Tecnologia é peça-chave para atrair talentos para indústria de óleo e gás

A tecnologia e a inovação são dois grandes aliados atuais da indústria de óleo e gás. Essa é uma das mensagens que o evento Rio Oil & Gas, que começou nessa segunda (26) e vai até quinta (29) na capital fluminense.

Em entrevista ao IT Forum, Melissa Fernandez, gerente de tecnologia e inovação do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), – organizador o evento – explica que a tecnologia é essencial no processo de transição para a descarbonização da indústria, além de ser uma aposta para a atração e retenção de jovens.

“Queremos mostrar que essa indústria tem tecnologia e inovação e os jovens ajudarão muito nesse contexto. Assim como todo o mercado, há um gap de profissionais pois são desafios semelhantes. Inteligência Artificial, analytics e big data, por exemplo, são desafios comuns”, diz ela.

Em uma das palestras do primeiro dia de evento, “Oportunidades e desafios: a tecnologia como chave para transição energética”, Augusto Carvalho, diretor de contas e sustentabilidade na Schlumberger Brasil, falou sobre a importância de novas tecnologias acontecer pela necessidade de evolução de processos para implementação de novos recursos.

“A gente percebe a falta de agilidade, flexibilidade, da necessidade da criação de mecanismos em certas aplicações da indústria e são necessários incentivos de maneira equitativa para os dois lados da mesa: o usuário e o desenvolvedor”, comentou.

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O congresso também contará com painéis sobre, por exemplo, metaverso. De acordo com a Melissa, a indústria mapeia todas as tecnologias para entender o que é aplicável. “Hoje estamos tentando entender qual o papel do metaverso. A própria Inteligência Artificial, no início da década de 90, não entendíamos a aplicabilidade. O metaverso é algo novo e estamos tentando entendê-lo, por exemplo, para treinamentos ou operações remotas.”

Por outro lado, IA e dados já são uma realidade. “Essa é uma indústria que gera muitos dados. Ao fazer a exploração de um poço, a quantidade de informação que tem ali é gigantesca. A tecnologia está ajudando a traduzir essas informações para transformar em informações relevantes. A IA surge de diferentes formas, como treinar um equipamento para fazer uma operação remota ou para identificar um possível problema”, exemplifica Melissa.

Para fomentar a inovação, o Brasil possui uma regra regulatória em que as indústrias devem investir 1% de sua receita bruta em inovação e tecnologia. De acordo com a especialista, essa é uma obrigação que todo contrato de concessão ou partilha ou cessão onerosa que as empresas petrolíferas têm, precisam cumprir. Parte desse investimento é para universidades, para startups, centros de tecnologias. Em 2021, foram cerca de R$ 3 bilhões arrecadados e a expectativa para esse ano é superar esse valor.

Entretanto, é importante o investimento em projetos conceituais. Milad Shadmand, professor visitante do Programa de Engenharia Oceânica da COPPE/Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no painel de Transformação Digital, citou a importância de ter protótipos instalados em ambiente relevante funcionando.

“É preciso ter investimento nos laboratórios a céu aberto para colocar a tecnologia e monitorar por um ano, identificar os gargalos e tentar aprimorá-la para poder comercializar. Não adianta investir em um protótipo e depois largar o projeto – o que a gente vê muito, infelizmente”, alertou.

Elbia Gannoum, CEO da ABEEólica, complementou ao falar sobre a importância de diversificar a matriz energética do mundo. “Quando falamos de diversificação de recursos, é importante olhar para as novas tecnologias, ainda que naquele momento ela não seja economicamente viável.”

eo e gás

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