Uma ideia inovadora é a alma de uma startup, mas sozinha não leva a lugar algum. Foi a partir dessa percepção que a consultoria e software house Espresso Labs foi criada, em março de 2018. Especializada no desenvolvimento de aplicativos, plataformas de e-commerce e outras soluções tecnológicas, a empresa vai além da execução dos projetos e presta consultoria para ajudar empreendedores a definir as estratégias e os objetivos do negócio.
“Nós pensamos todo o processo de desenvolvimento junto com o cliente. É normal que eles cheguem com um rascunho muito cru de suas ideias e fiquem perdidos quando optam por uma software house tradicional, que apenas desenvolve o produto”, diz Eduardo Missaka, fundador e responsável pela estratégia de crescimento da empresa. Ele diz que participar e capacitar os clientes é uma obrigação, a fim de que entendam o mercado.
A própria Espresso Labs surgiu quando o executivo e os outros dois sócios da empresa, Thiago Yukio e Bruno Miyamoto, buscavam uma companhia para viabilizar sua primeira ideia de startup e não encontraram. “Em geral, os profissionais que contatamos eram bons, mas havia muita dificuldade para nos entendermos, não falávamos a mesma língua”, conta Missaka. Com a experiência, eles notaram que havia um nicho a ser explorado e, em menos de um ano, já atenderam 30 projetos, com um portfólio de clientes que inclui desde empreendedores iniciantes até multinacionais.
Para Missaka, quatro cuidados são essenciais na hora de pensar em uma startup.
O ideal é que os sócios tenham aptidões, habilidades e conhecimentos complementares. Além disso, é necessário que haja uma facilidade de relacionamento para evitar problemas no futuro. “Na Espresso, por exemplo, eu sou da área de negócios e meus sócios, da de tecnologia. E nem sempre a melhor decisão do ponto de vista tecnológico é a decisão certa do ponto de vista estratégico, então precisamos equalizar”, explica Missaka.
O fundador da software house ressalta que empreender é não fácil – exige tempo, dinheiro e paciência. Ao contrário do cenário idílico vendido por palestrantes sem muita familiaridade com o cenário real, pessoas dispostas a começar um negócio devem estar cientes que precisarão se esforçar em demasia e, a princípio, sem nenhuma recompensa financeira. Por conta disso, um planejamento para encarar a jornada é necessário.
Na ânsia de entrar do jogo e tornar a startup pública, é comum empreendedores apresentarem um MVP (sigla em inglês para produto mínimo viável) com arestas pouco aparadas. Em outras palavras, um produto mal acabado. Tudo bem disponibilizar uma versão de testes, mas vale lembrar que a primeira impressão é a que fica, então as funcionalidades e recursos devem estar bem desenvolvidos.
Para Missaka, como grande parte dos negócios inovadores envolvem tecnologia, é indispensável para o empreendedor encontrar um sócio ou aliado com grande conhecimento na área. Para além do desenvolvimento no produto, isso ajuda a evitar erros perigosos, como usar bancos de dados desprotegidos no armazenamento de informações sensíveis. “Para muitos de nossos clientes, nós somos essa figura. Quase como uma espécie de CTO (Chief Technology Officer) virtual”, brinca ele.
A Espresso Labs vai fechar o ano com faturamento em torno de R$ 500 mil. Para 2019, a expectativa é quadruplicar o número e chegar a R$ 2 milhões. As ambições, porém, não param por aí. “O ecossistema brasileiro de startups está crescendo muito, já tivemos nossos primeiros unicórnios no país, então o potencial é gigante. Isso vale inclusive para empresas tradicionais, que perceberam a necessidade de inovar para superar a estagnação”, afirma o sócio.
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