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Sociedade 5.0 e o direito à privacidade: como vencer esse desafio

A Sociedade 5.0, um conceito que surgiu no Japão em 2016 como parte de um plano voltado à ciência e à tecnologia, tem como propósito fomentar uma sociedade mais inteligente a partir do uso das ferramentas tecnológicas a favor do bem-estar humano.

Os impactos da transformação digital mudaram o ambiente em que vivemos. A hiperconexão e o uso intenso de aplicativos nos smartphones modificaram de forma definitiva nossa vida social e a forma como compramos e nos relacionamos com as organizações em geral. É a chamada Sociedade da Informação ou 4.0, reflexo da revolução chamada indústria 4.0 ou revolução 4.0.

Na revolução 4.0, as novas tecnologias – bigdata, inteligência artificial, machine learning, entre outras – estão provocando uma profunda transformação na maneira em que as organizações operam e se relacionam com seus clientes, colaboradores e fornecedores, ou como governos se relacionam com seus cidadãos. Na Sociedade 5.0, estas tecnologias serão usadas não só para os negócios ou governos em busca de agilidade, produtividade e mais receitas com menos custos. Ela começa a transformar a vida das pessoas. É a inovação convergente para dar mais qualidade de vida aos seres humanos.

Sociedade 5.0 irá usar os recursos tecnológicos da revolução 4.0 para adaptação de uma vida em uma sociedade inteligente, onde tudo será possível realizar com o auxílio de tecnologias tais como, conectividade, reconhecimento facial, rastreabilidade e inteligência artificial. O desafio que vejo aí é como equilibrar tecnologias baseadas em dados, como a inteligência artificial ou rastreabilidade, com os dados pessoais dos indivíduos. Como evitar que eles sejam utilizados de forma indevida ou fora da finalidade para a qual foram coletados? Como garantir que mesmo usados de forma adequada, eles não sejam roubados por terceiros ou perdidos pelas organizações que as coletaram?

Uma das gigantes da tecnologia está desenvolvendo modelos de inteligência artificial capazes de detectar câncer de mama com maior precisão do que os especialistas humanos, com parceiros de pesquisa clínica no Reino Unido e Estados Unidos. A inteligência artificial aplicada à área médica é um dos exemplos interessantes rumo à Sociedade 5.0, no sentido de buscar a cura de doenças e melhoria nas condições de vida das pessoas, objetivo para o desenvolvimento sustentável (ODS 3), “assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades”.

Entretanto, para fazer funcionar o modelo de inteligência artificial e oferecer maior precisão nos exames de câncer de mama, os autores do estudo usaram dados de 76 mil mulheres, cujos diagnósticos eram conhecidos. Dados pessoais sensíveis.

Mesmo considerando a relevância da iniciativa, para que esse estudo preserve os direitos das mulheres que forneceram seus dados, questões relacionadas com a privacidade dos pacientes precisam ser levadas em consideração. No caso, a anonimização dos dados foi utilizada. Este é um exemplo do tamanho do desafio que é desenvolver soluções que permitam que os algoritmos de IA aprendam com uma quantidade enorme de dados pessoais ou dados pessoais sensíveis, equilibrando objetivos ou finalidades com os direitos das pessoas à proteção dos dados pessoais.

É por isso que as leis de proteção e privacidade de dados, como a LGPD, são importantes. Com elas, a Sociedade 5.0 vai equilibrar objetivos ousados, tecnologia e inovação, com direitos individuais tão importante para nós, tais como privacidade e proteção para os nossos dados pessoais.

*Enio Klein é CEO da Doxa Advisers, professor de Pós-Graduação na Business School SP, especialista em Transformação Digital, em vendas, experiência do cliente e ambientes colaborativos

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