TI: o que esperar do primeiro ano do setor na Reforma Trabalhista?

A Reforma Trabalhista, que foi sancionada em julho de 2017 e entrou em vigor em novembro passado, ainda gera muitos pontos de dúvida, além de quesitos que precisarão ser normatizados pelo MTE, STF e demais alçadas que poderão ser necessárias.

O ponto mais importante, no entanto, não é defender ou atacar a Reforma, mas entender a necessidade de modernização da legislação em vigor, especialmente no que tange à Tecnologia da Informação.

A avaliação é do diretor do SEPRORGS, entidade patronal das empresas de informática do Rio Grande do Sul, e diretor da KBase, Michael Tatsch. “Não é possível que um país continental como o nosso tenha uma legislação em vigor há mais de 70 anos. Não é possível que um país que batalha para ser uma nova Índia não tenha uma legislação especifica para o setor de tecnologia”, comenta o gestor.

Segundo Tatsch, outros setores também demandam a modernização das leis trabalhistas, mas, no caso da TI, há muito em jogo. O executivo, que começou a desenvolver software em casa quando tinha 12 anos de idade, teve sua primeira oportunidade de estágio aos 17, ingressou na maior empresa de ERP do país aos 18 e, aos 26, já era sócio de uma empresa, à frente de uma equipe de 10 pessoas, ressalta: ser empresário de TIC no Brasil é para os fortes.

Segundo ele, é complicado equilibrar os pratos da gestão da empresa, entrega de projetos, atendimento ao cliente e às demandas pessoais, corporativas e legislativas dos funcionários.

“Quando se torna empresário, do dia para a noite você tem de parar de pensar em apenas entregar os projetos para refletir também sobre como motivar as pessoas, mas: como fazer isso em meio a uma legislação que proíbe a flexibilização de horários, férias, home office etc?”, questiona.

Tatsch destaca que empresas que pretendam galgar a competitividade e manter um bom ambiente de trabalho precisam pensar em como manter suas equipes dispostas a encarar os desafios, motivadas a atender às demandas de um mercado em constante mutação e construir um plano de carreira.

“Mas o mundo em qual estou inserido não gosta de organograma, cansou de ser mono-tarefa e tem pessoas que se intitulam fullstack. Porém, quando chegamos ao momento de registrar as informações na carteira de trabalho, nos deparamos com uma realidade de CBOs que não condizem com o ano em que vivemos. Somos obrigados a criar “de – para” e rezar para os egrégios tribunais, quando forem acionados, entenderem esta necessidade”, desabafa o diretor.

Para o gestor, em parte, a Reforma Trabalhista representou uma evolução no âmbito legislativo das relações empregatícias brasileiras. Entretanto, ainda serão necessários novos passos, o que nõa será tarefa fácil para nenhum setor da sociedade.

“Aos poucos temos visto alguns reflexos e ainda estamos em um período que, no mundo do software, chamamos de estabilização da versão. As discussões serão necessárias, mas precisam ser sadias. Ninguém é obrigado a concordar com tudo, mas é preciso ouvir e ter posições”, avalia. “Não devemos esquecer que 2018 é o primeiro ano de nossas vidas na nova legislação, e que as incertezas, com o tempo, serão amenizadas”, completa.

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