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Tablets, Facebook, iOS, Android. As apostas da RIM, fabricante do BlackBerry

Um aplicativo para acessar o Facebook por meio do PlayBook. Aplicação para bater papo em vídeo no mesmo tablet. A busca pela utilização de multiplataformas móveis. Em resumo, as três frases acima dão uma dimensão do que se passa ? neste momento ? pela cabeça da Research In Motion (RIM).

Em coletiva de imprensa que antecede a abertura oficial de seu evento global, o BlackBerry World 2011, esses pontos foram não só tocados como ganharam destaque num indício do que pode dar a tônica dos próximos três dias de reuniões em um centro de convenções de um hotel de Orlando, Flórida (EUA).

Vamos por partes. A companhia revelou planos para que seu BlackBerry Enterprise Solution suporte e trabalhe com conceito de gestão multiplataforma. A estratégia mira aparelhos ? tanto smartphones quanto tablets ? que rodem sistemas operacionais iOS (da Apple) e Android (do Google). A novidade estará disponível até o final de 2011.

Há, ainda,  um aplicativo que conecta o PlayBook com o Facebook. Além disso, o tablet também ganhará uma aplicação de vídeo chat através de conexão de internet, mostrando suas características multimídia e apostando na aderência do produto frente a um mercado com concorrentes de peso.

Coqueluche
A mensagem de Alan Panezic, vice-presidente de software da RIM, coloca os tablets em uma posição intermediária entre laptops e smartphones. ?As pessoas gostam da portabilidade, conectividade, simplicidade do celular. Por outro lado, notebooks são mais lentos, nem sempre conectados e complexos?, comenta, para, então, indagar: ?mas o que os consumidores enxergam desses dispositivos??

?Quando começamos, não havia necessidade de um smartphone ser legal. Isso mudou nos últimos três anos?, diz o executivo da fabricante, numa autoanálise. De fato, o tempo e as mudanças sociais e tecnológicas estabeleram pontes e borraram fronteiras entre o que é de uso corporativo e o que é pessoal no que toca TI.

Panezic comenta que tem conversado com muitos CIOs nos últimos meses e cita uma pesquisa que mostra as já sabidas preocupações dos gestores com o fenômeno da consumerização. Pontos como segurança (de dados, de redes e de usuários) e gestão (como entregar esses dispositivo, ajustar a arquitetura e obter retorno sobre investimento) figuram entre os dilemas corriqueiros.

Contudo, ele acrescenta que a questão da reengenharia tecnológica como possibilidade de a área de tecnologia redefinir atuação, entregar novos modos de negócio e criar novos paradigmas. ?Essa é uma oportunidade de revisitar a estrutura de tecnologia utilizada até então?, diz, para disparar perguntas como: por que pensar em integrar um telefone de mesa com a internet?

Os tablets, inegavelmente, trazem uma experiência multimídia integrada a partir da capacidade de conteúdos tanto estáticos, mas, e principalmente, dinâmicos. Soma-se a isso o poder de mobilidade quem vem embutida nesses aparelhos. Que eles vieram para chacoalhar um pouco o mundo de TI, ninguém duvida.

Para se ter uma ideia, segue uma experiência compartilhada por colegas aqui no BlackBerry World 2011. Não há disponibilidade de iPads nas lojas Apple em Orlando. O vendedor de uma delas recomenda os consumidores interessados a façam fila no começo da manhã, quando os estoques são reabastecidos.

Agora, voltando um pouco o foco, talvez, a pergunta mais adequada neste momento é: depois dessa onda toda ? com praticamente todos fabricantes de hardware já terem anunciado e disponibilizado seus dispositivos no mercado ? ainda há espaço para PlayBook da RIM?

Panezic se mostra otimista. ?Temos conversado com CIOs. Eles vem fazendo testes para ver a tendência e aderência da plataforma e aplicações?, relata. O vice-presidente crê que as corporações adotarão algo no qual realmente confiam. Se for realmente assim que as coisas ocorrerão e a RIM mantiver seu DNA corporativo talvez dê certo. Contudo, é sempre bom manter um olho no que ocorre pelo lado inexato da consumerização.

O jornalista viajou aos Estados Unidos a convite da RIM.

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