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Uma visão do futuro da TI, segundo o fundador da Microsoft Bill Gates

O fundador e chairman da Microsoft, Bill Gates, apresentou
nesta quinta-feira (13/03) o que considera o futuro da computação. As
previsões, que vão integrar o Whole Earth Catalog de tecnologia, dizem que os
sistemas computacionais do futuro serão mais naturais e capazes de reconhecer
facilmente objetos e pessoas, além de serem completamente customizáveis.

A televisão, por exemplo, será baseada na internet,
completamente diferente, customizável e interativa. Gates apresentou suas
previsões ao Northern Virginia Technology Council, um grupo de empresas cuja
sede fica a poucos metros da Casa Branca.

Um dia antes, quarta-feira (12/02), o fundador da Microsoft
participou de uma reunião com o Comitê de Ciência e Tecnologia do governo
norte-americano, onde falou temas políticos, como educação, fundos para
pesquisa básica, a necessidade de facilitar a entrada de profissionais
estrangeiros nos Estados Unidos e outros programas. Na quinta-feira, ele
retornou para falar de temas mais familiares.

Um destes temas foi a construção de tecnologia baseada no
conceito que ele chama de interface natural do usuário. Gates afirmou que
construir estas interfaces é um dos grandes desafios a ser enfrentado no
futuro, e um dos que vem sendo subestimados. Apesar disso, são estas interfaces
que irão fornecer “novos meios de interação com equipamentos”. Ele afirmou que
estes meios vão além do mouse e do teclado e citou os Tablets PCs, que começam
a se popularizar.

Como exemplo, Gates disse que a escola de sua filha utiliza
Tablets ao invés de livros. Para ele, “estes equipamentos, com funcionalidades
de vídeo e colaboração, são muito superiores aos impressos utilizados hoje”.

As interfaces naturais dos usuários vão incluir softwares de
reconhecimento de voz tão avançados que o conteúdo gravado poderá ser
facilmente pesquisado, e elas contarão também câmeras que darão visão aos
computadores. “No futuro, ao invés de ter um computador sobre sua mesa, o
computador será sua mesa e terá a habilidade de reconhecer o usuário está
fazendo, assim como os objetos e papéis colocados sobre ele”, disse.

Em casa, estas interfaces serão pervasivas e ajudarão o
usuário a organizar viagens, fotos ou qualquer outra coisa. “Isso pode ser
feito sem que o hardware seja significativamente mais caro”, afirmou Gates. Já
os data centers serão automatizados com pouca intervenção humana e o desenvolvimento
de software vai utilizar modelos que envolvem menos códigos, isto porque o
software é muito maior do que a simples descrição do negócio que ele atende.
Para Gates, este é um produto caro e difícil de manter, daí a necessidade de
menos linhas de código.

“Estas grandes mudanças estão chegando porque a indústria
está investindo em pesquisa e desenvolvimento”, afirmou Gates, lembrando que a
área vem se tornando a mais importante de sua companhia. Na reunião estiveram
profissionais profundamente envolvidos com o mercado de governo, onde vendem
serviços baseados em
produtos Microsoft. Foi uma reunião amigável, mas algumas
questões ficaram sem resposta.

Lembrando que a segurança é ponto essencial no
desenvolvimento da tecnologia, Mark Boltz, arquiteto de soluções da Stonesoft,
disse que Gates gastou “dez, talvez vinte segundos falando sobre o tema. Sobre
as novas tecnologias, como a Surface – que usa tablets como meio de interação
com as pessoas – Boltz queria saber como garantir a segurança destes
equipamentos.

Citando um produto doméstico como exemplo – uma foto digital
que pode ser baixada com um programa Trojan – Boltz perguntou como algo
instalado em uma mesa de café interativa pode transmitir um vírus que poderá
scontaminar outros equipamentos inteligentes, como uma geladeira. Gates disse
que a segurança vem sendo prioridade para a Microsoft e vem consumindo
“investimentos fenomenais”, apesar de os problemas continuarem. Ele citou como
exemplo o problema de como determinar que privilégios um pedaço de código
deveria ter quando estiver rodando e disse não haver resposta para isso.

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