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Resenha da Computex 2011 – I

Como sabem os que acompanham esta coluna há algum tempo, nos últimos anos tenho visitado regularmente a Computex, uma gigantesca feira de informática que se realiza anualmente em Formosa, ou Taiwan. De lá, mando regularmente notas sobre os tópicos que mais chamaram minha atenção no evento. Notas que são publicadas na seção de Notícias do Forum PCs juntamente com as dos demais colaboradores.

Para agrupá-las em um único texto e pô-las (pô-la! Que língua danada esta nossa) ao alcance dos que não as leram por lá, no final da feira costumo agrupá-las em uma coluna com tudo o que vi de interessante na Computex 2011, da entrevista coletiva de abertura até aquela na qual os organizadores fazem seu balanço final, passando pelo que vi nos milhares (mesmo; foram mais de cinco mil e eu os percorri todos) de estandes.

Como este ano consegui fazer uma cobertura completa (a prática é tudo e na terceira vez já conheço os macetes…) as notas ficaram mais extensas que o habitual e são profusamente ilustradas com fotografias tiradas nos estandes. Se eu as agrupasse em uma única coluna, ela certamente ficaria muito parecida com a velha espada de Afonso Henriques: comprida e chata. Para (tentar) evitar que isto ocorra, serão divididas em duas colunas.

Aqui vai a primeira delas. Aos que já leram este texto sob a forma de notas, peço desculpas pela repetição. Aos que não, bom proveito.

Nota 1: O anúncio da feira

A COMPUTEX 2011 começa amanhã, terça-feira, 31 de maio. Mas hoje a organização do evento reuniu a imprensa internacional. E não apenas para anunciar a próxima abertura da 31ª edição da feira.

A entrevista foi aberta com uma breve exposição do Sr. Walter Yeh, Presidente Executivo do TAITRA, o órgão de fomento do comércio exterior de Taiwan, sobre suas expectativas da edição deste ano do evento. Que, segundo ele, deverá gravitar em torno de cinco pontos principais: a explosão dos pequenos computadores moveis tipo tablete, os leitores de livros eletrônicos, os “telefones espertos”, a tecnologia de imagens tridimensionais (não apenas para cinema mas, principalmente, para televisores, computadores do tipo “tudo em um” e micros portáteis de variados tamanhos e fatores de forma) e a computação em nuvem. E prometeu mais detalhes para a Cerimônia de Abertura, que será realizada amanhã.

Em seguida o Sr. Yeh anunciou a assinatura de um acordo de cooperação na forma de um MOU (Memo of Understanding) com a CeBIT, a gigantesca exposição e tecnologia de informática e telecomunicações realizada anualmente na Alemanha, que compete em tamanho e importância com a COMPUTEX. O acordo foi assinado durante a entrevista e os signatários foram o próprio Sr. Yeh e Frank Poerschmann, principal executivo da CeBIT. De acordo com a breve exposição do Sr. Poerschmann logo após a assinatura, o memorando não apenas incrementará o intercâmbio comercial e tecnológico entre Taiwan e a Alemanha como, de uma forma mais abrangente, entre toda a Ásia e a Comunidade Européia. O MOU contempla a troca de informações entre os organizadores de ambos os eventos, intercâmbio de materiais e recursos, participação de executivos de um dos eventos no outro e não apenas facilitará a entrada de novas empresas européias na Ásia como de empresas asiáticas na Europa.

Imediatamente após a entrevista coletiva foram anunciados os ganhadores do prêmio “Design & Innovation 2011” e distribuídos os troféus para os representantes das empresas premiadas.

