A
luta das mulheres por direitos iguais aos dos homens no mercado de
trabalho é um assunto recorrente dentro das organizações. O último
relatório do Fórum Econômico Mundial apontou que a igualdade de gêneros
perante salários só será possível em 2095. Além disso, a disparidade
entre participação econômica e oportunidades para mulheres ainda gira em
torno de 60%, quando comparada aos homens.
O longa-metragem Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures),
que estreou recentemente nos cinemas do país, ilustra um pouco essa
realidade, que se atenua quando observamos a presença feminina no
mercado de tecnologia. O enredo aborda como uma equipe de cientistas da
NASA formada por mulheres afro-americanas liderou uma das maiores
operações tecnológicas da história americana, calculando precisamente a
trajetória da nave Apollo 11 à lua.
Dentre
tantos filmes que narram a corrida espacial, este foi o primeiro a
trazer à tona essa importante faceta da história. Na época, era
impossível imaginar que este fato pudesse ser atribuído a mulheres e,
ainda hoje, existe um certo preconceito em relação à presença feminina
em determinados cargos e funções de alta responsabilidade e poder de
decisão.
Porém,
é papel dos gestores identificar e conciliar os melhores atributos
entre homens e mulheres em suas equipes a fim de obter os melhores
resultados. A formação de times plurais estimula a troca de experiências
e garante inclusive um maior desempenho financeiro. O estudo O Poder da Paridade,
publicado em setembro de 2015 pelo McKinsey Global Institute, revela
que zerar a desigualdade de gêneros em escala global poderia dobrar a
contribuição das mulheres no PIB mundial até 2025, o que significa que
US$ 28 trilhões seriam adicionados à economia do planeta.
Listei
abaixo algumas reflexões sobre como avançarmos no sentido de reverter o
cenário atual e garantir a formação de equipes com equidade de gênero
sem comprometer a produtividade:
1- Análise
O
primeiro passo é analisar os dados da empresa e atribuir uma métrica
para verificar se as promoções internas abrangem homens e mulheres. Por
exemplo, qual a proporção entre a quantidade de profissionais do sexo
masculino e feminino que ingressaram na organização em comparação com
aqueles que atingiram outros níveis hierárquicos? A promoção e
efetivação de cargos incorporam ambos os sexos? Uma análise profunda vai
auxiliar a traçar um panorama sobre a questão.
2- Debater o tema
Após
identificar as oportunidades e características da organização, é
interessante formar um grupo de gestores e funcionários para falar sobre
diversidade, fomentar discussões pertinentes e deixar todos a par das
possibilidades da equipe. Além de maior engajamento, a multiplicidade do
projeto resulta no desenvolvimento de novas ideias e iniciativas para o
ambiente de trabalho.
3- Políticas de RH
O
passo seguinte é promover uma política de ações para revisar os
processos de seleção, recrutamento e plano de carreira. Muitas vezes a
escolha de um perfil masculino para um cargo de alta responsabilidade é
uma atitude realizada de modo “automático”, formada por estereótipos
pré-moldados em nossa mente. Por isso, é necessário que os departamentos
de RH desenvolvam políticas igualitárias de oportunidades, como a
avaliação de currículo às cegas, por exemplo, com foco maior nas
habilidades técnicas.
4- Programa de incentivo à igualdade de gêneros
Seguindo
as etapas anteriores, o último passo é montar um programa de incentivo
destinado a todos os funcionários, pensando em ciclos de palestras e
outras ações que gerem o desenvolvimento da equipe, independente de
gênero. Nessas atividades é possível avaliar e destacar os diferenciais
de cada integrante do time.
Notamos
que empresas que possuem maior diversidade nas equipes, desde as
funções operacionais até os cargos de liderança, alcançam melhores
resultados. É preciso trabalhar com olhos atentos e mente aberta para
analisar o ambiente de forma imparcial e sem sexismo. A integração de
homens e mulheres no ambiente de trabalho é essencial para a geração de
ideias inovadoras e a transformação das organizações, na constante busca
por sólidos resultados de negócios.
(*) Laura Lafayette é diretora sênior de Recursos Humanos da Unisys para América Latina
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