Estamos na era dos vícios tecnológicos, que transformam o cotidiano há 20 anos e já são até considerados vícios inofensivos. Porém, eles estão ocupando cada vez mais a rotina dos indivíduos, subtraindo horas da rotina e atenção no trabalho.
Há também os vícios tidos como perniciosos (comida, tabaco, álcool e drogas), mostrando que o cérebro seleciona comportamentos que, de forma ou outra, proporcionam prazer e, por isso, tendemos a repeti-los. Assim, vícios passam a ser a expressão de comportamentos, como se as pessoas tivessem nascido com eles.
“A neurociência mostra que a plasticidade cerebral permite mudanças importantes, bem profundas, em nossa forma de ser e agir, abrindo espaço para a substituição de comportamentos viciosos por comportamentos virtuosos”, afirma a neurocientista e palestrante Carla Tieppo.
Segundo ela, é possível fazer uma análise do peso dos ciclos viciosos e dos ciclos virtuosos do cotidiano das pessoas, em especial na rotina de trabalho e ajudá-las a desenvolverem mais controle sobre a dinâmica vícios e virtudes.
Como comportamentos virtuosos, a especialista destaca as atitudes tomadas objetivando ganhos futuros e não somente ganhos imediatos.
“As pessoas podem e devem escolher ciclos virtuosos em oposição a ciclos viciosos para obter resultados como largar o cigarro, emagrecer, cumprir prazos ou até mesmo para serem mais empáticas”, aconselha. “Em nosso cérebro, os mecanismos que favorecem a escolha pelos vícios precisam de uma oposição consciente muito forte para que sejam substituídos por comportamentos virtuosos, mas isso é totalmente possível”, completa Carla.
A neurocientista acrescenta ainda que a melhor forma de lidar com essa dinâmica entre vícios e virtudes é promover o autoconhecimento e aumentar nossa resistência a frustrações, porque só os comportamentos virtuosos permitem obter virtudes. Este processo pode ser bem-sucedido através do conhecimento, da determinação e da adoção de mecanismos que promovem a construção de hábitos saudáveis
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