Revolução cibernética desafia política internacional

O poder cibernético está gerando novos riscos à política, segurança e comércio globais. Casos como a invasão russa durante as eleições norte-americanas devem acontecer novamente e o perigo geopolítico cibernético é algo que deve estar no radar das lideranças globais.

Bernardo Wahl, especialista em relações internacionais, crava: a ordem mundial foi hackeada. Ordem mundial é a forma como Estados e Países se organizam para alcançar objetivos comuns – os principais são paz e segurança. E esses são os pontos que a guerra cibernética deve afetar, causando conflitos internacionais.

“O mundo contemporâneo enfrenta uma enorme ameaça cibernética, que vai desde um nível amplo, como segurança dos Estados,  como a níveis menores, como segurança dos usuários. Atualmente, ameaças cibernéticas são vistas como maiores riscos do que ameaças terroristas”, comenta Wahl, durante participação na Campus Party.

O especialista destaca que há um cenário de mundo pós-Stuxnet. O Stuxnet foi um worm de computador descoberto em junho de 2010, considerado a primeira arma cibernética com significado geopolítico. O fato causou desentendimentos entre o mundo ocidental (sobretudo EUA, Reino Unido e Israel) e o Irã em torno do programa nuclear iraniano.

Nesse quadro do mundo pós-Stuxnet, por exemplo, uma preocupação das Forças Armadas dos EUA é a possibilidade de hacking às armas nucleares do futuro. “O Stuxnet é uma parcela pequena de algo pior que pode acontecer”, acredita Wahl.

Rússia no centro dos ataques
Durante as eleições presidenciais de 2016 nos EUA, informações foram roubadas de redes de computadores do Comitê Nacional Democrata e publicadas pelo Wikileaks, em ação supostamente liderada por grupos hackers ligados aos serviços de inteligência da Rússia. Wahl destaca que o caso da invasão russa pode se repetir para influenciar eleições que ocorrerão na Europa neste ano.

Cenário futuro
A prevalência e magnitude das operações cibernéticas de 2016 sugerem que o poder cibernético apresentará riscos mais avançados e frequentes à política, segurança, indústria e infraestrutura em 2017. Outra previsão é que a espionagem cibernética patrocinada por Estados aumentará em 2017 e a guerra de informações se tornará rotina.

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