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Uber e Lyft ganham mais por corrida do que o percentual que elas anunciam

O site Jalopnik, focado em notícias sobre o setor automotivo, pediu aos usuários que trabalham como motoristas para Uber e Lyft os extratos que apontam o valor que a empresa “pega” do preço final da corrida. O objetivo do veículo, como explicado nessa reportagem, era entender se o percentual que as empresas afirmam coletar é o mesmo aplicado na vida real.

No total, o site recebeu 14,756 extratos, enviados por e-mail ou por um formulário criado pela própria empresa. Em números gerais, a Uber fica com 35% dos valores gastos por corrida, enquanto a Lyft coleta cerca de 38%, mas existiam situações, como em casos de tarifa dinâmica, que a relação ficava 50/50. Acontece que, mesmo levando em conta a média percentual, ela é 10,6% maior do que a Uber comunica e 8,5% superior do que o anunciado, no caso da Lyft.

Bolso mais vazio

Procuradas, tanto Lyft como Uber afirmaram que a análise feita pelo portal não pode ser encarada como um retrato da realidade dos parceiros porque a amostra é muito pequena, se comparada com as milhões de pessoas que utilizam o aplicativo como fonte principal ou complementar de renda. Apesar do ponto ser bastante válido, como apontado pelo próprio Jalopnik, ele demonstra como os motoristas não possuem muita agência sobre os preços e percentuais cobrados pela corrida.

Dois dos milhares de profissionais que enviaram os extratos ao jornal comentaram que, ao analisar as corridas antigas e comparar com os percentuais distribuídos nos trajetos atuais, perceberam só agora que o percentual por corrida de cada empresa aumentou de 20%, por volta de 2016, para 31% ou até 50% atualmente, dependendo do contexto do trajeto.

Repensando o modelo O2O

O site pontua que, além da diminuição do percentual pago por corrida, os motoristas parceiros necessitam seguir uma série de regras definidas pelas empresas para continuar a receber corridas e que cancelamentos, no geral, acarretam um número menor de pedidos. O que faz com que esses profissionais aceitem trajetos ou passageiros que possam ser prejudicais para a sua renda. Porém, como não conseguem negociar com as empresas e precisam do dinheiro, acabam se submetendo a esse fluxo.

Sandeep Vaheesan, diretor jurídico do Open Markets Institute, uma organização sem fins lucrativos que estuda a concentração corporativa e o poder de monopólio, comentou para o portal que os resultados da pesquisa “apóiam o argumento de que o modelo de negócios [dessas empresas] é construído com base na exploração do trabalho em grande escala”.

“É muito louco como as empresas têm carta branca para nos privar de nossos direitos por meio de contrato. Tribunais e Congresso basicamente aceitaram este regime como normal”, completa.

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