrutura de rede adequada para cargas de trabalho de IA. Além disso, somente 31% se dizem preparadas para proteger e controlar agentes inteligentes, enquanto apenas 19% afirmam ter dados totalmente centralizados e acessíveis para alimentar essas aplicações.
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Redação
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