Boa parte dos CIOs elegeram BYOD, sigla do inglês para traga seu próprio dispositivo, como expressão do ano. Isso porque, a proliferação de smartphones e tablets de propriedade dos próprios funcionários dentro do ambiente corporativo está muito longe de parar. Assim, termos relacionados a BYOD continuarão perseguindo os executivos de TI pelo menos por mais um ano. Entretanto, muitas das práticas e tecnologias que rodeiam esses aparelhos deve passar por uma sacudida. Com isso, o que 2013 representará para sua estratégia de mobilidade corporativa? Separamos sete tendências que, certamente, você deverá acompanhar ao longo dos próximos 12 meses.
1 ? MDM tomará as empresas
Em 2012, vimos muitos programas de BYOD angariar elogios por dar mais mobilidade aos trabalhadores, criar novas oportunidades de negócio e melhorar a eficiência das operações. Por outro lado, esses programas desencadearam um dilúvio de ameaças. Essa dicotomia demanda um balanço: os dados corporativos são cada vez mais acessados por redes externas e precisam estar protegidos, mas como os dispositivos são de propriedade dos funcionários, as precauções de segurança precisam respeitar a privacidade do proprietário.
Os fornecedores de soluções de gestão de dispositivos móveis (MDM, da sigla em inglês) têm sido rápidos em responder a esse desafio, mas os produtos não forma tão adotados quanto os dispositivos que eles precisam supervisionar. Em dezembro, em um post de blog, o vice-presidente do Gartner Phil Redman escreveu que em torno de 20% das médias e grandes empresas tinham adquirido ferramentas de MDM. Uma pesquisa realizada pela InformationWeek EUA, publicada em novembro de 2012, apontava que 26% dos respondentes tinham implantado solução do tipo e que outros 17% tinham intenção ou estavam em processo de implantação.
Entretanto, as compras de MDM não têm acompanhado o movimento de BYOD, os produtos não têm produzido negócios substanciais. No mesmo texto, Redman nota que a receita com MDM ficou acima dos US$ 500 milhões em 2012. A IDC prevê que essas ferramentas gerarão receita de US$ 1,8 bilhão até 2016. O Gartner acredita em uma explosão na adoção, assim como a pesquisa produzida pela InformationWeek EUA, que revelou que 72% dos respondentes esperavam ampliar seus programas de BYOD. Além disso, para 90% dos participantes, tablets e smartphpones se tornarão cada vez mais crucial para a produtividade nos negócios.
O gerenciamento de dispositivo, no curto prazo, deve crescer em prevalência, mas temos um fato sério: o MDM, e si, está morto, ao menos no formato tradicional. Provisionamento e rastreamento de dispositivos terão um lugar, mas a proteção de dados tem emergido como a mais importante ferramenta. A despesa para substituir um iPhone perdido ou um tablet roubado é finita, mas senha, informações financeiras, relatórios de estratégia corporativa e outras informações em mãos erradas, pode ter um custo inestimado. Como resultado, ao longo de 2013 deveremos assistira uma mudança na sigla dominante, saindo de MDM para MAM, que, na tradução, seria gestão de aplicativos móveis, ou MEM, gestão de mobilidade corporativa.
2 ? Grandes empresas vão impulsionar jogo do gerenciamento móvel
Produtos de MDM e MAM fora produzidos ao longo de 2012, sobretudo, por fornecedores de nicho como MobileIron, AirWatch, Zenprise e Good Technology. Quando a Citrix anunciou a compra da Zenprise, no início de dezembro, entretanto, criou-se um alerta no mercado de que mais fusões e aquisições estariam por vir. O analista do Gartner Phil Redman sugere, no texto do blog, que empresas como Cisco, HP e Oracle também devem entrar no mercado com novas ferramentas de MDM. A Dell pode ser outra possibilidade, dado o aumento do interesse em dispositivos móveis. Ainda que haja essa expectativa de quem entrará no jogo, o sentimento é de que grandes empresas vão assumir seus papeis como fornecedores de MDM e MAM.
3 ? Patentes em MDM
Entre os casos de patentes envolvendo dispositivos móveis, a batalha entre Apple e Samsung dominou o noticiário em 2012. Mas essa atitude litigiosa parece ter infectado toda a indústria. Os processos da Good Technology contra a MobileIron e contra a AirWatch, ambos impetrados em novembro, são algumas das batalhas judiciais que deveremos assistir ao longo de 2013.
A Good Technology contesta o infringimento a capacidades comuns a produtos de MDM, como bloqueio remoto de dispositivo, mas também a patentes registradas antes de smartphones e BYOD existirem. Se o processo vingar, os efeitos recairão não apenas para a AirWatch e MobileIron, mas, também, contra grandes empresas que querem ampliar seus portfólios por meio de aquisições.
4 ? 2013 será um ano cheio para desenvolvedores
Os departamentos de TI terão que costurar bons acordos e baixar o custo em 2013, mas o desenvolvimento de aplicativos móveis será uma das poucas áreas onde os executivos de TI deverão ampliar os gastos.
