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100+ Inovadoras: conectando canteiros

2º lugar na classificação geral: Andrade Gutierrez

Quem esteve no departamento de

tecnologia da Andrade Gutierrez no ano passado e entra nele hoje pode notar a

mudança no clima do local. No espaço reservado à área, no terceiro andar da sede

na zona sul da capital paulista, respira-se muito menos o ar dos bits e bytes e

bem mais o da estratégia de negócios.

Orgulhosa pela conduta de tal

manobra, a gerente de TI, Cibele Tessari, explica que, além do maior

reconhecimento por parte da área de engenharia – que agora procura envolver seu

departamento desde a concepção de uma proposta até a implantação de um canteiro

– mudou também a visão da equipe que trabalha com tecnologia. “A postura não é

só de um técnico, tem de ter jogo de cintura, fazer um plano de ação, abordar as

pessoas corretas. Isso tanto com quem está nas obras quanto para a equipe da

sede”, comenta Cibele.

No momento, a Andrade, segundo lugar

no ranking geral e bicampeã da indústria de construção e material de construção,

executa doze obras na América Latina e também em Portugal e na África. Em cada

uma, trabalha uma pessoa da área de TI, que se somam aos 35 profissionais

internos.

Semanalmente, Cibele visita os

canteiros e, mensalmente, participa de uma reunião geral com superintendentes e

gerentes. Nestes encontros, ela mostra indicadores de disponibilidade de

sistemas, número de chamados de suporte, capacidade dos ambientes, entre outros.

“Hoje, TI está com crédito maior na empresa. A engenharia nos chama mais e somos

recebidos de forma diferente nas obras, porque não vamos bater papo, mas mostrar

como está o ambiente e falar da governança da TI.”

Entre os indicadores que têm

auxiliado nesta mudança estão a entrega mais rápida de projetos e a própria

disponibilidade dos sistemas, que passou de 97% para 99,1%. O próximo passo, de

acordo com Cibele, é colocar no contrato com fornecedores os períodos em que a

indisponibilidade não pode acontecer, como no fechamento do mês. “Isto já ocorre

nos Estados Unidos, mas no Brasil não. Ninguém quer assumir os riscos do

negócio.”

Outro passo almejado por Cibele é a

terceirização de estações de trabalho, agora que ela conta com um inventário

completo dos equipamentos na empresa, realizado durante o processo de

implantação do projeto de service desk – desenvolvido e realizado internamente,

sem gastos extras para a Andrade Gutierrez.

Valorização

Na avaliação de Cibele, a TI vem

ganhando força dentro da empresa, em parte como conseqüência dos resultados

mostrados e também devido à nova divisão da companhia por verticais de negócio.

“Fica mais fácil trabalhar assim. Você negocia hardware e software, padroniza a

utilização dos meios de comunicação e o armazenamento com cada área, pois elas

têm necessidades diferentes”, explica a gerente de TI.

Com a reorganização, entretanto, a

pressão por corte de custos ficou mais forte. Mas o que poderia ser uma barreira

acabou se convertendo em uma arma para a execução de novos projetos. “A redução

só dá para acontecer em telecomunicações, armazenamento e processamento

[servidores e storage] e padronização de máquinas”,

justifica.

Com isso em mente, um novo contrato

de links de telecom foi fechado reduzindo em 30% os custos anuais da companhia e

ampliando a cobertura. “Agora, vamos reestruturar a telefonia fixa, depois a

móvel e avaliar a videoconferência para reduzir custos com viagens.”

Na parte de servidores e storage, a

adoção de processos e de uma ferramenta para gerenciar o que está armazenado e o

backup  têm como objetivo conscientizar os usuários sobre o uso dos recursos e

reduzir a taxa de crescimento do espaço disponível em disco. “A idéia é começar a cobrar

por tudo. As pessoas têm de saber quanto custa para valorizarem.”

Para 2009, figuram na lista de

Cibele a terceirização do ambiente de impressão e a continuidade do projeto de

mobilidade nas obras – que entrou em teste somente agora por conta do processo

de planejamento orçamentário da Andrade Gutierrez.

As mudanças no ambiente de TI

refletirão diretamente na remuneração da equipe de Cibele. A partir do ano que

vem, o bônus da área estará atrelado ao cumprimento dos projetos desenvolvidos,

já que os sistemas estão ligados ao BSC da companhia, permitindo avaliar sua

evolução física (o que foi feito) e financeira (quanto dinheiro foi

gasto).

Com todo o trabalho que tem

desenvolvido de arrumar a casa e mostrar o valor da TI, Cibele tem um objetivo

desenhado. “A meta é virar uma diretoria”, sinaliza. Atualmente, seu

departamento está dentro da recém-criada diretoria geral de gestão (DGG), que

reúne todo o back office da Andrade, exceto suprimentos.

Um ponto forte para que isto

aconteça, na opinião dela, é o fato de no conselho da empresa também sentarem

pessoas ligadas à área de TI e telecom – além do próprio Sérgio Andrade,

presidente da empreiteira. Se tudo correr como planeja, nas próximas edições de

As 100+ Inovadoras em TI ela se inscreverá ocupando um cargo

acima.

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