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Usuários acusam Google de quebrar privacidade do Safari

Sobrepondo a ironia da briga por privacidade em uma rede social, alguns usuários do navegador Safari, da Apple, localizados no Reino Unido, marcaram o Dia de Privacidade dos Dados ao lançar uma página de Facebook para coordenar ações legais contra o Google. O grupo busca punir o gigante de buscas por desrespeitar controles de privacidade no browser da Apple, tanto em desktop quanto em dispositivos móveis, com o intuito de apresentar conteúdo personalizado.

O escritório de advocacia Olswang é o coordenador das queixas. A primeira reclamante, Judith Vidal-Hall, disse em um comunicado que o “Google afirma não coletar dados pessoais mas não diz quem decide qual informação é considerada pessoal. Se algo é privado ou não deve ser decisão do internauta, e não do Google.”

A evasão de controle de privacidade no Safari foi revelada em fevereiro de 2012, por Jonathan Mayer, estudante de graduação da Universidade de Stanford. A vice-presidente sênior de comunicações do Google, Rachel Whetstone, explicou à época que a companhia havia ultrapassado os controles do Safari “para permitir funcionalidades para usuários cadastrados no Google+  que tivessem optado por ver anúncios e outros conteúdos especiais  – tais como a habilidade de adicionar coisas de seu interesse ao +1”.

O Google explica que isso é uma consequência não esperada do desenvolvimento de uma funcionalidade do Google+ que permite a usuários da rede social ver conteúdo personalizado. Esse processo é feito pelo chamado Cookie Intermediário, que proporciona essas informações customizadas sem quebrar o anonimato.

Por configuração, o navegador da Apple bloqueia cookies terceirizados, que são usados pela rede de anúncios, mas permite exceções em certas circunstâncias. Uma delas é conhecido como o o “Safari One In, All In Rule”, que libera  todos os cookies de um certo domínio se um deles já estiver armazenado no histórico de navegação da companhia. Outro é o “Safari Form Submission Rule”, que dá a permissão caso o usuário submeta um formulário daquele domínio.

O Google usou o “Safari Form Submission Rule” para inserir seu Cookie Intermediário e inadvertidamente abriu as portas do Safari para qualquer cookie que estivesse submetido no “Safari One In, All In Rule”. Como consequência, usuários do Safari começaram a aceitar cookies da rede de anúncio DoubleClick, do Google, apesar de representações contrárias.

Segundo o Google, o problema não gerou qualquer feito prático na vida do usuário, já que o anúncio seria apresentado de qualquer forma.

Dan Tench, sócio da Olswang, rejeitou a explicação do Google em um e-mail. “Nós não sabemos qual a resposta que ele dará sobre as queixas de nossos clientes, uma vez que não recebi nenhuma resposta às nossas cartas”, disse, alegando que a companhia deve mostrar sua posição levando em consideração a legislação do Reino Unido.

Vale lembrar que, em novembro, o Google concordou em pagar US$ 22, 5 milhões para firmar um acordo com a Comissão Federal de Comércio (FTC, da sigla em inglês) por violar um acordo prévio que afetava usuários do navegador Safari.

Saiba mais:

Google em 2013: 11 previsões

Google é antiético e um monopólio predador, diz especialista

Nova Política de Privacidade do Google: 5 pontos a considerar

Nova Política de Privacidade: Google explica 4 erros de interpretação

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