Se por um lado, a importância do componente tecnológico tem se comprovado na prática, ainda é possível encontrar dúvidas de como o fator humano deve se relacionar com o avanço da tecnologia sobre o meio empresarial.
É de conhecimento geral a mudança técnica que operações consolidadas sofrem com a automatização, proporcionando ganhos significativos de eficiência e agilidade. No entanto, diante o fenômeno de digitalização e sua abrangência, é imprescindível que o gestor pense em uma cultura interna que não desconsidere o protagonismo dos profissionais.
Para se ter uma boa dimensão sobre o tema, em uma pesquisa recente realizada pela Gartner, evidenciou-se que cerca de 72% dos líderes de dados estão envolvidos em ações que visam a transformação digital. Não há como desconectar essa abordagem analítica sobre as informações disponíveis com o uso de plataformas inovadoras. Nesse sentido, é preponderante compreender a urgência por uma abordagem estratégica em relação aos dados.
Com a tecnologia assumindo etapas operacionais que antes eram conduzidas manualmente, é natural que se possa reformular a função das pessoas de acordo com suas maiores capacitações. Com isso, ao invés de atividades repetitivas e exaustivas, que pouco valorizam o intelecto dos colaboradores, os mesmos serão redirecionados para tarefas de alto teor estratégico, com foco no que realmente importa para a empresa.
Ter inteligência analítica, em resumo, é compreender os métodos mais indicados com base em referenciais extraídos da análise de dados. Isso reflete diretamente no entendimento do gestor sobre a realidade apresentada às equipes de trabalho, e como elas podem potencializar seus resultados com o plano de fundo de processos otimizados.
A tomada de decisão é, talvez, um dos momentos mais complexos na rotina de todo gestor e colaborador. Existem variáveis, circunstâncias e condições que afetam o comportamento e podem prejudicar a visão do profissional sobre o macro da situação em questão, aumentando o risco de ações equivocadas. Além disso, por muito tempo utilizou-se única e exclusivamente a intuição, somada à experiência de carreira, como fatores primários para tomar uma decisão importante.
Partindo do princípio de que esses são valores positivos e que não devem ser descartados, hoje, não é factível embasar iniciativas somente na percepção individual. É justamente dentro dessa mentalidade que a utilização da tecnologia se mostra fundamental. Com a geração de insights assertivos e em tempo real, sobre departamentos diversificados dentro da organização, as pessoas contarão com o respaldo tecnológico para mensurar as consequências de toda e qualquer medida, aumentando as chances de sucesso.
Em situações de crise e instabilidade, especialmente se tomarmos os últimos anos como exemplo, não é fácil construir uma cultura organizacional adaptativa e que preserve um nível de produtividade satisfatório. Claro, não há como negar os efeitos de situações atípicas sobre os profissionais, algo esperado e que pode ser contornado com políticas internas. Mais uma vez, em resposta à adversidade, ter a tecnologia como aliada estratégica pode fazer a diferença para a integridade do negócio, e muito dessa estabilidade passa pela análise de dados.
No fim, a inteligência analítica sobre as informações disponibilizadas internamente representa um futuro inadiável para empresas alinhadas com a transformação digital. Trata-se de um estágio avançado de maturidade tecnológica, que se conduzido com profundidade e consideração à participação humana, poderá trazer oportunidades enriquecedoras para todos os envolvidos no cotidiano operacional.
*Fernando Brolo é sales partner na logithink
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