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Web-Scale IT: será que vamos chegar lá?

O mercado tem falado já algum tempo do conceito de Web-Scale IT, um conceito que prega a adoção de um modelo para estrutura de TI semelhante ao que é usado pelos provedores de soluções em nuvem. Ou seja: a infraestrutura, basicamente, é definida por software, e o hardware pode ser baseado na arquitetura x86, altamente escalável e de simples manutenção. É isso que os gigantes da computação em nuvem, como Google e Facebook fazem. A pergunta é: será que a sua empresa está pronta?

Infelizmente essa resposta está muito mais ligada a uma questão de cultura, do que propriamente de investimentos e tecnologia. Isso porque o gestor brasileiro ainda está muito mais habituado a comprar a solução “dentro da caixa”- arquiteturas abertas ainda são novidade.

O termo Web-Scale IT, cunhado pelo Gartner, descreve a metodologia adotada pelos gigantes da Internet para entregar seus seviços online praticamente sem interrupções – o que permite que essas empresas ganhem tempo e reduzam seus custos de infraestrutura. Esse modelo, aliás, foi descrito como uma tendência que deverá estar presente em ao menos 50% das operações globais, em comparação com menos de 10% das empresas que declararam já ter adotado essa tecnologia em 2013.

Para implementar esse conceito, é preciso adotar uma metodologia aberta no que tange ao hardware, novas arquiteturas de software, agilidade nos processos, uma cultura de colaboração forte e aberta aos riscos. Plataformas abertas com uma visão agnóstica em relação ao hardware e a uma nova visão de software dão liberdade ao gestor de TI, e promovem uma revolução, no sentido de que se aproximam de tecnologias open source, bem diferentes daquelas velhas soluções que todos conhecemos, dentro da caixinha – às vezes embaladas, é fato, com o nome da moda.

Mudança de cultura

O Web-Scale IT não se trata somente de escolher um hardware e um software diferentes, ou com padrão aberto. Diz respeito também aos processos internos da organização – e como TI é visto dentro da empresa. Padrões abertos e tecnologias altamente escaláveis permitem uma liberdade de escolha ímpar – e impulsionam uma cultura muito mais voltada ao DevOps, na qual o desenvolvimento de software caminha lado a lado com a operação de TI. Para o IDC, 80% das empresas 1000 maiores empresas globais terão adotado essa metodologia até 2019.

Tudo isso mostra que qualquer empresa que queira resolver essa equação de escalabilidade a um preço competitivo simplesmente “adotando a nuvem” ou qualquer outra nova tecnologia estará longe de abraçar o conceito como um todo. Combinando essa visão inovadora a tecnologias como SDN e padrões de comunicação abertos, as empresas podem resolver problemas graves de infraestrutura que, sim, aumentam o custo de TI, como a fidelização excessiva a um único fornecedor, shadow IT e uma infraestrutura totalmente segmentada em silos. Esse é um cenário comum entre as empresas brasileiras. O problema é que quase sempre a solução de caixa não é escalável, nem tem baixo custo. Pelo contrário.

O fato é que, quando falamos do cenário brasileiro, o movimento é mais lento – mas isso não significa que não vá acontecer. A escalabilidade massiva, a comoditização do hardware cada vez maior e o enorme aumento da demanda dos últimos anos vai acabar impulsionando a mudança. E isso não vai fazer a diferença somente no custo de TI: tudo isso, cada vez mais, é um fator-chave para a sobrevivência do negócio.

*Rogerio Costa é CEO da Broadtec.

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