Nota 2: Premiação Design & Innovation Award

Nas últimas quatro edições a COMPUTEX vem concedendo o prêmio D&I aos produtos que se destacam por sua originalidade no quesito “Concepção inovativa”. A escolha é feita por um júri internacional independente, composto por “designers” da Ásia e Europa e coordenado por Ralph Wieman, que aparece abaixo durante a cerimônia de entrega dos troféus aos ganhadores. Este ano foram escolhidos 42 produtos, dentre os quais mereceram a inclusão na categoria “Gold” os cinco que mais se destacaram. Receber este prêmio na COMPUTEX é mais que uma simples honraria: os laureados recebem atenção especial e não apenas merecerão destaque durante a Feira como serão exibidos em outros eventos internacionais sobre tecnologia da informação e telecomunicações.

Para merecer o prêmio D&I não é necessário ser um prodígio tecnológico. Muito menos ter um custo elevado. Pelo contrário, alguns dos premiados serão comercializados por um pequeno punhado de dólares. O que é necessário é se destacar pela utilidade, qualidade do “design”, segurança e, acima de tudo, originalidade. Portanto, qualquer “bobagem” pode ser honrada com o prêmio. Um bom exemplo é o WouMOUNT da empresa americana US Brown Bear Inc., um singelo dispositivo para fixar painéis de TV de tela plana em paredes, mostrado na figura. Um simples suporte, barato, fácil de instalar, mas que resolve um problema que incomoda muita gente.

Outra boa idéia premiada foi o suporte para iPad (e, a julgar pelo que se viu na entrega do D&I Award, o sucesso dos iPad e iPhone fez florescer uma variada indústria em torno deles). O produto é fabricado pela JustMobile. Olhando para o suporte sem o iPad não se percebe sua originalidade. Ela reside no rolo de material emborrachado que se aloja no interior do cilindro traseiro e que deve ser retirado de lá e encaixado atrás do tablete, cuja inclinação pode ser variada à vontade sem perder a estabilidade.

O jogo de canetas abaixo é mais uma boa idéia que deveria ter nascido antes. Devem ser usadas juntas, uma pelo professor, outra pelo aluno, durante aulas onde são exibidas apresentações projetadas, tipo “PowerPoint”. Podem ser usadas para “escrever” sobre qualquer superfície onde a apresentação seja projetada e, na caneta do professor, há um dispositivo que permite controlar até seis canetas de alunos, que podem interagir com o professor. É um produto da AVerMedia Information Inc.

A Vlaar International mereceu seu prêmio por haver “bolado” o Caparo Flat Panel, um suporte para monitores de tela plana. A figura mostra dois suportes acoplados, sustentando dois monitores. A idéia é simples, porém engenhosa. Libera área na mesa de trabalho e permite ajustar o monitor em qualquer posição para facilitar o uso e eliminar reflexo, ou afastá-lo do usuário quando não estiver sendo utilizado.

Como eu disse acima, qualquer bobagem pode merecer o prêmio. Porém o júri parece ter explorado em profundidade todas as acepções do termo, como mostra o quinto ganhador do prêmio D&I categoria Gold de 2011: o Video Memo, da Gajah International (HK) Co. Ele consiste de duas peças, uma que adere magneticamente a portas de geladeiras e na qual aparecem os retratos do casal, outra um pequeno gravador de mensagens domésticas. Serve, por exemplo, para a trêfega madame deixar gravado “meu bem, não me espere esta noite que vou ao cabeleireiro e só chego depois das quatro da manhã”. E o tolinho acredita (quem instala um treco deste na geladeira acredita em qualquer coisa). Está aí, na figura, para quem se interessar.

Aqui, só mostramos os ganhadores da categoria Gold. Mas quem estiver interessado nos demais (alguns efetivamente bastante inventivos) pode encontrá-los todos na página “2011 Awards Winning Products”  do sítio da COMPUTEX.

Nota 4: A Cerimônia de abertura

Enquanto aí no Brasil ainda era a noite de segunda-feira, aqui em Taipei, já na manhã de terça-feira 31 de maio, começava a COMPUTEX 2011.

