São Paulo prepara projeto para conectar semáforos

São Paulo, a maior cidade do Brasil e uma das principais megalópoles do mundo, conta com uma frota de 8,4 milhões de veículos, que rodam por 17 mil quilômetros de vias. No meio de tudo isso, existem cerca de 6,5 mil de cruzamentos com semáforos e essa complexidade do sistema gera dificuldades para uma gestão inteligente.

Segundo João Octaviano Machado Neto, presidente da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), 1,2 mil desses semáforos são “conectados”, sendo que apenas 600 deles têm capacidade de atuação remota, em tempo real, com aplicações de inteligência. A ideia da CET, agora, é usar tecnologias para otimizar a gestão da mobilidade urbana.

Neto afirma que a CET está preparando um modelo de projeto com iniciativas privadas (Parceria Público-Privada – PPP) para reformulação de todo o sistema. “Estamos trabalhando em uma camada de inteligência para os semáforos. Todos os pontos de semáforos terão Wi-Fi, que permite a criação de um sistema internet das coisas (IoT), para poder estar preparado para conversar com carros e com as vias” disse, durante participação no Fórum Mobilidade, evento organizado pelas revistas Quatro Rodas e Superinteressante.

Uma das vantagens que um projeto como esse possibilita é a chamada “onda verde”, sincronização de semáforos de acordo com o fluxo. “Todas as unidades terão um nobreak e uma alimentação secundária com energia solar. Teremos outro patamar (de equipamentos). Isso vai nos permitir fazer gestão adequada desses corredores”, destacou.

Desafios medievais

Neto disse também que a companhia busca soluções para problemas que estão mal administrados há muito tempo, para introduzir uma conversa entre o sistema de transporte e a cidade. “Hoje temos tecnologias avançadas, como carros autônomos e IoT. Mas do outro lado enfrentamos uma realidade medieval.”

Segundo ele, 62 torres de controle de semáforos sofreram vandalismo neste ano, o que dificulta a manutenção da operação dos equipamentos. Só no cruzamento do semáforo na Avenida Rio Branco, na região central da cidade, foram oito vezes.

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