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‘Temos que aproveitar a crise e fazer uma limonada’, diz presidente da TIM

O presidente da TIM Brasil, Mario Cesar Pereira de Araújo, defendeu nesta quarta-feira (30/10), na Futurecom, que o setor de telecomunicações deve aproveitar a crise financeira para discutir mudanças regulatórias e mercadológicas que beneficiem toda a cadeia de valor. “Temos que aproveitar a crise e fazer uma limonada”, afirmou.

De acordo com Araújo, alguns dos principais aspectos que devem ser debatidos são formas de aumentar a rentabilidade do setor, considerada fundamental pelo presidente da TIM para dar suporte aos investimentos necessários para sustentar o crescimento de voz e dados.

“Depois de 10 anos, o retorno sobre o investimento ainda não veio”, lamenta o executivo da TIM, que manterá o nível de investimentos para 2009, bem como Oi, Vivo e Claro.

Segundo Araújo, a margem EBTIDA no Brasil é de 24% no setor móvel e o retorno sobre o investimento (ROI) é de -3%. Na telefonia fixa, a margem EBTIDA é de 36% e o ROI é de 1%. Por outro lado, o setor tem forte poder para atrair recursos, destacou.

O presidente da TIM apresentou números que indicam que, nos últimos sete anos, a telefonia móvel recebeu investimentos na casa de 54 bilhões de reais. A fixa somou recursos da ordem de 48 bilhões de reais no mesmo período.

A previsão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), segundo o executivo, é que nos próximos sete anos a telefonia móvel receba aoutros 60 bilhões de reais e a fixa mais 55 bilhões.

“A penetração de telefonia móvel em 2014 deve chegar a 105% e o número de usuários de banda larga móvel totalize 55 milhões em sete anos”, acrescenta, citando previsões do órgão regulador.

Além de aumentar a rentabilidade das empresas, Araújo diz que é preciso promover uma forte mudança tributária que beneficie o setor de telecomunicações. “Juntas, as operadoras tiveram lucro de 1,4 bilhão de reais e pagaram 15,5 billhões em impostos. Alguma coisa está errada”, criticou.

Além de questões fiscais e mercadológicas, o presidente da TIM ressaltou a necessidade de rever aspectos regulatórios, como a revisão do plano de freqüências – para aumentar o espectro para serviços móveis – e desagregação de redes (unbundling).

“É preciso ter leilões, não tem jeito. É mais investimento, mas sem o ar que respiro, não vivo, mas esses leilões têm que ser alinhados com padrões internacionais”, ponderou Araújo, referindo-se à faixa de freqüência de 600MHz a 800MHz, que atualmente é usada pela TV aberta e que só será liberada em 2016, quando se encerram as transmissões do sinal analógico.

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