As razões da obsolescência
Os sistemas baseados em BIOS, dos quais tanto reclamamos hoje, certamente estão sendo injustiçados. Afinal, é verdade que têm seus inconvenientes, mas não devemos esquecer que quando a técnica foi desenvolvida era o que havia de melhor. Na verdade, era tão boa e de tal forma eficiente que, no mundo da informática, onde a obsolescência ocorre normalmente em cerca de três anos, vem atravessando décadas prestando seus serviços e, evidentemente com algumas modificações, ainda hoje é a responsável pelo gerenciamento da inicialização de todos os computadores com processadores que adotam a arquitetura Intel. E funciona.
Porém, como estes velhos atores em final de carreira, se pretende manter sua dignidade, já está na hora de sair de cena. Vejamos o porquê desta afirmação.
A partida baseada em BIOS foi desenvolvida para dar suporte à inicialização de um computador que usava um processador 8088 da Intel (sim, adivinhou, foi o bom e velho IBM PC, aquele que deu origem à chamada “linha PC” nos idos de agosto de 1981). E, tendo sido criada sob medida para este processador, desfruta de todas as suas vantagens e padece de todas as suas limitações. Como o processador foi lançado no final dos anos setenta do século passado, atualmente está totalmente obsoleto. O que significa que suas vantagens se foram, mas as limitações permaneceram e até hoje afetam os sistemas baseados em BIOS. A maior delas: tendo sido desenvolvidas para um dos primeiros processadores da linha Intel, estas rotinas somente podem funcionar em máquinas que usem processadores que adotam (ou emulam durante a partida) uma arquitetura interna compatível com a daquele velho processador, a chamada “arquitetura Intel x86”. Mas esta não é a única. Há outras igualmente relevantes.
Por exemplo: o i8088 somente era capaz de “enxergar” um espaço de endereçamento de 1 MB (isto mesmo, nenhum IBM PC podia receber mais de 1 MB de memória RAM, mas para ser franco, naquela época não fazia muita diferença pois a máquina vinha de fábrica com 256 KB de RAM e com possibilidade de ampliá-la apenas até 512 KB…). O que obriga, até hoje, a todo micro que usa BIOS, manter o processador no chamado “modo real” ao ser ligado, o que o faz emular um 8088, para que a máquina se comporte como se tivesse apenas 1 MB de memória RAM, espaço no qual carregará as rotinas do procedimento de inicialização.
Outra séria limitação do BIOS, irrelevante na época em que foi criado mas que está prestes a se tornar um problema crítico, é a forma pela qual gerencia memória secundária (unidades externas de armazenamento, como discos rígidos). Para manejar estas unidades, o BIOS consulta o primeiro setor do disco de inicialização, conhecido como MBR (acrônimo de Master Boot Record, ou registro mestre de inicialização) para ser informado sobre a capacidade do disco e, caso ele tenha sido subdividido em partições que se comportam como unidades independentes, sobre o tamanho e localização destas partições. Pois bem: o BIOS só considera válidos os MBR de discos cuja capacidade total seja igual ou inferior a 2,2 TB (241 bytes). E não aceita que sejam subdivididos em mais de quatro partições.
Tudo isto, naturalmente, sem mencionar o problema do tempo de inicialização, abordado na coluna anterior que, embora até venha diminuindo, parece ser cada vez maior quando comparado ao de outros dispositivos que não adotam a partida baseada em BIOS.
Portanto algo tem que ser feito para mudar isto. Está na hora de substituir o BIOS por algo mais rápido, versátil e eficiente.
Na verdade esta preocupação não é nova.
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