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Smartphones com Blockchain começam a revelar o que devemos saber sobre eles

Após meses de especulação, a empresa taiwanesa HTC se prepara para lançar um smartphone habilitado para Blockchain no próximos meses, que permitirá aos usuários armazenar com segurança criptográfica e atuar como um nó de computação em uma rede Blockchain.

“Queremos dobrar e triplicar o número de nós das redes do Ethereum e do Bitcoin”, disse a HTC em seu material de marketing para o aparelho. Espera-se que o novo smartphone possa funcionar com vários protocolos Blockchain, permitindo a interoperabilidade entre eles.

Além disso, o smartphone habilitado para Blockchain HTC Exodus permitirá que os proprietários joguem CryptoKitties, um Dapp. Ou seja, um aplicativo executado em vários nós em redes ponto a ponto (P2P).

Parece que a terceira maior fabricante mundial de celulares pode ganhar uma corrida para se tornar a primeira da indústria a oferecer um smartphone Blockchain.

Em outubro do ano passado, a Sirin Labs, com sede na Suíça, anunciou seu próprio smartphone com recursos de blockchain nativos, a US$ 1.000 e agendou o lançamento para setembro deste ano. Mas na ú´ltima coletiva para apresentar o visual do aparelho, adiou o lançamento para novembro. A HTC, no entanto, planeja lançar seu telefone ainda neste trimestre.

O telefone blockchain da HTC já recebeu “dezenas de milhares” de reservas em todo o mundo, disse Phil Chen, chefe de criptografia da HTC, em uma entrevista durante a conferência RISE realizada dias atrás em Hong Kong.

Como o Finney, da Sirin Labs, o HTC Exodus virá com carteira de criptomoedas nativa, suporte para DApps (aplicações descentralizadas, cada vez mais em voga), hardware seguro e suportará os protocolos usados na bitcoin, Ether e em outras criptomoedas.

“Através do Exodus, nós estamos empolgados para suportar os protocolos subjacentes como Bitcoin, Lightning Networks, Ethereum, Dfinity e mais. Nós gostaríamos de suportar o ecossistema completo de blockchain e nos próximos meses estaremos anunciando muitas novas parceiras empolgantes juntos”, disse Phil Chen.

A Sirin conseguiu levantar mais de US$ 100 milhões em uma oferta inicial de moedas para o smartphone Finney. “A tecnologia Blockchain não será transferida para o mainstream até que a experiência do usuário seja resolvida. Nosso crowdfunding bem-sucedido nos fornece os recursos para resolver esses problemas e trazer ao mercado uma experiência mais segura e simples para a adoção em massa do mercado”, afirmou Moshe Hogeg, CEO da Sirin. 

Os dispositivos Finney são projetados para suportar aplicativos Blockchain inerentes, como uma carteira criptografada, acesso seguro a trocas, comunicações criptografadas e um ecossistema de compartilhamento de recursos P2P para pagamento e aplicativos, suportados pelo token SRN da Sirin. 

“Isso permitirá pagamentos rápidos entre os pares da rede sem a necessidade de mineração (taxa-menos)”, disse Sirin em seu material de marketing.

Como o smartphone Solarin, também da Sirin, o dispositivo Finney contará com um interruptor físico que desligará imediatamente todas as comunicações não criptografadas, garantindo que o armazenamento digital interno esteja inacessível off-line, funcionando como uma “carteira fria” para moedas digitais.

Com uma tela de 6 polegadas, ele terá processador Snapdragon 845, 6 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno, sensor biométrico, bateria de 3.000 mAh, conectividade Bluetooth 5.0 e sistema operacional SIRIN OS, baseado no Android 8.1 Oreo. 

A HTC ainda não divulgou detalhes sobre seu smartphone Exodus, mas disse que um recurso adicional será a recuperação de chave de criptografia nativa, um enigma ligado à comunidade de criptomoeda.

Embora o Blockchain seja uma tecnologia de rede segura ponto a ponto sobre a qual dados podem ser trocados anonimamente por uma miríade de negócios ou transações pessoais, a criptografia por trás do livro eletrônico também significa que se você perder sua chave privada, perderá seus dados – para sempre .

A HTC não ofereceu detalhes sobre como permitiria a recuperação de chaves no smartphone, que será fabricado pela empresa chinesa FIH Mobile.

“Eu olhei para o projeto Sirin de vez em quando. Do ponto de vista de segurança, é provável que eles estejam no topo, porque estão projetando a coisa do zero”, disse Martha Bennett, analista da Forrester Research. “Mas é um produto de nicho”.

Em termos da carteira embutida, a questão-chave é como as duas empresas manterão dados sigilosos seguros, disse Bennett.

“Por definição, a menos que o telefone esteja em modo de voo, há sempre uma conexão, seja via celular, WiFi, NFC ou Bluetooth (ou qualquer combinação do já mencionado). Isso oferece muito mais superfícies de ataque do que um dispositivo USB ocasionalmente conectado “, disse Bennett

Jack Gold, principal analista da J.Gold Associates, disse que nem a HTC nem os smartphones com Blockchain da Sirin atrairão o público mainstream, já que a atividade de criptografia é quase toda comercializada, e permanece ao alcance de entusiastas e especuladores – “CryptoKitties à parte”.

Embora ainda seja a terceira maior fabricante de celulares, nos últimos anos a HTC perdeu sua diferenciação de mercado, algo que espera recuperar com o lançamento de um smartphone Blockchain, disse Gold.

“Ela quer entrar novamente em destaque, mas não pode fazê-lo sem uma oferta verdadeiramente diferenciada. Blockchain é uma das áreas onde há poucos concorrentes no momento. E isso dá à HTC alguma vantagem”, disse Gold. “A questão é, quantas pessoas realmente querem ou precisam de um smartphone com blockchain? O que elas farão no curto prazo?Quantas pessoas precisam armazenar fichas em um telefone e usá-las para pagar as coisas?”

Embora a HTC permita a mineração no telefone, o poder de processamento que está colocando atrás dessa função é mínimo comparado aos equipamentos de mineração que usam placas gráficas e ASICs para lidar com milhares de operações por segundo.

“Suponho que a capacidade de manter toda a credencial de criptografia no dispositivo, e não em um hardware independente, possa ser atraente, mas será que essa é uma razão pela qual as pessoas vão comprar um smartphone Blockchain?” indaga Gold. “Finalmente, uma vez que o primeiro dispositivo é hackeado, (e vimos no passado que essas coisas acontecem), quantas pessoas estarão interessadas em comprar um dispositivo?”

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