Tecnologia ultrapassada coloca economia nacional em risco

A transformação digital vem sendo avaliada por heads de TI nas empresas e raramente os estudos dão voz a quem se utiliza da tecnologia para desempenhar bem suas funções: os colaboradores. Esse é o diferencial do levantamento divulgado pela Unisys sobre os impactos da transformação digital no ambiente de trabalho, realizado em 12 países, incluindo o Brasil. E pode servir de termômetro para os CIOs revisitarem suas estratégias.

De acordo com a pesquisa New Digital Workplace Divide – Transformação Digital no Ambiente de Trabalho, que acaba de sair do forno, a grande maioria dos participantes (96%) de empresas líderes na adoção de tecnologias sentem-se motivados e orgulhosos dos recursos (49%). Por outro lado, 65% dos colaboradores de empresas defasadas no uso de recursos tecnológicos demonstram-se inteiramente desmotivados, frustrados (44%) e até pensam em mudar de emprego (13%).

Um dos alertas do estudo, em razão dos resultados, é que se as organizações não estimularem os profissionais digitais, acostumados a terem na palma da mão, recursos de última geração, de smartphones, tablets e notebooks, correm o risco de perder seus talentos.  Prova disso é que menos da metade dos respondentes consideram seus empregadores como líderes tecnológicos.

Segundo Eduardo Almeida, vice-presidente e gerente geral da Unisys para América Latina, os profissionais estão à procura de soluções ágeis e modernas para poder trabalhar em qualquer local e quando estão em transito. “O custo de não atender a essa demanda tem consequências reais para os negócios e o atraso na curva tecnológica coloca não somente as empresas em risco como a própria economia do País”, afirma.

Almeida reitera a importância da abordagem do estudo em avaliações dos colaboradores, pois proporciona um diagnóstico que pode justificar problemas relacionados à retenção de talentos, desenvolvimento da empresa, produtividade e satisfação no ambiente de trabalho.

A empresa global de TI Unisys tem em seu ranking mundial a unidade brasileira ocupando o terceiro lugar, atrás apenas dos EUA e Reino Unido. Na América Latina, que soma mais de 2,5 mil colaboradores, o mercado nacional responde por mais da metade dos negócios.

Brasil no estudo

Por aqui, a frustração também impera em funcionários digitais de empresas tecnologicamente defasadas, as chamadas slow techs. Mais da metade (52%) deles mostraram-se frustrados com seus empregadores. Enquanto que os que trabalham em companhias líderes no uso de tecnologias (high techs) a frustração atinge apenas 3%, revelando uma diferença significativa de mais de 1.600%.

Na análise dos dados, o nível de frustração está diretamente relacionado à ameaça de perda de talentos: funcionários de empresas defasadas tecnologicamente (13%) são mais propensos a deixar seus postos e ir trabalhar em outro lugar quando comparados a seus pares em organizações líderes em tecnologia (apenas um entre 376 entrevistados). Isso é particularmente preocupante, segundo a Unisys, considerando que as organizações líderes representaram apenas 37% de todos os funcionários pesquisados no Brasil.

Outro dado relevante nesse quadro é que os equipamentos são a maior fonte de problemas para os funcionários de organizações slow tech, com 43% deles reclamando que são impedidos de serem mais produtivos por conta de dispositivos obsoletos, ou 169% mais propensos a se sentirem assim do que os que trabalham em organizações high tech (16%).

Para Fabio Abatepaulo, diretor de Transformação Digital da Unisys América Latina, o estudo revela um novo paradigma no ambiente de trabalho digital no Brasil. “Essa frustração apresentada é real e tem um impacto emocional tangível. Porém, quando se busca a verdadeira razão, isso tem a ver com acesso. Os funcionários querem realizar suas tarefas de qualquer lugar e de maneira simples, sem ter de enfrentar obstáculos. Além de equipamentos com aplicações adequadas e ferramentas de produtividade e colaboração corretas é extremamente importante para garantir o acesso e o relacionamento entre as pessoas”, explica.

A ebulição da disrupção

Segundo a pesquisa, quase metade (47%) dos entrevistados vê a inteligência artificial (IA) como a tecnologia emergente com maior potencial para transformar o ambiente de trabalho nos próximos cinco anos, uma parcela significativamente superior à média global (36%). No entanto, enquanto a maioria dos entrevistados citou familiaridade com IA, apenas 22% afirmaram compreender bem a tecnologia.

Contudo, a falta de compreensão sobre a tecnologia influencia fortemente a crença das pessoas em relação ao impacto de tecnologias emergentes no ambiente de trabalho. O estudo descobriu que 58% dos funcionários em organizações líderes creem que a tecnologia e a automação podem tornar seus trabalhos obsoletos em cinco anos.

Outra curiosidade vem do resultado em que 57% dos colaboradores no Brasil usam seu próprio smartphone no trabalho, em comparação a 45% registrados no mundo. Além disso 30% usam por aqui seu próprio laptop nas empresas, enquanto 22% o fazem globalmente.

Esses dados levam a variadas interpretações. É possível que as empresas, diante do tsunami da transformação digital, que transformou de maneira irreversível os usuários, acostumados com alta tecnologia em suas vidas pessoais, tornaram suas políticas de segurança mais flexíveis, permitindo a prática de BYOD, ou essas regras podem estar sendo burladas.

O importante é que a segurança de dados estratégicos, nesse desenho, deve ser cuidada com mais atenção pelas corporações, de acordo com o estudo.

Nos resultados, quase três em cada quatro colaboradores (70%) contornam os protocolos de segurança, compartilhando contas e senhas, sendo 15% mais propensos a esse tipo de atitude do que a média global dos respondentes. Alerta vermelho!

Abatepaulo entende que as organizações que modernizarem suas tecnologias e seus processos de negócio da maneira certa estarão mais bem posicionadas para liderar. Junto com treinamento adequado, ele diz, as ferramentas de automação e inteligência vão ajudar a capacitar os profissionais, libertando-os de tarefas entediantes para que possam podem gerar resultados melhores.

“Acreditamos que a IA vai melhorar o modo como os profissionais trabalham, não substituí-los”, finaliza.

Recent Posts

Cohesity obtém patente para aplicar IA diretamente em dados de backup corporativos

A Cohesity anunciou a concessão da Patente Nº 12.619.501 pelo Escritório de Patentes e Marcas…

12 horas ago

Para Diogo Cortiz, maior desafio da IA é a falta de capacidade crítica para questionar suas respostas

Diogo Cortiz, professor da PUC-SP e doutor em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, tem…

14 horas ago

Agentes de IA vão dar “superpoderes” a profissionais de TI, diz DJ Sampath, da Cisco

DJ Sampath chegou aos Estados Unidos há 30 anos com oito dólares no bolso e…

14 horas ago

Chatbots de bancos e fintechs não entendem as emoções dos clientes, aponta estudo

A evolução da inteligência artificial nos serviços financeiros ainda esbarra em desafios relacionados à experiência…

14 horas ago

Motorola Solutions compra D-Fend por US$ 1,5 bilhão

A Motorola Solutions anunciou a assinatura de um acordo definitivo para adquirir a D-Fend Solutions,…

15 horas ago

Meta amplia controle para adolescentes

Nesta terça-feira (2), a Meta anunciou a expansão global de configurações de conteúdo para contas…

18 horas ago