Para alguns especialistas e empresas, como a IBM, estamos entrando na era da computação cognitiva, que traz cada vez mais competências tecnológicas inspiradas nas capacidades únicas do cérebro humano de analisar e resolver problemas, com base no uso de sensores, modelos, metodologias, algoritmos e dados. Em paralelo, uma importante área da tecnologia, talvez a mais desafiadas nos últimos anos, pode ter benefícios do desenvolvimento dessas soluções: a cibersegurança.
Durante palestra na Futurecom 2016, Paulo Pagliusi, diretor de serviços cyber risk da Deloitte, declarou que a abordagem “top down” é de extrema importância e que os líderes precisam entender de onde vêm as ameaças e de que forma a experiência cognitiva pode ser a solução para diversos ataques cibernéticos.
“É importante entender e ligar a computação cognitiva à cibersegurança. É preciso sair da defesa meramente mecânica e integrar uma estratégia que permita compreensão, raciocínio e aprendizado perante novas ameaças. Hoje, cibercriminosos têm vantagens sobre vítimas – eles trocam muitas informações, passam dicas, que o colocam um passo à frente das organizações”, declarou.
Pagliusi destacou que, utilizando os conceitos cognitivos, é possível “igualar o jogo” com os cibercriminosos. “Podemos colocar o computador para interagir com as pessoas”, explicou.
De acordo com o Gartner, o mercado de cibersegurança deve movimentar US$ 170 bi em 2020, com crescimento de mais de 10% ao ano. Já os sistemas cognitivos, segundo estudo do IDC, terão investimentos de US$ 21,3 bi em 2019. O segredo, para Pagliusi, é aliar as dois mercados que estão em franco crescimento.
Um dos desafios é lidar com as quatro foças convergentes da atualidade – social, mobilidade, informações e nuvem. Todos esses conceitos estão permitindo a chegada de conceitos disruptivos, por exemplo. A era cognitiva precisa defender estes quatro requisitos e também outras ameaças iminentes, como a internet das coisas (IoT, na sigla em inglês), deepweb e a evolução de malwares. “São mais desafios para as equipes de segurança”, pontuou.
Internet das coisas surge como importante ameaça
A internet das coisas é uma das principais ameaças, o que, de acordo com o executivo, é mais um motivo para utilizar as experiências cognitivas em prol da cibersegurança. “A IoT abre sensores com IP, volume de portas e pontos de acesso que ficam prontos para serem atacados a qualquer momento. Podemos receber ataque inimagináveis – a geladeira pode ser o ponto inicial de um ataque que pode chegar até a empresa, por exemplo. Cada ponto desse tem que ser tratado com segurança”, afirmou.
A deepweb surge como outro termo que especialistas não estão sabendo lidar e pode ser mais um ponto a ser trabalhado com a computação cognitiva. “Hoje, 96% do conteúdo da internet estão na chamada deepweb, onde nós não temos acesso. Temos que nos preocupar com esse submundo”, disse.
Se por um lado as estratégias estão voltadas à conter ameaças, um outro mundo pode estar escondido na deepweb e os sistemas cognitivos podem ser essenciais para encontrar conteúdos qualificados. “Tem muita ameaça, mas também muita coisa boa na deepweb. Se for implementado um sistema cognitivo, é possível varrer e achar coisas interessantes, além de ajudar na segurança cibernética”, concluiu.
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