Aplicativos das linhas de negócio vão direcionar boa parte dessa atividade. Smartphones e tablets redefiniram a forma com que muitos profissionais executam suas tarefas em 2012. Vendas, aviação, medicina são apenas algumas das indústrias que melhoraram suas operações por investir nesse tipo de aplicação. Um estudo produzido pela Intel revelou que a maioria do pessoal de TI enxerga BYOD mais como um combustível para a produtividade que algo para reduzir custo, conclusão que vai ao encontro de um estudo produzido pela InformationWeek EUA. E na medida em que as empresas encontram novas formas de abraçar a mobilidade em 2013, a demanda por aplicações especializadas crescerá.
O varejo é outra vertical que deve demandar muito dos desenvolvedores. Uma pesquisa conduzida pela IDC e pela Appcelerator revela que 86% dos consumidores vão acessar sites de lojas por um dispositivo móvel enquanto estiverem dentro de uma loja física e que o uso da carteira eletrônica se tornará parte essencial do ritual de compra. Outras oportunidades virão de aplicativos que trabalham a lealdade do consumidor utilizando dados de localização e em tempo real para entrega de publicidade dirigida.
5 ? Aplicativos HTML5 ficarão mais populares
A variedade de sistemas operacionais móveis traz uma dificuldade potencial para os desenvolvedores. A pesquisa da IDC e a Appcelerator mostra que esses profissionais são entusiastas do iOS e, em segundo plano, do Android. Mas eles têm demonstrado grande interesse pelo HTML5, já que essa é a única plataforma que atende iOS e Android ao mesmo tempo.
É verdade que o HTML5 não é perfeito mas é acessível e tem o suporte de gigantes da tecnologia. Com cloud e software como serviço (SaaS, da sigla em inglês) ganhando popularidade, o Gartner acredita que aplicativos HTML5 suplantarão as versões nativas como método de entrega de conteúdo móvel. O apelo é óbvio: como a aplicação é acessada via navegador, não precisa ser re-escrita para cada plataforma. Ferramentas como a Worklight, da IBM, já trabalham dentro dessa proposta, mas o HTML5 é uma oferta mais simples, livre de custo e com pacote mais familiar.
As aplicações nativa não morrem. Elas continuarão aí para ofertar uma experiência mais sofisticada.
6 ? Sem grandes mudanças na hierarquia das plataformas
A RIM e a Microsoft esperam que seus sistemas BlackBerry 10 e Windows Phone 8 façam sucesso. Ainda que não possam ser deixados de lado, não espere que esses sistemas ameacem o Android ou o iOS.
A plataforma móvel do Google liderou 2012 e Gartner e IDC esperam que isso continue ao menos pelos próximos três anos. A IDC credita o sucesso do Android ao suporte das OEMs.
O iOS, da Apple, surpreendentemente perdeu participação de mercado para o Android em 2012 e até um pouco da lealdade do consumidor que esperava o iPhone 5. A chegada o iOS 6 e do iPhone 5, entretanto, mostraram que a plataforma continuava tendo poder, mas a aplicação de mapas foi um desastre.
Ainda que o iOS fique num segundo lugar distante em relação ao Android, o sistema da Apple permanece o preferido entre os desenvolvedores. No cenário de tablets, o cenário é de liderança da Apple, com a IDC prevendo que a empresa terá metade do mercado até 2016 com a família iPad.
O Windows Phone 8 e o RT não causaram grande impacto no mercado, mas analistas acreditam que a plataforma deva se consolidar em terceiro lugar no mercado ao longo de 2013.
7 ? Virtualização e cloud
BYOD força a TI a gerenciar conteúdo corporativo em dispositivos que não pertencem à empresa, e fazer isso sem infringir a privacidade do usuário é um desafio. A habilidade de separar dados corporativos dos pessoais está entre os desafios da mobilidade, mas muitas tecnologias estão aí para ajudar na tarefa. Confinar os dados na aplicação e usar criptografia é uma abordagem popular que controla como o dado é usado, mas por ser um método que, geralmente, armazena a informação localmente, não é tão seguro quanto gostariam os gestores de TI. Ao longo de 2013, veremos mais empresas experimentando métodos alternativos, como virtualização e soluções baseadas em computação em nuvem.
A 451 Research afirma que ?2013 trará mais integração entre aplicativos móveis e a nuvem. Onde for possível, você não terá informação armazenada no device?. A consultoria acredita ainda que os próximos 12 meses serão de faça ou se dê mal em relação ao uso de tecnologias de virtualização. Mas os hypervisors móveis têm questões complexas que demandam respostas, como o consumo excessivo de bateria. De qualquer forma, o apelo de segurança da virtualização não pode ser ignorado.
A previsão em torno de cloud, por outro lado, estará fortemente envolvida no lançamento de aplicativos baseados em navegadores e no modelo de comercialização como serviço. Certamente você verá mais produtos que promete um navegador mais seguro e que permite um controle melhor por parte da TI.
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