Lançado em 2010, o Uber dominou o mercado de aplicativos de carona paga, gerando, em muitos casos, polêmica em uma sociedade que começava a ver o conceito de economia compartilhada emergir. O já conhecido app quer ir além e ampliar seu alcance ao fazer-se presente em aplicativos de terceiros.
A estratégia, conta Dustin Whittle, developer advocate do Uber, já existe, mas o objetivo é fortalecê-la ao integrar o Uber a outros apps por meio de Interface de Programação de Aplicativos (APIs, na sigla em inglês). O Google Maps, por exemplo, já faz essa conexão, ao permitir que o usuário chame um carro da Uber quando pesquisar por um endereço no próprio.
Outro exemplo é o serviço de músicas on-line Pandora, que funciona diretamente no app do Uber, simplificando o uso e evitando a necessidade de ser instalado mais um aplicativo no smartphone do motorista. Há ainda o Payfare, que mostra a motoristas quanto eles ganharam no dia, quanto gastaram de combustível e a distância percorrida no dia.
“Construímos nossa história por meio de uma plataforma que basta apertar um botão e pegar uma carona. Queremos levar essa experiência para aplicativos de terceiros e parceiros. Queremos ser a rede de logística de transporte do futuro”, contou Whittle ao IT Forum 365 em conversa durante o Apix, evento com foco em APIs, em São Paulo.
Vivendo e aprendendo
Na jornada de construção de uma estratégia de APIs, o executivo conta que o Uber teve alguns aprendizados. Um deles é levar a mesma experiência dos desenvolvedores que trabalham no Uber para os que querem integrar seus apps. Segundo ele, há mais valor trabalhar juntos do que uns contra os outros. Para ele, quanto mais companhias adotarem essa postura, mais inovações serão geradas.
“APIs são fundamentais. A Apple e o Facebook não seriam os mesmos hoje se não tivessem aberto suas APIs”, apontou ele, que diz acreditar que o ecossistema aberto é a melhor maneira de gerar experiências positivas para os clientes.
Ele lembra que quando o Uber lançou sua estratégia de APIs, havia muitas dúvidas sobre se as pessoas entenderiam o caminho que a empresa queria percorrer. “Tínhamos preocupações em abrir nossa plataforma, mas a melhor inovação vem da liberdade. Temos um controle de qualidade, revisamos as aplicações para nos certificarmos de que as pessoas não estão fazendo cosias ruins, mas somos liberais”, garantiu.
Whittle apontou como exemplo o Google e a Apple. “São dois extremos. A Apple é restritiva. Se alguém faz algo que compete com eles, eles se envolvem. O Google, por sua vez, é muito aberto e por vezes eles têm problemas de qualidade com apps. Encontrar o balanço é o segredo”, ensinou, dizendo que o caminho é a experimentação.
“Muitas companhias estão tentando esse caminho, como Netflix e Spotify. Eles soltam uma API porque é uma boa ideia, mas algumas vezes têm de mudar de ideia no percurso. Queremos manter nosso ecossistema aberto, mas queremos alta qualidade. Leva tempo para descobrir o melhor caminho, por isso decidimos dizer mais sim do que não.”
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