Mas a  feira e as demais atividades (simpósios, seminários e palestras avulsas realizadas em paralelo) somente tiveram início depois da solenidade de abertura. Que, este ano, revestiu-se de tamanha importância ? graças, talvez, aos acordos firmados entre COMPUTEX e CeBIT e entre as duas repúblicas da China, a continental e Taiwan ? que mereceu a presença do próprio Presidente da República da China Taiwan.

Para o local da abertura foi escolhido o pavilhão de Nangang, o maior dos cinco por onde o evento se espalhará este ano. E que, engalanado como se vê na foto, recebeu no primeiro dia uma boa parcela dos mais de cem mil visitantes esperados.

A solenidade foi aberta pelo Sr. Chih-Kang Wang, principal executivo do TAITRA (o escritório de fomento do comércio exterior de Taiwan, que juntamente com a Associação de Computação de Taipei, TCA, organiza o evento), com uma breve exposição na qual ressaltou o crescimento contínuo da COMPUTEX, este ano 9% maior que no anterior, obrigando que pela primeira vez fosse necessário recorrer a um quinto pavilhão e, além dos dois imensos salões de Nangang, se tivesse que usar um salão de exposições do TICC e três do TWTC. E confirmando a participação de mais de 1.800 expositores em 5.300 estandes nos cinco locais, gerando um total estimado de mais de um bilhão de dólares americanos em negócios enquanto participam dos mais de mil fóruns e seminários.

Em seguida foi a vez do Sr. John Hsuan, presidente da comissão de supervisão da TCA, se manifestar sobre o evento lembrando que agora, firmado o memorando de cooperação com a CeBIT, os dois eventos juntos passam a constituir a maior plataforma do mundo para intercâmbio entre revendedores e fornecedores de equipamento para a indústria da informática e telecomunicações. Justamente quando esta indústria, que sempre foi um ambiente de negócios em constante evolução, passa a enfrentar o novo desafio da explosão dos dispositivos móveis, como tabletes e telefones espertos. E ressaltou que, nos negócios, novos desafios equivalem a novas oportunidades.

Foi então a vez das autoridades governamentais se manifestarem. O primeiro, Sr. Wei-Zen Chen, vice-prefeito de Taipei, o fez em nome da cidade. Começou lembrando a reconhecida hospitalidade local ? da qual sou testemunha ? e dando as boas vindas aos visitantes. E terminou com uma boa notícia: as obras da construção do segundo centro de exposições de Nangang, tão majestoso quanto o atual, estão adiantadas, devem terminar antes do previsto e em breve os participantes da COMPUTEX não mais precisarão de se deslocar entre Nangang e o Centro da cidade, onde estão localizados os demais salões.

A administração da cidade então passou a palavra à do país: o Sr. Shih-Chao Cho, Diretor do Escritório de Comércio Exterior do Ministério da Economia e em nome do Ministro, ressaltou a importância da COMPUTEX como ponte entre a indústria da informática e telecomunicações da Ásia e dos demais países do mundo, uma indústria vital para a nação posto que gerou em 2010 um total próximo aos 140 bilhões de dólares americanos de receita para Taiwan.

Finalmente, o ponto alto da abertura: para demonstrar a importância do evento, este ano o próprio Presidente da República da China ? Taiwan, Sua Excelência Ying-Jeou Ma, compareceu à abertura. Deu boas vindas aos visitantes estrangeiros, saudou os compatriotas, lembrou que a COMPUTEX, resultado dos esforços conjuntos do TAITRA, uma agência governamental, e da TCA, uma associação particular, é um exemplo da colaboração bem sucedida entre Governo e Iniciativa privada em Taiwan e mencionou a necessidade da indústria daqui permanecer alerta face à tendência da substituição dos computadores convencionais por dispositivos móveis, tipo telefones espertos e tabletes (mas até o senhor, presidente?).

