Podemos concordar em uma coisa: ninguém quer usar um aplicativo feio. Também não gostamos dos chatos. Softwares corporativos nunca foram conhecido por sua usabilidade ou design. Mas na conferência MobileBeat, realizada em São Francisco (Estados Unidos), o foco foi, exatamente, o desenho deles. Na semana passada, Jeff Haynie, cofundador e CEO da empresa de software aberto Appcelerator, conversou com Tim Lee, sócio da Sequoia Capital, Ketan Anjaria, fundador da CardFlick, Jaan Orvet, diretor de criação na Nansen e Mikkel Svane, CEO da Zendesk, sobre o que define um programa bonito.
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Lee afirmou que os apps bonitos são “deliciosos”, e não só por causa de seu apelo superficial: a beleza, explicou, traz dinheiro, e uma empresa móvel focada em design leva os melhores negócios.
A Sequoia investiu no Evernote e Dropbox. Lee afirmou que muitos CIOs vão ao seu escritório e perguntam quais empresas são o próximo Evernote e Dropbox. Muitas precisam se ajustar à tendência “bring you own device” (uso de dispositivo móvel dos funcionários para atividade corporativa), porque ela já faz parte do mercado.
Mas é mais do ganhar dinheiro. Anjaria, da CardFlick, disse que apps devem “nos motivar”, afinal, o desenho é uma história e deve nos afetar emocionalmente. Também disso que é uma boa ideia envolver-se com o designer e experiência de usuário desde o início. Um bom designer pensa no produto. De certa maneira, afirmou, o design de rede é como uma novela e o móvel como um haicai (poema japonês que valoriza a concisão e a objetividade).
Orvet afirmou que a maneira que os negócios são feitos está mudando. Ninguém mais realiza apresentações com slides de 150 imagens. Em vez disso, usam-se textos e fotos de seus telefones.
Há um jargão em design: qual a diferença entre IU (interface de usuário) e UX (experiência do usuário)? Como você explica isso a um CIO?
Anjaria disse que UI é um pixel e é preciso ser um designer para entendê-lo. UX é a interação humana entre você e seu aplicativo. Segundo Orvet, o mais importante é pensar como uma pessoa: “Isso faz com que o Zendesk funcione. É humano”.
Há muita inovação no mundo de consumo, então o tamanho da amostra é muito maior, afirmou Lee:. “Novas empresas podem ser construídas para transformarem e tornar a economia mais produtiva. Há muitos apps que nos fazem perder tempo e tão poucos que nos ajudam a economizá-lo. Se tomamos o mundo móvel como exemplo, temos a expectativa alta em relação ao uso de e-mail, por causa do Gmail… o Lotus Notes não é aceitável”.
Orvet disse que as empresas fizeram um ótimo trabalho em suprimir o desejo dos funcionários de serem produtivos. Tablets e smartphones fazem o contrário.
Segundo ele, o desenvolvimento de app é como o de software no começo dos anos 80: obviamente o dinheiro vai para quem faz o melhor trabalho. E na Apple App Store, os que possuem aplicativos com melhor design tendem a ser mais populares. O ecossistema, de certa forma, democratizou o desenvolvimento de software.
“A mobilidade nos aproxima da tecnologia – podemos tocar a tela”. No futuro, dispositivos como o projeto Google Glass nos levarão ainda mais além, declarou Anjaria.
Mas e se sua empresa não pode ter um designer próprio? Segundo Anjaria esse não é um problema, basta terceirizar.
Tradução: Alba Milena, especial para o IT Web | Revisão: Adriele Marchesini
*Texto de responsabilidade da rede de jornalismo norte-americana UBM. O IT Web traduziu e editou o conteúdo levemente. Leia o original aqui.
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