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Steve Jobs e Tim Cook: a real sucessão começa agora

Desde que assumiu o comando da Apple, em agosto do ano passado, Tim Cook vem passando por várias provas de fogo, até agora, de forma bem-sucedida. Desde a morte de Steve Jobs, em 5 de outubro do ano passado, as ações da companhia tiveram valorização de mais de 75%.

Relembre especial de cobertura sobre a morte de Steve Jobs

As pré-vendas do iPhone 5 superaram dois milhões de unidades em um único dia, mais que o dobro de seu antecessor (4S). Estes indícios mostram, então, que Cook conseguiu driblar o desafio de superar a ausência do fundador da Apple e manter o interesse na marca? Não necessariamente.

Jobs morreu há um ano, mas é daqui para frente que Cook terá que mostrar a que veio. O iPhone 5 foi o último produto que ainda teve alguma participação de Jobs, mesmo que bem antes de seu lançamento. Jobs era a força de inovação criativa por trás da Apple, enquanto Cook nunca teve seu nome ligado à nenhuma grande criação tecnológica. Agora, o atual CEO terá que mostrar sua capacidade de desenvolver novos e revolucionários objetos de desejo como o iPod e o iPad. E a pressão por novidades será cada vez maior.

Além dos fãs da marca, Cook tem que agradar, também, investidores ávidos por conseguir acreditar que Jobs ainda está “vivo” na Apple. Neste cenário, os próximos anos serão decisivos para se saber se Jobs conseguiu criar uma organização autossuficiente ou se a sobrevivência da Apple estava diretamente ligada à figura do fundador.

O livro “Nos Bastidores da Apple”, de Adam Lashinsky, que traz informações sobre a transição da era Jobs para Cook, mostra que o último conselho que Jobs deixou a seus executivos, inclusive a Cook, foi: “Nunca pergunte o que fazer, apenas faça o que é certo”.

A frase revela o estilo que Jobs quis deixar impresso na empresa após a sua morte. Na visão de Jobs, para criar um novo produto não basta ouvir o que o consumidor quer, mas é necessário surpreendê-lo.

“Muitas vezes, as pessoas não sabem o que elas querem até que você mostre a elas”, disse ele, em 1998, em entrevista à BusinessWeek. Resta saber se Cook terá o mesmo feeling de Jobs para surpreender os consumidores daqui para a frente.

Mito

“Só o mito Steve Jobs não é capaz de sustentar a marca”, avalia José Roberto Martins, presidente da GlobalBrands, consultoria de marca. Para ele, se a empresa não continuar inovando e se reciclando, vai perder mercado como aconteceu com companhias como a Palm, que saiu na frente com os “computadores de mão” mas não avançou tecnologicamente e surpreendendo os consumidores.

“Com um mito por trás a marca ainda se sustenta por mais tempo, mas mesmo assim precisa inovar”, afirma Martins. A preocupação é que a empresa passe de inovadora para uma seguidora do mercado. É preciso esperar pelos próximos passos.

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