5G: consumidores e empresas não enxergam potencial além de mais velocidade

A maior parte dos consumidores finais e de empresas do Brasil e da América Latina ainda não enxerga o potencial transformacional do 5G além de trazer melhor conectividade. A informação foi revelada por dois estudos promovidos pela IDC em países da região para mensurar como consumidores finais e empresas estão recebendo a chegada do 5G – e como acreditam que ele impactará seu cotidiano.

A pesquisa foi dividida em duas partes: a B2C: Latam Consumer Future of Connectedness Survey, que entrevistou 3.004 usuários finais de dispositivos móveis na América Latina (Brasil, Colômbia, Peru, México e Argentina), sendo 723 deles no Brasil; e a sua contraparte B2B, que ainda está em andamento, mas já monitorou 192 empresas na América Latina, sendo 51 delas no Brasil. O foco da pesquisa B2B está em empresas com 100 funcionários ou mais de diferentes segmentos da economia.

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Questionadas sobre sua familiaridade com determinados termos tecnológicos relacionados ao 5G, 57% das companhias disseram estar “muito familiarizadas” com latência; 55% com AR/VR; 49% com DSS; e 57% com SASE (Security Access Service Edge). Os índices, no entanto, são menores entre tecnologias que são características específicas do 5G, como latência baixa ultra-confiável (45%); network slicing (45%); e millimeter wave (39%).

Também no fronte B2B, o estudo questionou empresas sobre os principais benefícios da tecnologia 5G para seus negócios. A maioria (54%) das empresas brasileiras, apontaram a melhoria de conectividade como principal valor que será trazido para suas corporações pelo 5G. Os casos de uso mais citados foram o uso do 5G para dispositivos conectados em rede (88% dos participantes) e uso do 5G para conexão entre escritório principal e sucursais (80%).

Na ponta oposta estão casos de uso como para carros conectados (apenas 4%), gerenciamento remoto de pacientes (12%) e gerenciamento de frotas (18%). “É um alerta que a gente faz, se nós não temos tangível na cabeça das empresas aquilo que o 5G é capaz de fazer, teremos uma aquisição se serviços puramente de conectividade, que não são os serviços que trazem o maior valor agregado”, afirmou Luciano Saboia, gerente de telecomunicações da IDC Brasil.

Consumidores finais também esperam mais velocidade

No fronte B2C, a pesquisa da IDC mostrou um resultado semelhante. Dos consumidores finais, 42% dos respondentes brasileiros dizem que o 5G irá “transformar” a forma como usam a internet. Em segundo lugar (40%), está a ideia de que o 5G irá transformar a forma como vemos vídeos. Videogames (36%), a maneira como trabalham (33%) e a maneira como compram online (30%) completam a lista de principais transformações percebidas pelo 5G.

“Destacamos aqui a quantidade de iniciativas e desenvolvimento que o 5G pode trazer, mas que ainda não está tangível ou materializado na cabeça das pessoas”, reforçou Saboia. “Essas formas que as pessoas destacam já existem com tecnologias atuais. Você não precisa do 5G para esses casos de uso”.

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O estudo trouxe ainda o dado de que 22% dos entrevistados brasileiros afirmaram que desejam migrar para o 5G nos próximos 12 meses. O índice é maior do que o geral da América Latina, onde só 16% afirma que “definitivamente irá” adotar a nova tecnologia móvel no período de 12 meses.

A decisão de migrar ou não é influenciada por uma série de fatores, pontuou o IDC. O preço dos aparelhos 5G é o principal deles, mas aspectos como o tempo de uso do aparelho atual e o fato de muitos consumidores ainda estarem pagando seus smartphones, também são latentes.

“Se não houver uma comunicação transformacional, como as operadoras vão rentabilizar os investimentos pesados que estão fazendo e farão ao longo do tempo?”, questionou.

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