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TI precisa estar no front, na base e na estratégia do negócio

Entra ano e sai ano, as discussões em torno do papel da TI estão na pauta do dia. E nem estamos falando do futuro do CIO, mas do real papel de um departamento que passou por diversas transformações ao longo das últimas duas décadas e vem experimentando uma mistura de sabores de que vai do doce ao amargo a depender da tendência explorada, do momento do mercado e das entregas concluídas. E o que fazer diante desse desafio? Para o CIO Global da Deloitte, Larry Quinlan, uma boa saída está no diálogo.

“Eu viajei para mais de 100 países e em muitos deles vi que os departamentos de TI são odiados. E sabendo o quão importante tecnologia é, se as pessoas não quiserem dialogar conosco, dificilmente terão todo o potencial que a tecnologia pode entregar”, afirmou, durante apresentação no Interop 2014, em Las Vegas. O executivo tentou levar para a audiência a ideia de se formar uma cultura de TI dentro da corporação, como uma forma de melhorar a imagem do departamento e cumprir com o papel estratégico que lhe é cabido.
Reconhecendo, no entanto, que tal empreitada é um tanto complexa, Quinlan ressaltou que para chegar a esse nível de maturidade, se é que podemos assim chamar, nada pode ser imposto — é preciso elaborar uma estratégia que, de alguma forma, pense o usuário também. Hoje as corporações de maneira geral convivem com diversos fatores que corroboram para esse estado de complexidade atual, entre eles a convivência de diferentes gerações no ambiente de trabalho, globalização, virtualização das coisas e a própria adoção de TI pelos usuários que está em um nível talvez nunca antes visto.
E até em virtude desse cenário, o CIO da Deloitte entende que existe hoje um ambiente muito propício para engajar uma corporação em direção à cultura tecnológica, embora também desafiador. “A TI tem que se posicionar no front, na base e na estratégia de sua corporação e temos a oportunidade de executar essa estratégia”, argumentou o executivo, reforçando a ideia de que o departamento de TI, por ter uma visão geral da empresa e boa capacidade de execução, teria sim habilidade para integrar a estratégia corporativa de maneira mais atuante.
Na Deloitte, explicou Quinlan, foi possível chegar a um estado de cultura tecnológica ao se investir em tendências buscadas pelos usuários. No caso, o exemplo dado foi com mobilidade, algo que as pessoas pediam mudanças, queriam algo mais avançado e simples. “Foi um investimento muito pesado, hoje temos uma loja com 150 aplicativos disponíveis e usados em 103 países. Com a política criada, você escolhe o laptop e a conectividade necessária. Deixamos as pessoas conversarem, discutirem, trocarem ideias sobre o assunto e isso veio de diversas localidades”, relembrou.
Hoje a companhia conta com mais de 150 mil devices liberados e serviços como 4G, hotspots, mobile printing e acesso em qualquer horário e local. Depois de muito trabalho, eles atingiram objetivos como otimização do tempo, de despesas, de telefonia, gestão de espaço, interação social, compartilhamento de arquivo em nuvem e outros pontos demandados. “Foi preciso entender que o mundo mudou e que precisávamos nos adaptar a isso. As pessoas não podem ser comandadas por simples processos de trabalho, tudo precisa ser mais participativo e com um grau de liberdade. No passado, o CIO não pensaria em desenvolver aplicativos para os usuários em geral, mas algo para a empresa como um todo, no máximo CFO, CEO. E isso é uma grande mudança”, compartilhou.

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