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Rússia está testando uma rede de internet própria

O governo russo deu os primeiros passos para a criação de uma internet interna no país, com potencial para continuar operando caso o acesso à rede mundial de computadores seja cortado do país.  

Chamada Runet (sigla para “Russian Internet Space“), os trabalhos para o início da fase de testes começaram após o mês de maio, quando o presidente Vladimir Putin assinou uma lei para assegurar a “soberania da internet” dentro do país, que é parte de um projeto desenvolvido pelo governo desde 2012. 

De acordo com o comunicado emitido pelo governo, quando estiver concluída, a Runet terá capacidade de cortar o acesso à internet “de fora” e mesmo assim garantir que sites e serviços que utilizem a internet dentro da Rússia tenham a conexão necessária para operar sem problemas. 

Para que esse projeto seja possível, o país está trabalhando para a construção de uma infraestrutura própria de internet, como um Sistema de Nomes de Domínio (DNS, em inglês, que de forma resumida identifica domínios na internet) e está trabalhando com provedores de internet e empresas locais para a criação de um equipamento especial capaz de fazer o gerenciamento e separação dos dados. 

A Roskomnadzor, agência de comunicação e vigilância russa, é a responsável tanto por viabilizar a Runet como por determinar as regras de transmissão e como seria feita essa troca de internet. 

Status e perigos

Às vésperas do Natal, o governo Russo anunciou que os primeiros testes da Runet foram realizados com sucesso, sendo que a mudança de conexão não foi sentida pelos usuários do país. A forma como esse teste foi realizado e os resultados obtidos não foi explicada de forma clara, mas sabe-se que o experimento foi realizado para avaliar a segurança da conexão em equipamentos ligados com a tecnologia de internet das coisas. 

Especialistas ouvidos por veículos como BBC e ZDNet apontam que é pouco provável que esse projeto já esteve em um momento mais avançado devido à complexidade técnica de se criar uma cópia regional de um sistema global, que atualmente funciona de forma interconectada entre países — nesse ponto vale lembrar que a Rússia é o mais país do mundo, territorialmente falando. 

Apesar de a proposta de uma internet própria, quase que uma intranet gigante, ter de fato suas vantagens, órgãos envolvidos com temas como liberdade de expressão temem que a Runet seja utilizada para restringir o acesso dos cidadãos a conteúdos externos ou que desagradem o governo. 

Não são poucos os países que já exercem determinado controle sobre os sites que os habitantes têm ou não têm acesso. O exemplo mais conhecido é o da China e o seu “Grande Firewall”, que impede a conexão direta com sites como Twitter e Facebook. Porém, esse tipo de proibição pode ser contornado com a instalação de redes privadas, conhecidas como VPNs.  

A questão é que, no exemplo russo, esse tipo de alternativa não seria possível, já que toda a conexão estaria dentro de um mesmo local. Daí o receio de que essa nova internet seja utilizada como ferramenta de restrição.   

Por enquanto, é necessário aguardar um desenvolvimento maior da Runet para que fique mais claro o estágio de desenvolvimento no qual ela se encontra e como se dará seu uso dentro de um ecossistema controlado. 

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