E, para dar os trâmites por findos e declarar aberta a 31ª edição da COMPUTEX, as autoridades presentes subiram ao palco e, juntamente com o Presidente, tocaram a tela de um tablete colocado na frente de cada um. Os tabletes, através de uma conexão sem fio, transmitiam seu sinal para um controle central. Quanto o último deles efetuou a transmissão, foi acionado o sinal que declarava aberta a COMPUTEX 2011. Para uma feira de informática e telecomunicações, a simbologia não deixou de ser interessante…

Nota 4: O anúncio do Padfone da Asus

Ao que parece estamos voltando ao tempo em que as empresas esperavam as grandes feiras para lançar seus produtos ? hábito que a eclosão da Internet matou, juntamente com a maioria das grandes feiras de informática. E isto é bom.

Tanto assim que a ASUS, uma das grandes marcas da indústria de informática de Taiwan, aproveitou o primeiro dia da COMPUTEX 2011 para anunciar o lançamento de um produto que, se não chega a ser revolucionário, está perto disto: o Padfone, o primeiro dispositivo que combina as funções de tablete com as de telefone esperto em dois módulos independentes (veja foto).

Segundo a empresa o Padfone  foi criado especificamente para satisfazer a demanda tanto por um micro tipo tablete quanto por um telefone esperto, integrando ambos em uma única unidade que pode, entretanto, ser desmembrada para facilitar o uso quando se necessita apenas de um telefone e não se deseja transportar um tablete.

O dispositivo é o pioneiro em uma classe que permite a transição imediata e sem complicações entre os dois fatores de forma. Isto foi conseguido fazendo com que o mesmo dispositivo se subdivida em dois módulos, o telefone e o tablete, de tal forma que o primeiro se encaixe em um rebaixo na parte traseira do segundo, transformando-o em um tablete (veja a foto de divulgação da ASUS).

Pelo que eu pude perceber na apresentação durante o lançamento ? que não desceu a detalhes técnicos provavelmente por razões de segredo industrial, já que o produto é pioneiro em sua classe e apenas estará disponível no mercado no final deste ano ? o módulo maior não  tem capacidade própria de processamento e não funciona sozinho já que todo poder de processamento está no módulo telefone. Ele apenas se transforma em um tablete quando o telefone se encaixa em seu rebaixo. Portanto, ao que parece, o módulo maior consiste quase que exclusivamente em uma tela sensível ao toque, uma bateria de longa duração e nos dispositivos de conexão entre ela e o módulo de processamento, que reside no telefone.

O resultado é interessante. Por exemplo: pode-se tirar uma foto com a câmara do telefone e encaixá-lo no módulo tablete para exibi-la em uma tela maior. O mesmo pode ser feito para se apreciar um filme recém baixado no telefone via conexão 3G. E o melhor: enquanto os módulos estão conectados, a bateria do tablete transfere parte de sua carga para a do celular, recarregando-a caso necessário.

Mas talvez a maior vantagem do conjunto (que rodará a versão mais recente do sistema operacional Android que estiver disponível na ocasião de seu lançamento) é o fato de que ambas as unidades ? na verdade a mesma unidade, porém funcionando seja como telefone esperto seja como tablete ? usará o mesmo cartão SIM para sua conexão 3G. Isto significa que o custo mensal para o acesso à Internet será cortado ao meio, já que tanto na função de tablete quando na função de telefone o dispositivo utiliza a mesma “conta” e. portanto, paga a mesma tarifa.

Isto, em um país onde as tarifas de telecomunicações estão entre as mais altas do mundo (sim, somos campeões também neste quesito e mais uma vez a Europa se curva ante o Brasil) faz uma enorme diferença.

Quem quiser mais detalhes sobre o Padfone, inclusive assistindo o mesmo filme de divulgação exibido durante o lançamento (atenção: aquele coroa de suspensórios que entrega um café ao protagonista no começo do filme não sou eu ? só parece comigo…) poderá encontrá-los (em inglês) na página  “Padfone makes the switch” do sítio da própria ASUS.

Pois é isto. Aqui termina a primeira das duas colunas sobre a cobertura da Computex 2011. Não perca a próxima. Que conta como achei os tabletes…

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