Dificilmente um evento de tecnologia da informação atualmente deixa de discutir tendências como consumerização, redes sociais, BYOD (traga seu próprio dispositivo) ou mobilidade. Os assuntos figuram na lista de prioridades dos CIOs ? seja para implantar uma política adequada ou mesmo para bolar um plano e lutar contra a corrente, o que não é nada aconselhado. Mas o foco aqui é BYOD e as dicas passadas pelo CIO e vice-presidente de operações da Citrix, Paul Martine, que falou durante o Citrix Summit 2012, em San Francisco.
Neste caso, o estranho seria se Martine não tivesse uma bem sucedida política de BYOD, no caso dele BYOC, em vez de device, computadores. A Citrix, fabricante para a qual ele trabalha, tem essas tendências como argumento de venda, então, o CIO fez a lição de casa e, ao que parece, tem conseguido bons resultados.
Antes de passar para as cinco dicas de Martine para implantação de um programa de BYOD, é bom atentar-se à estrutura que ele precisa suportar e aí você entende como tecnologias de virtualização e colaboração, por exemplo, são fundamentais a alguns negócios. A Citrix tem 80 escritórios espalhados por 35 países. São mais de sete mil funcionários e 100 aplicativos on premise, como SAP. Eles possuem cinco data centers sendo que, em um deles, já migrou-se de desktop para thin client. ?Dentro da política de BYOC, aceitamos MAC e Windows e temos mais de mil tablets que acessam nossas aplicações internamente?, comenta o executivo.
Por lá, ele ainda entrega 25 aplicações no modelo software como serviço (SaaS), faz uso do ShareFile para compartilhamento e sincronização de dados em diversos devices e coloca como vantagem o fato de a informação estar criptografada durante o trânsito. Martine chama atenção ainda para o fato de que BYOD pode surgir de maneira formal, quando todos os dispositivos são aceitos no ambiente corporativo, ou informal, quando a TI restringe a alguns devices. No caso da Citrix, o programa de traga seu PC (BYOC), iniciado há cerca de três anos, permite ao usuário escolher o laptop e o sistema operacional. ?A experiência será a mesma de um device gerenciado e ele reduz a dependência da TI?, avalia.
Enfim, vamos às dicas:
1 – Faça uma pesquisa
É preciso entender quais os benefícios de um programa como esse. Para isso, você, enquanto TI, precisa conhecer seu usuário; veja o que ele realmente quer. ?Ele não quer o PC da regra e ele realmente acredita que pode ser mais produtivo?, ressalta Martine. A pesquisa pode ser algo simples, com poucas perguntas, como uma sondagem mesmo para entender o ambiente, a satisfação ou insatisfação com as máquinas e o quanto gostariam de trabalhar com equipamento escolhido por eles.
2 ? Defina uma verba
Feita a pesquisa e fechado que a companhia terá um projeto como este, identifique os custos atuais, faça uma revisão e defina uma verba que será dado para que cada funcionário possa fazer sua compra. ?Identifique os custos existentes, defina a redução projetada, ofereça uma recompensa que motive os funcionários, alinhe a duração do programa e defina a política de devolução parcial em caso de desligamento da companhia?, ensina o CIO. Apenas para exemplificar, ele mostrou que se o custo médio for de US$ 2,6 mil dólares para três anos, um valor adequado a ser ofertado é de US$ 2,1 mil.
3 ? Desenhe uma política
Elaborar uma política de BYOC, BYOD ou consumerização é essencial e, neste ponto, é preciso envolver o RG e o departamento jurídico. ?Nossa preocupação foi ter as mesmas regras para todos, BYOC ou devices gerenciados?, comenta. Mas seja qual for sua preocupação, envolva esses dois departamentos nas discussões para que a política não deixe nenhum ponto importante à companhia de fora.
4 ? Pense a segurança
No caso de Martine, ele pensou a segurança a partir dos produtos Citrix também, mas você pode adaptar para sua realidade e para os recursos que você já possui. Ele lembra que do data center até o dispositivo ele garante a segurança a partir do Netscaler Gateway que permite configurar acesso seguro via VPN. Afora isso, o CIO usa toda a tecnologia de virtualização de desktop e o Receiver para que o usuário acesse aplicações no dispositivo. ?Também oferecemos um antivírus para o usuário instalar.?
5 ? Tenha regras simples e claras
?As regras precisam ser simples. Descreva o programa, defina quem pode participar, fale sobre o uso da verba e aproveita para reforçar os requisitos de segurança?, avisa. Mais que oferecer um lugar físico adequado, o CIO diz que políticas como essa permitem que seu funcionário trabalhe de qualquer lugar. Você garante mobilidade e mais produtividade.
*O jornalista viajou à San Francisco a convite da Citrix
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