Perdemos a tendência social, diz VP do Google sobre Facebook

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11:30 am - 09 de maio de 2012

Com uma média de 165 novas funcionalidade lançadas em 2011, o Google assume não ter medo de lançar versões betas de produtos e fechar, sem procuração, aquelas que não são bem aceitas pelos consumidores, e credita a esse dinamismo sua receita de sucesso. Mas um timming perdido e que dá um certo trabalho para a empresa em um ambiente de web 3.0 foi o de comunidade. “Realmente acho que há tendências que perdemos, como a social –  essa definitivamente foi uma perda”, disse ao IT Web Amit Singh, vice-presidente da empresa, em visita recente ao Brasil, por conta da edição de São Paulo do Google Atmosphere on Tour.

O executivo, contudo, conta que a empresa aposta na unificação da experiência do usuário entre diversos outros produtos da marca com a sua rede Google+ como diferencial para bater o concorrente Facebook. O executivo considera ainda que a rede social da empresa possui uma experiência de navegação muito mais condizente com as necessidades do internauta – por, em primeiro lugar, ter mais atenção com a privacidade – e que a aparência do Facebook está prestes a mudar, calcada neste conceito do Google+.

Acompanhe a entrevista na sequência, onde o executivo aborda novas oportunidades para desenvolvedores com o Google Play, comenta sobre o sistema operacional móvel que a Mozilla lançará e conta como foi usar os óculos do Google com realidade aumentada.

IT Web – O criador do Google Adsense, Jeffrey Stibel, disse recentemente em entrevista ao IT Web que a última grande inovação do Google foi a página branca com a ferramenta de busca ao centro. O restante seria “cosmética”. Como o senhor avalia esse posicionamento?

Amit Singh – Esta é a opinião dele. Todos têm direito a ter sua própria opinião, mas isso não se refere aos fatos. As pessoas diziam que não havia espaço para outro navegador no mercado. Isso foi há três anos, e olhe aonde o Chrome chegou: ele é número um no Brasil. Olhe o Android: diziam a mesma coisa: não havia espaço para outro sistema operacional móvel, mas houve essa visão de sistema aberto, com baixo custo, que qualquer fabricante poderia usar. E agora, 900 mil smartphones Android são tivados diariamente. Agora olhe para o Google Enterprise [serviço de cloud computing pública para empresas]: ele não existia há quatro anos. Quem diria que levar produtos do consumidor final aos negócios seria importante? Realmente acho que há tendências que perdemos, como a social –  essa definitivamente foi uma perda -, mas trouxemos o Google+, fomos em seis meses para 170 milhões de usuários, isso do nada. Perdemos algumas coisas? Com certeza. Mas o Google é uma empresa inovadora – e isso é um fato.

IT Web –  O senhor disse sobre as iniciativas sociais. A interface de usuário do Google+ foi recentemente alterada, trazendo uma experiência mais condizente com o mundo “touch”. Mesmo assim: como competir com o Facebook, que está quase oito anos à frente do Google+?

Amit Singh – Continuamos a aprender coisas sobre experiência de usuário. Sou usuário tanto do Google+ quanto do Facebook, então darei minha opinião pessoal. Se você for ao Facebook hoje, ele está muito cheio, tem muitas coisas acontecendo. Suspeito que os designers dele estejam repensando em refazer o produto, com conceitos diferentes, como navegação e cuidados com quem você compartilha?

IT Web –  Como os Círculos do Google+?

Amit Singh – ? o conceito dos Círculos está muito próximo do intuito de compartilhar informações com um grupo específico de pessoas. Se eu quero compartilhar apenas com a minha família, eu consigo. Posso deixar isso muito privado. Esse conceito de compartilhamento e privacidade não é exatamente um princípio fundamental no Facebook: você compartilha, todos ficam sabendo e podem, ainda, recompartilhar e saber o que está acontecendo em sua vida. Para mim isso parece um pouco invasivo. O mesmo que desenhamos:  avaliamos muitos designes de interface  de usuário e escolhemos esta porque as pessoas querem as coisas de forma mais simples. A ideia de muitas coisas na página acaba estressando o usuário.

IT Web –   Recentemente, o Facebook passou o Google e se tornou o site mais acessado do Brasil no período do fim de semana. O senhor acredita que esse movimento de sociabilização pode ser um risco para o Google como buscador, especialmente na comunidade brasileira, na qual a empresa prevalece?

Amit Singh – Pessoalmente acho que não.Você ainda precisará usar a ferramenta de buscas para algumas coisas, como encontrar produtos e planejar seu fim de semana. Não acho que uma coisa seja competição da outra. Não estamos vendo redução em buscas na web – por conta da mobilidade, esse tipo de recurso está crescendo dramaticamente.  Acho que há sim uma sobreposição, mas o que estamos tentando fazer é indicar coisas que seus amigos fazem: se você busca por um produto, sabemos que sua namorada recomenda este produto no Google+. Essa conexão é importante para o usuário. Mas não acredito que o sucesso do Facebook depende do declínio das pesquisas do Google. Aliás, temos outras coisas, como o Youtube, Android, você combina tudo isso, virtualmente qualquer usuário consome muitas propriedades do Google.

IT Web –  A Mozilla anunciou recentemente no Brasil um sistema operacional móvel completamente baseado em HTML5. Nas palavras do CEO da empresa, Gary Kovavs, será uma forma completamente nova de interagir com sistemas operacionais e vai ser lançado primeiramente no Brasil, em 2013. O senhor acha que o Google poderia ter feito isso antes deles, especialmente por conta do conceito do Chromebook?

Amit Singh – Acredito que a combinação do Chrome em dispositivos Android permite essa mesma experiência. A combinação permite o link entre desenvolveres web e negócios, também baseado em HTML5. Não sou expert nesta área, mas esta é uma visão do Google: a próxima geração de apps, baseado na web, construídos no HTML5, com o browser sendo a plataforma? nós compartilhamos isso.

IT Web –   Falando em aplicativos, recentemente o Google criou o Google Play, permitindo que desenvolveres de aplicativos tivessem um ambiente para produzir apps multiplataformas, combinando todo tipo de experiência, como jogos, vídeos e livros. O CEO da companhia no Brasil, Fábio Coelho, me disse que desenvolveres ainda não haviam percebido as vantagens dessa nova ferramenta. Eu gostaria que o senhor me dissesse quais são essas vantagens.

Amit Singh – Antes era tudo segmentado: Android Market para apps, Google Music para músicas, etc. Acredito que com o passar do tempo essa diferença vai desvanecer. Será apenas conteúdo. E será, simplesmente, produto para consumidores ou empresas que busquem conteúdo multiplataforma com o Android sendo o sistema operacional que faz a conexão entre diferentes APIs. A visão é dar aos desenvolveres a opção. Temos investimentos muito grandes em livros, continuamos a trazer cada vez mais livros on-line, por exemplo. E o Android é uma plataforma aberta que concede muito mais fee do que a Apple. Sentimos que tudo isso junto dá capacidade cross app. Os desenvolveres podem construir uma nova geração de produtos. Mas eles ainda não perceberam.

IT Web –   E sobre os óculos do Google?

Amit Singh – Ah, eles são muito legais? eu tive a oportunidade de testá-los…

IT Web –  E como o senhor se sentiu?

Amit Singh – Foi uma experiência impressionante. Inicialmente, senti um pouco estranho, mas você nota que a informação é demonstrada não em sua visão direta, mas ao lado, e você pode direcionar os conteúdos com o movimento dos olhos? é mágico. Mas não sei quando será lançado.

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