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Startups têm lições para grandes empresas: são mais rápidas e cocriativas

O conceito de Sociedade 5.0, apresentado na cerimônia de abertura do IT Forum+ por Yoko Ishikura, professora emérita da Universidade Hitotsubashi (Tóquio) e especialista no assunto, vem sendo debatido com foco no ‘Eu 5.0’.

O IT Forum+, que acontece na Praia do Forte (BA) entre os dias 14 a 18 de agosto, trouxe a um dos palcos o seguinte debate: como e por que estabelecer parcerias de sucesso com startups? Afinal de contas, o que exatamente grandes empresas têm a aprender com as que estão “começando agora”?

No caso da Sociedade 5.0, o CEO e fundador da Altio Soluções Tecnológicas, Emílio Vieira, explica que ela “será pautada por oportunidades de trabalho bem mais flexíveis”. Isto tem ligação direta com os formatos de coworking ou home office, afinal de contas, estas melhorias e evoluções vão além da automatização de processos.

“No futuro, uma parte das pessoas deverá trabalhar de forma autônoma, vendendo seus serviços e força de trabalho”, diz ele, analisando que as horas de trabalho não serão mais o foco destas pessoas e empresas, “mas sim entregar resultados”.

Os robôs terão papel fundamental nas profissões do futuro, avalia Paulo Castelo, CEO e fundador da Fhinck. “Eles já entrando cada vez mais em moda, talvez por causa da forte demanda de mercado, que necessita velocidade”, avalia. Ele cita que “a própria TI pode não estar dando tanta resposta a esse pedido, mas isso tem que ser um pouco mais ponderado.”

“A automatização por si só não é algo que trará, de fato, autonomia aos seus negócios.”

Um debate sobre pessoas

A plenária foi baseada em startups que participam do Cubo Itaú. E esta é uma parte onde as grandes empresas podem aprender algo com as menores. Mas, nesse processo de transição (ou adoção, no caso) para uma Sociedade 5.0, Rodrigo Murta faz um alerta: “a transformação é de pessoas, e o digital é a consequência disso tudo.”

Murta é CEO e cofundador da Looqbox. Para ele, o valor da informação tem sido percebido “em toda a empresa, e não apenas em um núcleo.” A ideia é entender como organizar todos os dados, colocar eles disponíveis e fazer o usuário/cliente usar isso a seu favor.

Para ele, “não teremos uma única pessoa alocando esses dados. O núcleo existirá, mas não unificando toda essa inteligência”, o que em suma deve abrir mais espaço nesse processo de adoção de inteligência artificial. E estes processos começam de forma pequena, com uma pequena base, e depois se espalham.

Daniel Sgambatti, CEO e fundador da Kludo, lembra mais uma característica das startups que serve de ensino: elas andam mais rápido. Ele explica que, há anos, o processo de inovação sempre partiu de grandes empresas, mas num limite confortável.

Sgambatti relaciona um fator importante, também: a grana. As startups tem menos dinheiro, normalmente, porém fazem as coisas acontecerem mais rapidamente. “Então essa relação tem que partir da premissa de que: como startup, eu consigo fazer mais rápido ‘junto’ do que andando sozinho”, referindo-se a parcerias como as encontradas no Cubo, por exemplo.

Mas, mais uma vez, as pessoas precisam estar na frente destes projetos. “É algo que precisa ser feito de forma inclusiva e sustentável”, diz ele.

TD e analytics

Marcel Frajhof, cofundador e diretor comercial da Guiando, relaciona a história da companhia com o analytics. Ele cita que, avançando em outras contas de TI, a Guiando abriu mais espaço no processo de automação.

O gerenciamento de dados tem sido feito, em suma, para encontrar pontos de redução de custos em frotas mas também em telecomunicações. “Não estamos apenas aplicando o analytics, mas sim reduzindo custos com mais consciência em relação aos recursos da empresa. Isso gera um benefício muito grande.”

A transformação digital também passa por esses processos, e para as empresas já consolidadas, é necessário entender que mudanças de comportamento serão feitas para que a cultura seja modelada. Rodrigo Bernardinelli, cofundador e CEO da Digibee, cita como exemplo a Uber, que “é uma junção do Google Maps com um meio de pagamento numa carona”.

“É necessário pensar de forma ágil como juntar pequenas partes de soluções digitais para criar novas oportunidades.”

Novamente, voltamos ao ponto que relaciona startups à velocidade. Esta também é uma visão do CEO e cofundador da PhishX, Pedro Ivo Lima, que também cita como o consumidor tem passado por transformações rápidas.

Com a informação cada dia mais presente e acessível, “a reputação das empresas também está online e facilmente pode ser encontrada”. Como ele mesmo cita, “é o feedback em tempo real”. Assim, o consumidor em si não se mantém mais preocupado com a reputação de uma companhia, mas sim no modo como elas se relacionam com o cliente.

Juliano Braz, sócio da Take, aponta ainda três características importantes na experiência do usuário: 1) as empresas têm que estar presentes; 2) precisam ser ágeis; 3) precisam de evolução contínua para manter sua presença.

“A startup não vem para substituir uma empresa ou uma área de uma empresa, mas sim cocriar, trabalhar de forma conjunta”, explica Juliano. “Se antigamente era o peixe grande que comia o pequeno, hoje é o peixe mais rápido que come o mais lento”, finaliza.

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