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Robôs versus humanos na consultoria financeira

A capacidade de processar informações em quantidades astronômicas, a rapidez de decisão e o grau de acerto consistente dos robôs de investimentos, estão revolucionando o mercado financeiro. Estima-se em mais de 200 bilhões de dólares o total administrado pelas máquinas em todo o mundo.

Robôs de investimentos são softwares desenvolvidos para operar automaticamente a partir de movimentações do mercado, com o objetivo de buscar o maior retorno possível ao investidor. Com tantas vantagens, seria de se imaginar, que as máquinas substituirão os seres humanos também na área de consultoria de investimentos. Não é bem assim. Uma pesquisa do banco Wells Fargo em parceria com o Gallup Investor e o Retirement Optimism Index no primeiro trimestre de 2019, mostrou que 84% dos entrevistados consideram que, apesar de toda a evolução tecnológica, o aconselhamento de uma outra pessoa ainda é – e provavelmente continuará sendo – da maior importância para os investidores.

Essa pesquisa, divulgada em abril, foi realizada em fevereiro entre 1.029 norte-americanos adultos, com investimentos de pelo menos dez mil dólares, em ações, títulos ou fundos de investimentos. E mais da metade (56%) já conta com aconselhamento de um consultor financeiro, enquanto 22% gostariam de ter o acompanhamento de uma assessoria humana. Os números são significativos e comprovam que os investidores preferem continuar contando com orientações de humanos qualificados, em vez de robôs, na hora de poupar, investir e se preparar para a aposentadoria.

Outro dado significativo é que, do grupo que já contrata consultores financeiros, 73% declararam que os benefícios financeiros advindos do aconselhamento profissional, valem o custo. Ao classificar os serviços importantes ou críticos prestados por consultores financeiros, os investidores citaram aspectos como: “manter-me motivado e acompanhar meus objetivos financeiros” (69%), “entender minha vida pessoal e dinâmica familiar” (63%) e ajuda a esclarecer valores de vida mais amplos e metas (55%).

Do outro lado, os 24% que afirmaram recorrer à automatização de investimentos para seus próprios investimentos, sem a assistência de um consultor, 56 % disseram que prefeririam trabalhar com um consultor financeiro, que use ferramentas de investimento automatizado.

A conclusão não poderia ser mais clara: ainda que reconheçam as vantagens das tecnologias que incrementam a produtividade, a eficiência e a agilidade nos investimentos, os investidores, na sua maioria, ainda preferem a assessoria humana, ao planejar e executar suas movimentações no mercado financeiro.

*Por Alessandro Carvalho, diretor de Operações da Sinqia

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