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100+ Inovadoras: wiki para estruturar

Enquanto o mercado e o jornalismo debatem sobre a melhor forma de abordar a blogosfera e os recursos wiki, a Ci&T avança rapidamente no uso destas ferramentas como forma de incentivar a colaboração interna e aperfeiçoar a comunicação corporativa. A empresa de tecnologia da informação, que venceu a categoria pequenas e médias empresas (PME) de As 100+ Inovadoras em TI, foi reconhecida por um projeto que incorporou à intranet corporativa os recursos de blog e redes sociais da chamada Web 2.0.

De um canal tradicionalmente unidirecional, acessado pelos funcionários meramente para busca de informações, a intranet tornou-se um ambiente de colaboração e relacionamento, propiciando trocas que melhoram a qualidade e o desempenho profissional. Já são cerca de 70 blogs divididos por diferentes temáticas corporativas que formam a chamada IZ. No campo superior direito da página, o usuário pode conferir os posts mais recentes e mais populares, medição feita pelo número de comentários.

Todo o conteúdo é produzido espontaneamente pelos próprios trabalhadores, com boa dose de descontração: assim encontra-se o blog da unidade norte-americana da empresa chamado de “Born to be Wild” e o “Carioca da Gema”, do Rio de Janeiro. Isso sem contar a categoria de blogs informais, que reúne uma variedade de temas, começando pela happy hour, passando por cultura e cidadania e uma das paixões muito freqüente entre profissionais de TI: games.

O fenômeno dos blogs já ultrapassa as fronteiras da intranet, abrindo-se não apenas ao ecossistema de parceiros e clientes, mas também ao mercado em geral: no site da Ci&T figuram seis blogs de temas diversos, entre eles o “Nossa Gente”, criado em setembro pela área de recursos humanos da empresa em busca de um relacionamento mais informal com a comunidade. “Trata-se de uma questão cultural, então, avançamos em sua utilização ao longo do processo, ainda recente”, conta Flávio Pimentel, diretor de inovação corporativa.

Com o decorrer da implementação dos blogs, o executivo percebeu que, apesar do relacionamento e da colaboração, eles não propiciavam informações estruturadas para o negócio. “Partimos então para o desenvolvimento da WikiZ, baseada no conceito de rede social”, descreve o diretor. É um ambiente também inserido na intranet corporativa, com acesso restrito e organizado por categorias e projetos. Assim, uma rede social de determinado projeto será compartilhada apenas pelos profissionais da Ci&T envolvidos, podendo contar com a participação dos clientes. Recursos de vídeo, imagens e troca de arquivos estão disponíveis para facilitar e impulsionar as necessidades dos usuários.

Inovação versus P&D

Para uma empresa de médio porte, com projeção de faturar R$ 54 milhões em 2008 e 520 colaboradores, a Ci&T trabalha o novo com uma abordagem de grande companhia. A inovação foi estruturada em um programa corporativo com mecanismos para permitir que as idéias e sugestões dos colaboradores sejam refletidas em resultados – buscando principalmente a percepção da empresa como diferenciada em relação aos concorrentes.

O projeto teve início no primeiro trimestre de 2007, quando Flávio Pimentel chegou à companhia. Uma de suas missões foi a de separar a pesquisa e desenvolvimento de inovação, delimitando as diferenças e o alcance de ambos os campos de atuação. Explica-se: os sócios da Ci&T são ex-alunos da Universidade de Campinas e mantiveram relação com a Unicamp, sendo que o primeiro laboratório de inovação em software da universidade hoje integra o Ci&T Labs.

O programa trabalha em seis grandes frentes de ações: painéis físicos espalhados pela empresa para exposição e debates de sugestões; idéias mais estruturadas; incentivo à criação de novos empreendimentos – baseado na boa experiência do spin-off da Digital Assets, em 2006 – ; canais de comunicação, como a própria intranet; fóruns de inovação que reúnem clientes, pesquisadores e profissionais; e o reconhecimento de toda essa ação, por meio de premiações, por exemplo.

“A iniciativa está focada em inovação para todas as partes da empresa, permitindo a integração entre colaboradores, academia e clientes dentro de um mesmo contexto, e buscando diversas formas de gerar resultados concretos”, esclarece Pimentel. Um dos pontos priorizados pela empresa foi manter a espontaneidade dos colaboradores para evitar a burocracia da hierarquização. O que não significa abrir mão de processos e medidas concretas que encaminham a inovação para resultados. “Tudo tem de ser mapeado para os negócios da empresa, seja no estratégico, em oportunidades ou na criação de novos empreendimentos.”

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