Tudo novo, mas nada mudou

Um artigo escrito por Eugene P. Lyle Jr., em uma edição de fevereiro de 1905 da publicação World´s Work, fornece uma interessante avaliação da recém-emergente tecnologia sem fio. Essa foi a era do telégrafo sem fio e o impacto de longo prazo na estabelecida tecnologia de conexões terrestres, com mais de 2 bilhões de dólares em infra-estrutura já implementada, foi bastante incerto. “Os cabos são elementos dispendiosos para serem abandonados”, escreve Lyle.
Assim como foi o caso há cem anos, os serviços de dados sem fios estão em um estágio de infância, com inovações históricas ainda por vir. Em 1905, a principal aplicação da tecnologia sem fio envolvia as comunicações de navio para navio e de navio para terra. Por uma taxa de 2 dólares por 10 palavras exclusivamente para chamadas terrestres , era possível se comunicar com alguém em praticamente qualquer navio transatlântico.
Embora esse custo certamente fosse alto, as pessoas preferiam pagar quando era muito grande a necessidade por uma comunicação imediata. Infelizmente, não estavam disponíveis pacotes com preços baixos. E a indústria ainda continua a lidar com as políticas de preços de comunicações sem fios. Os preços altos são necessários para recuperar os custos de implementação de infra-estrutura, porém valores menores são necessários para criar um mercado massivo para os serviços.
Como se pode adivinhar, a população em geral recebia a promessa dessa nova tecnologia, e muitos investidores procurando enriquecer rapidamente consideravam as comunicações sem fio uma boa aposta financeira. Uma vez que muitos deles fizeram fortuna com os telefones, que foram rapidamente adotados para o uso comercial e pessoal, eles sentiram que certamente o mesmo ocorreria com as comunicações sem fio.
Infelizmente, essa foi uma era de visões bastante exageradas sobre o sucesso comercial, e muitos investidores foram vítimas de fraudes envolvendo ações. As proezas da United Wireless Co. foram particularmente notórias. O governo finalmente acabou desativando-a, referindo-se à prática de ações da United como “um dos mais gigantescos esquemas para roubar os investidores que nem sequer haviam estado no país”.
No cenário atual, a indústria de comunicações sem fio se depara com uma deficiência similar, com importantes companhias, como Teligent, Winstar e Metricom deixando muitos investidores em situação difícil. Não estou sugerindo que essas companhias tenham se envolvido em práticas fraudulentas, no entanto, as promoções corporativas e a psicologia de investimentos que direciona as pessoas a apostar seu dinheiro nesta tecnologia “imperdível”, certamente, é a mesma coisa.
Há cem anos, as políticas eram demasiadamente exigentes, mas apesar dos esforços de despolitizar a política das comunicações sem fios por meio de uma elaborada estrutura os compromissos e a realização de acordos continua até os dias atuais. Isso não é necessariamente uma coisa ruim, nem é uma acusação do governo. Em vez disso, é apenas o reconhecimento de que, no século passado, não estávamos em condições de eliminar as políticas regulamentares das comunicações sem fio e suspeito que nunca estaremos preparados. Quanto mais as coisas se modificam, mas elas continuam as mesmas.
