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88% das operadoras possuem planos para avançar Edge Computing

Empresas mundo afora têm voltado seus investimentos de olho nos avanços e promessas do 5G. Segundo estudo “State of Application Strategy Telecom”, da F5, especialista em segurança corporativa, 88% dos entrevistados já estão implementado ou planejam implementar ao longo de 2022 ambientes de Edge Computing, elemento essencial para que o 5G torne-se real.

O levantamento ouviu líderes de 68 grandes operadoras de Telecom – incluindo quatro executivos de provedoras brasileiras. Segundo o estudo, operadoras globais e empresas com atuação no Brasil têm razões diferentes para avançar para o Edge Computing.

Leia mais: Claro, Embratel e Ericsson firmam colaboração com USP em soluções 5G

Fora do Brasil, os motivos são, em primeiro lugar, aumentar a performance de aplicações (49%), seguido de suportar implementações IoT (46%) e, em terceiro lugar, garantir a coleta e a análise de dados (40%).

“Em nosso país, no entanto, o Edge Computing tem sido visto primeiramente como uma resposta à disseminação de dispositivos IoT. Isso está acontecendo especialmente em serviços públicos (facilities como plantas de energia e água) e em aplicações industriais”, explica Maurício Ribeiro, diretor de vendas para o segmento de Services Providers da F5 Brasil. Em seguida, vem a busca pela melhoria contínua da performance de aplicações e, por fim, a demanda por soluções distribuídas de coleta e análise de dados.

Entretanto, o estudo alerta para o fato de que o Edge Computing está, em alguns casos, se disseminando sem que as questões de segurança digital tenham sido equacionadas.

“Enquanto o core das redes 5G tem sido objeto de cuidadosos estudos sobre como proteger essa infraestrutura, os ambientes distribuídos baseados em Edge Computing ainda correm riscos. Há casos em que são planejados e implementados sem as devidas precauções de segurança”, analisa Irineu Costato, System Engineer da F5 Brasil.

No modelo 5G, a criticidade da borda da rede é tão alta quanto o core. Isso acontece porque as aplicações são processadas de forma distribuída, com instâncias fluindo de forma totalmente automatizada entre a nuvem principal, o Edge Computing e, também, o Fog Computing – a conexão entre os dois ambientes.

Na visão de Costato, o descompasso na disseminação de tecnologias e práticas de segurança ao longo de toda a topologia 5G pode prejudicar as operadoras de Telecom e as empresas e pessoas que dependem desses provedores de serviços.

“O Edge Computing significa uma enorme expansão da superfície de ataque – sem os devidos cuidados com segurança digital, ataques podem ter um impacto direto sobre a QoE (Quality of Experience) oferecida pela operadora, gerando uma instabilidade nos serviços 5G que pode afetar a economia como um todo”, destaca Costato.

Cultura de APIs demanda maturidade

O estudo da F5 revela, ainda, os desafios enfrentados pelas operadoras em relação ao uso e proteção das APIs (Application Programming Interfaces), outro elemento crítico das redes 5G, uma rede totalmente definida por software.

Entre as 68 operadoras pesquisadas, 71% ou já estavam utilizando ou se preparavam para, ao longo de 2022, implementar soluções de proteção das APIs que estão modernizando as aplicações que suportam os processos dessas empresas.

“A cultura de APIs dos Services Providers ainda precisa ganhar maturidade”, observa Ribeiro. “Enquanto o domínio sobre essas linguagens é algo habitual para os desenvolvedores de aplicações, o mesmo não ocorre com os experts em redes”.

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