Com o advento dos smartphones, a evolução dos tablets e a explosão das aplicações, não é exagero dizer que mobilidade corporativa é uma janela aberta às oportunidades. Atento, o SEBRAE de Minas Gerais encabeça um projeto para criação de um polo de excelência em soluções empresariais móveis. A empreitada avaliou cerca de 160 empresas, das quais escolheu 40 ? basicamente de software, serviços e consultorias ? para servirem como âncora da iniciativa baseada em Uberlândia.
O projeto nasce com o propósito de somar expertises, otimizar processos internos dos participantes e gerar soluções integradas. Cada empresa ingressa com sua especialidade de maneira a fortalecer a interação entre as companhias para criação de ferramentas ligadas à mobilidade mais abrangentes e complementares. Para tanto, o modelo se apoia em ações de apoio à inovação, desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, acesso a informações e tendências tecnológicas e de modelos de negócios, capacitação e busca pelo desenvolvimento de parcerias com os fornecedores.
A ideia é que o número de empresas especializadas em mobilidade em um único ponto atraia a atenção do mercado. ?Se cada um ficar por si, não haverá ganhos de produtividade, especialização e escala?, avalia Carla Batista Ribeiro, que integra o projeto por parte do SEBRAE MG, para completar: ?Com o polo, entendemos que estamos gerando valor agregado. A sinergia que enxergamos é mais de estratégia do que de compartilhamento de espaço?.
Um comunicado dá dimensão das reais ambições da iniciativa: ?Com mais agilidade na incorporação das tecnologias e acompanhamento das tendências do negócio em tempo real, a eficiência sistêmica por aprender e trabalhar em busca de um mercado com mais valores agregados é maior, melhorando assim o desempenho do grupo. A empresa participante aumentará suas oportunidades de negócios e market share, que permitem maior rentabilidade em função da diferenciação e reconhecimento do pólo no desenvolvimento destas soluções inovadoras?.
?A ideia é que o grupo trabalhe de maneira coesa por conta de um objetivo comum?, sintetiza Dagoberto Hajjar, diretor-presidente da Advance Consulting, que ajuda na orientação do processo de criação e implementação do projeto e na coordenação da participação de especialistas em mobilidade no que toca transferência de conhecimento às empresas participantes. ?É um parque estratégico, não um condomínio empresarial?, reforça.
De acordo com a agência de apoio ao empreendedor, a soma do faturamento dos 40 empreendimentos selecionados para essa fase do projeto gera receita anual da ordem de R$ 100 milhões. A expectativa, com o esforço, é dobrar esse número em um intervalo de dois anos. Para gerar leads, o polo de Uberlândia deve inaugurar escritório comercial em São Paulo em breve.
?Atualmente não existe um polo com esse direcionamento no Brasil. Com demanda crescente e latente de mercado, temos perfil para atender?, afirma José Maria Lobato, presidente do Trisoft (Núcleo de Tecnologia do Triângulo), associação que ficará encarregada pela gestão do esforço, sinalizando que o projeto nasce para dar uma especialização para empresas que já existiam e operavam na região. Existindo histórico, o desafio residia em gerar oportunidades e modelos de negócios.
O executivo menciona que dois pilotos com ?grandes empresas da região? encontram-se em andamento. Um dos projetos trata da implantação de software de gestão de venda em tablets que rodam plataforma Android e o outro de uma solução de logística. Ao todo, cinco companhias do polo atuam na iniciativa.
Nova abordagem
Definir a mobilidade corporativa como norte para montagem do cluster tecnológico de Uberlândia serve como uma espécie de piloto para uma nova orientação de outros agrupamentos produtivos que a SEBRAE mantém no estado. A entidade possui esse tipo de iniciativa também em Belo Horizonte e Viçosa.
Há intenção de que o cluster a capital de Minas Gerais monte um polo de provedores de TI especializados em ferramentas de gestão e administração, com olhos também voltados para atender demandas que serão geradas pela Copa do Mundo, que terá BH como uma das sedes. Viçosa, por sua vez, deve abrigar o conceito mais voltado para soluções tecnológicas aplicáveis ao agronegócio.
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