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Supercomputador de 16 teraflops acelera pesquisas geológicas

Um supercomputador instalado na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) promete revolucionar as pesquisas geológicas e oceanográficas no Brasil. Batizada de Netuno, a máquina tem a capacidade computacional de 16,2 teraflops, ou mais de 16 trilhões de operações matemáticas por segundo.

O Netuno está instalado em dez gabinetes com 2,2 metros de altura cada. O projeto, que contou com a implementação da integradora Cimcorp, consumiu investimento de 5,8 milhões de reais, patrocinados pela Petrobras. Cerca de 25 pessoas participaram da criação do Netuno, 20 delas no processo de planejamento, que durou 8 meses, e o restante na montagem do gigante.

Comparativamente, o poder de processamento do Netuno é de 256 servidores. A expectativa, de acordo com Antonio Fonte, vice-presidente de vendas da Cimcorp, é que o supercomputador se posicione entre os 100 maiores do mundo.

A máquina será usada, primariamente, para cálculos que possibilitam o mapeamento do solo e a previsão de movimentação dos oceanos. Segundo Ricardo Bragança, geofísico do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes), a principal função do Netuno é criar softwares para pesquisas científicas.

Bragança explica que a capacidade de processamento do supercomputador vai permitir o desenvolvimento de sistemas muito mais completos de geofísica. “O Netuno não será usado no dia-a-dia dos pesquisadores. É uma máquina voltada para o desenvolvimento de softwares. Testar sistemas de geofísica e oceanografia demanda supercomputadores com essa capacidade”, explica o geofísico.

O pesquisador da UFRJ, Sérgio Guedes, coordenador do projeto, dá uma idéia do quanto a máquina é poderosa. “Para fazer uma simulação das movimentações do Oceano Atlântico nos próximos 20 anos sem o Netuno gastaríamos uns dois anos. Com ele é possível realizar a mesma tarefa em 20 dias”, afirma Guedes.

Investimentos
A participação da Petrobras no projeto se dá a partir das Redes Temáticas de Geofísica Aplicada e de Oceanografia que a empresa mantém em parceria com 16 instituições de pesquisas.

De acordo com a Lei do Petróleo — Lei 9.478, de 1997 —, as jazidas que produzem sozinhas mais de 1 bilhão de barris de petróleo devem ter 1% da receita bruta gerada aplicada em pesquisas. No caso da Petrobras, isso representa cerca de 500 milhões de reais.

Bragança explica que metade desse montante tem de ir, necessariamente, para instituições de pesquisa e a outra metade pode ser gasta internamente. A criação das redes temáticas foi a solução encontrada pela empresa para distribuir melhor os recursos entre as diversas instituições do País.

Ao todo, são 38 redes temáticas. No caso do Netuno, participam a rede de geofísica, responsável por 4,7 milhões de reais de investimento, e a de oceanografia, que entrou com os 800 mil reais restantes.

O Netuno está funcionando na UFRJ, mas poderá ser utilizado por qualquer outra universidade, sempre para fins de pesquisas. Os cálculos realizados pelo supercomputador vão ajudar diversos segmentos, principalmente os que dependem de recursos naturais e têm suas atividades impactadas por mudanças climáticas ou de ambiente.

Também nesta semana, um supercomputador que custou 48 milhões de reais foi adquirido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia, pelo Instituto de Pesquisas Espaciais e pela Fundação de Amparo a Pesquisa de São Paulo, para ser usado em pesquisas climáticas.

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